De “Uma Batalha Após a Outra” a Ariana Grande em Atriz Coadjuvante, Caio Pimenta apresenta uma lista de candidatos com indicações garantidas ao Oscar 2026.
CATEGORIAS DE ROTEIROS
Somente dá para cravar entre os indicados aos prêmios de roteiro aquelas produções consideradas favoritas para a temporada.
Paul Thomas Anderson e Chloé Zhao reinam entre os adaptados e devem promover um duelo interessante na categoria. Há boas chances de “Uma Batalha Após a Outra” dominar o Oscar 2026, o que tornaria esta vitória inevitável. Por outro lado, poderia ser o prêmio de consolação para a chinesa, ainda mais considerando que ela perdeu a categoria com “Nomadland”.
Todas as demais vagas estão abertas em adaptado: “Bugonia” e “Frankenstein” não se firmam, “Entre Facas e Segredos” joga com o carinho da Academia após ter os dois primeiros filmes indicados, mas, ainda está incerto. “No Other Choice” pode ser a opção internacional, enquanto “Nos Trilhos do Destino” busca ser a surpresa.
O cenário é mais claro em Roteiro Original: o norueguês “Valor Sentimental” e o iraniano francês “Foi Apenas um Acidente” serão os candidatos internacionais. Se Joachim Trier e Eskil Vogt jogam com a sofisticação de um roteiro de personagens brilhantes e a relação da arte como ponte de compreensão entre pessoas traumatizadas, Jafar Panahi traz todo o simbolismo da luta contra o regime iraniano. Ambos podem vencer. Também vejo “Pecadores” com a vaga assegurada, sendo a grande esperança americana na categoria. Igual ocorre com Chloé Zhao, a vitória poderia ser o maior momento de Ryan Coogler na temporada.
Falta um pouco mais exibições e repercussões, mas, tudo leva a crer que “Marty Supreme” deve ser o quarto candidato certo em Roteiro Original. A última vaga está em jogo com “Blue Moon”, “Jay Kelly”, “Is This Thing On?” e o nosso “O Agente Secreto”. O grande problema para o Kleber Mendonça Filho é se a Academia estará disposta a emplacar três filmes de língua não inglesa, algo inédito na categoria. A princípio, bastante improvável.
PRÊMIOS DE ATUAÇÃO
Stellan Skargaard e Paul Mescal são os nomes garantidos em Ator Coadjuvante. O ator sueco é o centro dos acontecimentos de “Valor Sentimental”, um personagem que ora amamos, ora odiamos no drama norueguês. Chega como favorito ao prêmio. Já o irlandês traz o hype de ser um dos atores mais badalados da nova geração em uma grande fase. Com “Hamnet” e Jessie Buckley fortes na temporada, fica difícil imaginar Mescal esnobado na categoria.
Certamente muitos já devem estar questionando por que não coloquei Benicio del Toro e Sean Penn como nomes garantidos. O grande ponto aqui é saber se a Academia repetirá os últimos anos de termos dois do mesmo filme indicados. Acredito que a tendência seja esta, mas, há sempre o risco de não ocorrer. Sendo assim, quem dança?
Sean Penn seria o nome certo por ser o antagonista de Leonardo DiCaprio e ter mais tempo de tela, mas, Del Toro conquistou o público e cresce muito forte a ponto de ser considerado uma injustiça se vier a ser esnobado. Acredito que o duas vezes ganhador do Oscar com “Sobre Meninos e Lobos” e “Milk” possa ficar de fora.
Entre as mulheres, considero Teyana Taylor nome certeiro em coadjuvante. O caminho dela, aliás, ficou facilitado com a Chase Infiniti deslocada para Melhor Atriz. Seria a representante certa de “Uma Batalha Após a Outra” na categoria e provavelmente a maior chance de vitória do longa nas categorias de atuação. Também vejo a Ariana Grande consolidada entre os finalistas. Se Glinda era excêntrica no primeiro filme pendendo para a comédia, agora, a personagem aponta para o drama e forma um ótimo triângulo amoroso entre ela, Elphaba e Fiyero.
Fora que há um momento de cantoria que a Ariana está brilhante. Não posso falar mais detalhes sobre “Wicked: For Good” por conta de embargo, mas, acreditem: será difícil que a estrela não esteja no Oscar de Atriz Coadjuvante novamente.
Tudo o que falei aqui sobre Sean Penn e Benicio del Toro, vale também para a Elle Fanning e a Inga Ibsdotter Lilleaas. Ambas possuem momentos brilhantes em “Valor Sentimental” – Elle em um monólogo para interpretar a personagem dentro do filme e Inga em uma conversa ao pé da cama com a Renate.
A Academia pode indicar as duas tranquilamente, porém, se uma delas ficar pelo caminho, acho que será a Inga; Fanning está lutando por esta indicação há um bom tempo e a esnobada neste ano por “Um Completo Desconhecido” cria um cenário que não pode passar desta vez de reconhecê-la.
Renate Reinsve, Jessie Buckley e Cynthia Erivo são nomes certos em Melhor Atriz. A norueguesa de “Valor Sentimental” e a irlandesa de “Hamnet” devem travar um dos principais duelos da temporada. Buckley já é um nome conhecido da Academia pela indicação por “A Filha Perdida” e o desempenho no premiado “Entre Mulheres”, enquanto Reinsve busca aparecer pela primeira vez no Oscar após a esnobada de “A Pior Pessoa do Mundo”.
Indicar Ariana e não fazer o mesmo com Erivo seria uma brincadeira de mau gosto da Academia. Se na temporada deste ano com Elphaba colocada de lado em muitos momentos em detrimento à Glinda como ocorre no primeiro filme, desta vez, com o foco maior na construção da Bruxa Má do Oeste, a estrela de “Wicked” ganha mais tempo de tela com direito também a um momento musical belíssimo.
Sobram duas vagas em Melhor Atriz: Rose Byrne e a tour de force desesperadora de uma mãe à beira de um ataque de nervos me parece quase lá. Daí em diante, uma guerra entre Amanda Seyfried, Emma Stone, Kate Hudson, Chase Infiniti e Tessa Thompson.
Timothée Chalamet é o único que cravo em Melhor Ator. Do pouco que se falou até agora de “Marty Supreme”, há unanimidade em relação ao astro a ponto de ter mantido a força justo em uma temporada que muitos ficaram pelo caminho.
Poderia muito bem colocar o Leonardo DiCaprio até pelo hype de “Uma Batalha Após a Outra”. O problema é o histórico do astro com esnobadas aos montes da Academia, incluindo, a recente com “Assassino da Lua das Flores”. O herói incomum do novo filme de Paul Thomas Anderson – um ex-guerrilheiro maconheiro e medroso – não é aquele tipo dos mais amados pelo Oscar. Se a lógica se confirmar, porém, acredito que venha a sexta indicação do astro.
O Wagner Moura também está próximo da vaga. Fosse americano, eu o colocaria ao lado do Timothée Chalamet. A grande questão aqui é o histórico da categoria pouco favorável para intérpretes de língua não-inglesa. Por outro lado, o brasileiro aparece sempre muito cotado para Melhor Ator desde o início da temporada e a campanha deve esquentar ainda mais até o fim do ano. O Globo de Ouro pode consolidar a indicação para o Oscar.
Paul Thomas Anderson não apenas é garantido como também favorito para Melhor Direção. Talvez seja o Oscar mais garantido da temporada nas categorias principais. Por “Hamnet”, Chloé Zhao é aquela que mais ameaça o cineasta de “Uma Batalha Após a Outra”.
A Academia pode promover uma invasão internacional com Park Chan-Wook, Joachim Trier, Jafar Panahi e Kleber Mendonça Filho. Os quatro podem aparecer. A tendência, porém, é a Academia optar por dois deles, o que pode fazer o pernambucano dançar. Caso fique com apenas um, será uma verdadeira escolha difícil: o cerebral Trier ou a luta de Panahi? Dos americanos, Ryan Coogler está perto da indicação com o Josh Safdie rodando também.
Melhor Filme traz seis filmes consolidados: “Uma Batalha Após a Outra” aparece como favorito, enquanto “Hamnet” e “Valor Sentimental” surgem como possibilidades de vitória. “Marty Supreme”, “Pecadores” e “Wicked: For Good” completam o time.
Chamo a atenção para “Wicked” e “Avatar: Fogo e Cinzas”, afinal, podem ser duas apostas de um cinema mais popular, dos blockbusters tradicionais em Melhor Filme. Nos últimos dias, a imprensa norte-americana aumentou a aposta na ficção científica do James Cameron. Hoje, não o considero com a vaga garantida.
A Netflix deve emplacar, pelo menos, um dos seus quatro candidatos em Melhor Filme: “Casa de Dinamite” caiu um pouco e “Jay Kelly” não sabe se vai ou fica. Neste momento, jogo as fichas em “Frankenstein” com todo seu visual arrasador e a força do Del Toro na Academia. E ainda tem “Nos Trilhos do Destino” chegando como um candidato improvável.
“Foi Apenas um Acidente”, “No Other Choice” e “O Agente Secreto” são as apostas internacionais para estarem ao lado de “Valor Sentimental”. Um deles deve ser indicado com minha aposta indo para o Jafar Panahi.
Por fim, “Bugonia” e “Is This Thing On?” seriam as apostas seguras da Academia no tradicional do cinema dos EUA.



















excelente análise, bem certeira. acredito, porém, que DiCaprio e Sean Penn são certezas. Entendi os argumentos, mas acho incontornáveis essas indicações.