Com 2 vitórias e 19 indicações ao Grammy, Ariana Grande é uma das maiores popstars surgidas na década passada. Dona de uma voz com agudos impressionantes, ela conquistou uma legião de fãs mundo afora. Enfileirou hits “We Can´t Be Friends”, “Side to Side”, 7 Rings”, “Everyday” e “Into You”. Com mais de 90 milhões de álbuns vendidos e sempre no top das playlists mais escutadas da plataformas digitais, a estrela poderia não se importar com uma carreira tímida nos cinemas com apenas poucos filmes de destaques como participações especiais em “Zoolander 2” e “Não Olhe Para Cima”.

Topar viver Glinda na versão para os cinemas de um dos maiores musicais da Broadway foi uma jogada completamente fora da zona de conforto. Ainda que o longa pudesse permitir a ela soltar o vozeirão, a paixão de fãs de “Wicked” e todo o background envolvendo “O Mágico de Oz”, clássico do cinema de Hollywood, poderia ser um tiro no pé – vale lembrar a bomba que “Cats” foi tempos atrás.

Ariana Grande, entretanto, calou a boca daqueles que duvidavam com uma atuação surpreendente no primeiro filme da saga com uma Glinda cheia de trejeitos e divertidíssima a ponto de roubar as atenções de Cynthia Erivo, protagonista de “Wicked”.  A indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante coroou o trabalho dela. Para a temporada de 2026 com o encerramento da saga, a popstar não deve se contentar apenas com a nomeação e vai lutar para vencer a estatueta.

O Cine Set teve a oportunidade de conversar com Ariana durante o lançamento de “Wicked – Parte 2” e você confere abaixo:

Cine Set (Caio Pimenta) – Em Wicked: Parte 2, a Glinda chega muito perto de se tornar a vilã, mas existe uma grandeza nela que sempre a impede de fazer a pior escolha. Como você enxerga essa força que ela tem para superar as adversidades mais difíceis?

Ariana Grande – Acho que isso sempre esteve ali, quietinho, sabe? E é por isso que sou grata pelo flashback da infância dela, porque mostra que ela é resultado de crenças que foram projetadas nela desde muito jovem. E, sabe, ela absorveu tudo isso — essas crenças dos pais — e por toda a vida dela, ela esteve performando para ser querida e para agradar os outros, porque agradar os outros significava bondade.

Mas ela aprende que isso absolutamente não é verdade, e ela só consegue suportar isso até certo ponto. Agora ela sabe a verdade, e acho que no começo do segundo filme ela ainda não tem as ferramentas para fazer essa mudança, mas ao enfrentar decepção após decepção, e no fim sendo deixada sem nada, ela consegue mudar.

E eu não acho que ela teria realmente se tornado a vilã, de verdade. Acho que ela estava tão vazia, funcionando no automático por muito tempo, que não teria conseguido suportar essa sensação por muito mais tempo.

Cine Set (Caio Pimenta) – Você acha que podemos ver você como Glinda novamente no futuro?

Ariana Grande – Aí meu Deus (risos)! Você sabe como estas coisas são. Nunca vou dizer nunca. E sim, acho que estaremos para sempre entrelaçadas, sabe? Um dia eles provavelmente vão fazer algum brinquedo de parque temático ou algo assim, e eu vou ter que gravar um vídeo dizendo algo tipo: “coloquem os cintos de segurança”. Podemos ao menos ter esperança disso (risos).

Cine Set – (Pâmela Eurídice) – Neste novo filme, Glinda assume as rédeas de quem ela quer ser. Como você enxerga a evolução da personagem?

Ariana Grande – Glinda passa por uma jornada muito intensa de autodescoberta neste filme. Ela começa como alguém que, no primeiro filme, está muito escondida, performando, porque acredita que tudo o que precisa fazer é ser querida, ser essa presença alegre para as pessoas, agradar — uma crença que os pais colocaram nela quando era criança.

E, neste segundo filme, ela já sabe a verdade. Glinda ainda não tem as ferramentas para mudar logo de início. No começo do filme, ela está em uma negação enorme, performando através da dor o máximo que consegue — mas está falhando. E ela é forçada a se olhar no espelho e realmente fazer uma mudança, expulsar todos os vilões de Oz e se tornar verdadeiramente a boa.

Acho que ela se torna uma espécie de super-heroína neste filme, porque não existe nada mais corajoso do que encarar o próprio autoengano e fazer uma mudança.

Cine Set (Pâmela Eurídice) – Realmente adorei o casamento, a entrada da noiva, a noiva de Glinda. Você poderia comentar um pouco sobre como aquela sequência foi filmada?

Ariana Grande – Foi lindo. Ninguém dirige um casamento como o Jon M. Chu. Ele tem o olhar mais incrível para uma celebração como essa.

Mas a minha parte favorita é como tudo foi editado pelo Myron Kerstein, nosso editor extraordinário, alternando entre a minha caminhada pelo corredor e a caminhada da Elphaba pelo corredor escuro onde os animais estão presos. Acho essa poesia extremamente comovente. Penso que essa escolha é de um nível tão superior e tão emocionante.

E ela revela toda a corrupção e a fachada que todos ali estão mantendo, e como tudo está quebrado.