A segunda temporada de “The Last of Us” escancarou que toda a complexidade moral que tanto cativou os fãs do game ficou de lado. A série da HBO cresce mesmo quando aposta na ação, seja na saga de Ellie (Bella Ramsey) para vingar a morte de Joel (Pedro Pascal) ou nos momentos de terror com os zumbis. O desfecho deste novo ano aponta justamente para isso em um capítulo tenso do início ao fim e sem perder o tempo com firulas.
Aqui, temos Ellie completamente obcecada em encontrar Abby (Kaitlyn Dever) a qualquer custo. Apesar do amor por Diana (Isabela Merced) e a preocupação com a gravidez dela, a protagonista demonstra como basta uma fagulha para que continue com o plano de vingança. Se isso significar colocar Jesse (Young Mazino) em perigo e abandoná-lo para salvar Tommy (Gabriel Luna) no meio de um tiroteio com os WLF, ela fará sem o menor esforço.
No melhor estilo daqueles filmes de vingança de Sylvester Stallone nos anos 1980 ou Liam Neeson nos dias atuais, é a força do ódio que move Ellie a ponto de não hesitar em achar que um barquinho a motor será suficiente para enfrentar um mar revolto com uma chuva torrencial. E por DUAS VEZES! Tamanha a fúria que não choca a garota assassinar a sangue frio duas pessoas, incluindo, uma grávida.
Aqui vale ressaltar a grande atuação de Bella Ramsey: a britânica de 21 anos demonstra através do olhar e do choque com cada ação que parece não mais controlar toda a degradação moral da protagonista de “The Last of Us”, a verdadeira tragédia daquele universo – algo que, aliás, o roteiro se aprofundar para além do óbvio. Por outro lado, a se lamentar o aproveitamento do excelente Jeffrey Wright nesta segunda temporada: após uma primeira aparição hipnotizante, o ator sumiu, voltando neste episódio para ser uma distração.
Quanto ao gancho para a terceira temporada, “The Last of Us” volta a mostrar dificuldades em construir sequências de tensão: apesar de ser inegável o desejo querer saber logo o que acontece no derradeiro encontro, fica a sensação de que a direção de Nina Lopez-Corrado poderia ir mais a fundo. Se há uma busca por caminhos próprios no modo de contar a história como ficou nítido na decisão de evitar intercalar o tempo presente com os flashbacks da relação entre Joel e Ellie igual no game, a transposição para a série respeita demais o jogo. Com isso, perde-se o impacto do momento tão esperado para uma rapidez que logo leva àquilo que será visto no próximo ano.
Pelo menos, teremos mais Kaitlyn Dever, algo sempre bom.














