Claro que “F1”, superprodução da Apple com o apoio da entidade responsável pelo maior campeonato de automobilismo do planeta, traz nos holofotes Brad Pitt. Afinal, trata-se de uma verdadeira lenda do cinema mundial com hits de bilheteria, prestigiado por grandes diretores e dono de uma estatueta do Oscar com “Era uma vez em Hollywood”.
Isso, entretanto, não impede o longa de ter mais grandes nomes. Damson Idris e Kerry Condon são dois deles: o ator londrino encontra no filme de Joseph Kosinski seu principal holofote na carreira após passagens elogiadas por “Black Mirror” e a série “Snowfall”. Já a irlandesa chega credenciada pela indicação ao Oscar com “Os Banshees de Inisherin” e o elogiado “Train Dreams”.
O Cine Set aproveitou a temporada de premiações e conversou com a dupla sobre a experiência de gravar um blockbuster no agitado e louco universo da Fórmula-1.
Cine Set – Kerry, sua personagem é a mente por trás de toda aquela velocidade na pista, representando toda uma equipe que trabalha nos bastidores da F1. De tudo o que você aprendeu, o que mais te chamou a atenção nesse mundo dos bastidores — algo que você sabia que tinha que fazer parte da Kate?
Kerry Condon – Houve muitas questões técnicas que achei fascinantes, mas, no fim das contas — e talvez o pessoal da Fórmula 1 discorde de mim —, eu senti que era bem parecido com um jogo de apostas, sabe?
Porque você recebe todas essas informações, pensa em coisas como a temperatura dos pneus, mas, no fim, é meio que um chute. Você joga os dados e torce para que dê certo. Acho que consegui entender por que isso é um pouco viciante — há esse lado de aposta, de incerteza, em que você não sabe o que vai acontecer e só espera que seu palpite esteja certo.
Isso me pareceu muito interessante, porque eles fazem isso durante dez meses por ano, longe das famílias, e mesmo assim continuam. Acho que o que os mantém é essa adrenalina, essa sensação meio de jogo, de aposta.
Cine Set – O que um piloto de Fórmula 1 e um ator têm mais em comum?
Damson Idris – Cara…
Kerry Condon – Essa é difícil.
Damson Idris – Arrogância, talvez? (risos) Digo, somos todos atores. Todos os atores têm um pouco disso. Não, pensando bem, acho que determinação é a melhor palavra. Eu ia dizer isso.
Sabe, para chegar à Fórmula 1, há apenas 20 pilotos no grid. O seu companheiro de equipe é também o seu maior concorrente, e vocês provavelmente já competem entre si desde crianças. Então, alcançar esse nível exige uma grande dose de determinação.
E, assim como na atuação — embora seja uma indústria sem idade, em que qualquer pessoa pode conseguir algo em qualquer momento da vida —, é preciso muita determinação para se manter consistente. Há muitas pessoas que conseguem fazer uma coisa, mas depois somem, porque não têm esse elemento dentro delas.
Então, acredito que a determinação é definitivamente algo que as duas profissões têm em comum.
Cine Set – Assistindo a vocês, parece que estão se divertindo muito fazendo este filme. Isso se deve apenas à ótima atuação, ou fazer um blockbuster ambientado no mundo da Fórmula-1 torna o processo mais divertido e descontraído?
Kerry Condon: Sim, a gente se divertiu muito. Foi uma loucura, só diversão o tempo todo. E o Joe foi tão gentil — ele nunca nos fez sentir que estávamos fazendo algo errado. Era como se tudo o que fazíamos fosse, sabe, ótimo. E isso fazia a gente se sentir bem. Mesmo quando estávamos brincando entre as filmagens, ele sempre nos incentivava a continuar assim.
E eu só percebi o porquê disso quando vi o filme. Pensei: “Ah, claro, ele estava tentando capturar essa energia divertida e de equipe.” Então, sim, acho que vem daí — a gente realmente teve liberdade para se divertir muito no set.
Damson Idris – Pra mim, foi tudo atuação. Eu odiei cada segundo (risos). Tô brincando! Foi muito divertido, de verdade. E uma das melhores observações que o Joe me deu foi sobre como a interação com cada pessoa da equipe e do elenco é diferente. A forma como você fala com o Dodge é diferente de como fala com a Kate, e assim por diante. Isso me ajudou muito.
A química era essencial. E a melhor forma de trabalhar a química como ator é de trás pra frente: ser ótimo, se divertir muito — e aí é mais fácil interpretar que vocês se odeiam. É muito mais difícil fingir que ama alguém quando, na verdade, você o odeia.
(rindo) É, dizem que há uma linha tênue entre o amor e o ódio.
Kerry Condon – Pois é! Quando você pensa bem, dá pra amar alguém e, no dia seguinte, estar se divorciando.
Damson Idris – “Ah, eu te amo!” (risos)
Kerry Condon – Ok, estamos fugindo do assunto aqui… (risos)












