Pense em qualquer grande blockuster de ação do cinema norte-americano dos últimos 50 anos. Certamente estará lá o nome de Jerry Bruckheimer.
O homem por trás de franquias como “Top Gun”, “Piratas do Caribe“, “Bad Boys”, “Um Tira da Pesada” e hits históricos como “A Rocha” e “Armageddon” se aventurou pelo universo do automobilismo em 2025. Com o apoio da FIA e das escuderias, “F1” traz para as telas toda a loucura do circo da Fórmula-1. A superprodução, aliás, tinha um desafio e tanto visto que precisava atingir o grande público nos EUA, mais afeito ao Nascar e a Fórmula Indy.
Para tanto, Bruckheimer chamou Brad Pitt, uma das maiores estrelas de todos os tempos de Hollywood e com quem nunca havia trabalhado antes. Em entrevista ao Cine Set, o produtor conta sobre as semelhanças que percebeu entre a Fórmula 1 e as superproduções do cinema americano, a importância de ter Lewis Hamilton, hexacampeão do torneio, como produtor e refletiu sobre as dificuldades do cinema de ação na temporada de premiações.
Cine Set – Qual a maior semelhança entre o circo da Fórmula 1 e a produção de um grande filme de Hollywood?
Jerry Bruckheimer – É muito parecido, para ser honesto com você. Toda semana eles precisam mover tudo — os paddocks, os carros — para outro país. É quase uma operação militar do jeito que fazem. Os caminhões chegam, desmontam tudo, carregam o equipamento e seguem viagem. Depois colocam tudo em aviões de carga, aterrissam em outro local, descarregam os caminhões e montam tudo novamente.
Também estamos sempre viajando, acompanhando as corridas, carregando nossos carros. Quando fizemos este filme, tínhamos nosso próprio paddock, então precisávamos empacotar tudo, preparar os carros, colocá-los nos aviões e levá-los para o próximo circuito ou corrida. É uma operação e tanto — muito semelhante ao que eles fazem.
Cine Set – Você teve Lewis Hamilton como parceiro na produção de F1. Qual foi o aspecto mais importante da experiência dele como piloto que ajudou a trazer a verdadeira intensidade e atmosfera do campeonato para o filme?
Jerry Bruckheimer – Foi Lewis quem tornou tudo possível. De verdade. Ele foi o nosso guia para fazer com que tudo fosse o mais autêntico possível. Ele passava uma quantidade enorme de tempo conosco. Acompanhava a edição junto com a gente. Teve um dia em que ele passou oito horas no mesmo hotel, trabalhando comigo, com o Brad, o Joe e o Jeremy — que também é produtor do filme — revisando cada linha do roteiro. Ele dizia: ‘isso está certo, isso não está’, ‘isso é preciso’, ‘isso não é’. E toda aquela cena na varanda veio do Lewis: ele explicou que, quando tudo está funcionando bem, todos os sons desaparecem. Você está em paz com tudo. Está em sintonia com o carro. Isso veio dele. É assim que ele se sente quando realmente está levando o carro ao limite.
Cine Set – Em um momento em que muitas pessoas questionam se a experiência de ir ao cinema poderá estar a chegar ao fim, qual a importância de ainda termos grandes estrelas como Brad Pitt e Tom Cruise a protagonizar grandes filmes?
Jerry Bruckheimer – Com certeza. Isso existe, você sabe, desde os anos 1920. Foi quando tudo começou — tínhamos estrelas, e as pessoas queriam ir ao cinema. Era um evento semanal. Hoje é diferente, porque há muitas opções na televisão. Mas, ainda assim, se você faz um filme que o público quer ver, ele vai sair de casa, vai entrar na fila e assistir. Aconteceu com Minecraft, neste verão aconteceu com F1, que foi fenomenal. Muitos outros filmes também foram muito bem. Então, cabe a nós, cineastas, fazer algo que desperte o interesse das pessoas em ir ver. Não é fácil, mas é possível.
Cine Set – Mesmo com alguns dos maiores sucessos de bilheteria da história de Hollywood, você só tem uma indicação ao Oscar — para Top Gun: Maverick. Como podemos superar essa resistência aos filmes de ação durante a temporada de premiações?
Jerry Bruckheimer – É difícil. A gente precisa de pessoas como você para escrever sobre o nosso trabalho. Quando vocês dizem coisas boas sobre nós, isso ajuda muito (risos). Precisamos que a mídia nos apoie. Existe uma certa aversão a filmes que fazem sucesso — não sei por quê. Mas veja só, fomos indicados, estamos muito felizes. Já ganhamos um Oscar, o que é fantástico.
Esperamos que este filme seja reconhecido pela sua excelência em todas as categorias. Às vezes, o fato de o filme ser um enorme sucesso acaba sendo um fardo, em vez de uma vantagem, quando se trata de prêmios. Mas, veja, o que queremos é que as pessoas vejam o filme.
Fizemos uma exibição-teste, chamada de blind preview, em que o público não sabia o que ia assistir. Depois da sessão, entrevistamos 20 pessoas. A primeira pergunta foi: “Você sabia o que era F1 antes de ver o filme?” Apenas uma pessoa levantou a mão. Uma mulher disse que, quando soube que era um filme sobre corridas, pensou em ir embora, porque não gostava do tema. Mas, depois de assistir, ela disse: “Agora eu adorei! Vou recomendar para os meus amigos.”
E esse é o nosso desafio com o Globo de Ouro: queremos que as pessoas vejam o filme, não apenas ouçam falar dele. Que sintam o filme — a emoção, a diversão. Porque, eu prometo, depois que assistirem, elas vão ter uma visão completamente diferente sobre ele.













