Mais conhecida pela vasta carreira como atriz, Amy Seimetz (‘Cemitério Maldito’ e ‘Alien: Covenant’) também se arrisca em alguns trabalhos na direção de filmes independentes e séries como ‘Atlanta’. Sua produção mais recente, ‘Ela Morre Amanhã’, foi baseada em sua própria ansiedade e consegue mostrar de forma bem-sucedida a essência desses conflitos pessoais e de seu propósito como diretora. Entretanto, mesmo sendo muito bom na temática que propõe, o filme é refém de si próprio e não consegue desenvolver outras tramas além da principal, se desgastando pela linearidade narrativa. 

De forma muito simples, “Ela Morre Amanhã” aborda a protagonista Amy (Kate Lyn Sheil)  que acorda achando que irá morrer no dia seguinte. Ao dizer sua premonição para a amiga Jane (Jane Adams), ela cria uma rede de pessoas que também passa a acreditar ter a morte marcada para amanhã. Tal situação é enfrentada de forma diferente pelos personagens, mas sempre cercada de angústia, ansiedade e diálogos filosóficos. 

Ao colocar uma temática tão pessoal em seu projeto, Amy ressalta a sensibilidade e destreza de fazer esta narrativa ser acessível como se a própria tivesse atuando na produção, conversando com o público. Isto por si só é um grande feito considerando a dificuldade pessoal de falar sobre transtornos psicológicos e a própria negligência de diversos filmes ao tentar abordar esse tema. Mesmo que a ansiedade não seja propriamente dita no longa, diálogos como “estou bem, não, não estou bem” e outras seguidas dualidades, apreensões e conflitos pessoais conseguem passar a sensação de constante angústia. 

A criação de diferentes núcleos de personagens torna mais dinâmico o enfrentamento da morte, gerando interesse em cada trama. Porém, qualquer que seja o cenário, “Ela Morre Amanhã” força o espectador a refletir juntamente de seus personagens, a pensar e mergulhar na vastidão de angústia presente, o que é muito bom pelo lado imersivo e por seu propósito, mas, verdadeiramente incômodo para quem assiste. 

TUDO IRRITANTEMENTE IGUAL 

A escolha de criar diferentes cenários de personagens tinha tudo para enriquecer a narrativa através novas possibilidades e pensamentos sobre a morte. Porém, diferente disso, todos eles são tomados por uma grande sinceridade, tornando a narrativa linear mesmo com a mudança de cenário. Assim, não existem momentos mais fortes ou memoráveis que outros e sim uma coesão incômoda por tudo parecer sempre igual. 

É neste ponto de não se arriscar mais, não procurar evoluir seus diálogos extremamente filosóficos e nada casuais que “Ela Morre Amanhã” perde o interesse. Mesmo possuindo apenas 1h30 de duração, a ideia de morte contagiosa do filme parece até ser real podendo alcançar o espectador com o tédio intuído por sua linearidade. Acredito que isso ocorra justamente pela ausência de conflito, contraste, de aprofundamento em seus personagens e falta de outro direcionamento além da morte. 

Definitivamente, ‘Ela Morre Amanhã’ é um grande filme por sua abordagem sobre ansiedade e enfrentamento da morte, mas, ao mesmo tempo, que essa honestidade é positiva, ela também repele o público por não minimizar ou esconder a urgência temática, a qual não é tão prazerosa de se enfrentar (mesmo que somente na posição de espectador). Esse tipo de fidelidade à proposta também exerce um aspecto negativo de priorizar o conceito ao invés de desenvolver uma coerência narrativa, a qual seria muito bem-vinda para tornar sua experiência mais completa e atrativa. 

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