Quando Hit para Dois apresenta Danny, um ex-fenômeno da música pop tentando redescobrir seu propósito artístico, é impossível não perceber algumas semelhanças entre personagem e intérprete. Afinal, Nick Jonas conhece de perto os desafios de crescer sob os holofotes, lidar com expectativas da indústria e reinventar a própria carreira diante de um público acostumado a vê-lo de uma determinada forma.
Ao longo dos anos, o artista construiu uma trajetória que vai muito além dos Jonas Brothers, explorando projetos solo, atuação e diferentes caminhos criativos. Em Hit para Dois, porém, ele encontrou um papel que dialoga diretamente com experiências que viveu na vida real. O resultado é uma atuação marcada por compreensão e empatia em relação aos conflitos do personagem.
Em conversa com o Cine Set, Nick Jonas falou sobre as conexões pessoais que encontrou em Danny, relembrou o período em que os Jonas Brothers estiveram separados, comentou a oportunidade de trabalhar com John Carney e refletiu sobre as pressões enfrentadas por músicos em busca de reconhecimento. Também discutiu por que enxerga seu personagem como alguém falho, mas distante da figura de um vilão tradicional:
Cine Set – Como foi interpretar um músico que veio de uma boy band, visto que você também faz parte de uma das mais populares da nossa geração?
Nick Jonas – Foi muito especial interpretar um personagem que, de certa forma, vive experiências parecidas com as que eu mesmo vivi. A trajetória do Danny me fez lembrar bastante de 2014 e 2015, quando os Jonas Brothers se separaram e eu estava começando minha carreira solo.
Hoje, olhando para trás, depois de ter voltado a tocar com meus irmãos e vivido tantas experiências incríveis ao longo dos anos, tenho uma perspectiva completamente diferente daquele período. Existe uma gratidão muito grande por tudo o que aconteceu. Foi justamente essa conexão com o personagem que tornou o papel tão atraente para mim. Eu conseguia entender os conflitos, as dúvidas e o momento de transição que ele estava enfrentando. Por isso, estava realmente ansioso para interpretar o Danny.
Cine Set – Como foi trabalhar com John Carney? O que te atraiu no projeto?
Nick Jonas – Sou fã dos filmes do John há muito tempo: Apenas uma Vez, Mesmo se Nada der Certo e Sing Street… Um dia, recebi uma ligação da minha equipe dizendo que John Carney estava desenvolvendo um novo roteiro. Eles me apresentaram a ideia central da história, compartilharam um esboço do projeto e eu fiquei imediatamente fascinado.
Depois, participei de uma chamada de vídeo com o John para conversarmos sobre o filme. Desde o primeiro momento, senti uma conexão muito forte com ele e tive a impressão de que teríamos uma ótima química trabalhando juntos no set. Quando ele me contou que o Paul já estava envolvido no projeto, fiquei ainda mais animado para fazer parte daquilo.
Cine Set – Danny é um cantor que luta para emplacar um sucesso. Na sua opinião, como esse tipo de situação pode realmente assombrar um músico?
Nick Jonas – Danny está lutando com a própria autoestima em relação à música que faz e cria. Ao mesmo tempo, vive sob uma pressão enorme para entregar algo que pareça novo, empolgante e relevante. Quando se vê diante disso, a reação é se agarrar com todas as forças ao que acredita.
Acho que, em muitos aspectos, o filme gira em torno de uma pergunta muito simples: até onde você iria para conseguir tudo o que sempre quis? E, mais importante, qual seria o preço disso?
No fim das contas, essa é a questão que os dois personagens precisam enfrentar.
Cine Set – Você considera que Danny pode ser o vilão de Hit para Dois?
Nick Jonas – Não acho que ele seja um vilão. Particularmente, não costumo julgar meus personagens nem enxergar as coisas de forma tão preto no branco.
Depois de ter escrito tantas músicas ao longo da vida, posso dizer que existe um número limitado de notas para escolher. Por isso, não me parece absurdo imaginar que alguém possa acabar, sem intenção, entrando em uma situação em que tenha “roubado” uma melodia ou uma letra. No caso do Danny, talvez ele realmente se lembre daquela canção como se fosse uma música dele, algo que está sendo trazido de volta à memória.
Não acredito que isso comece com a intenção de fazer algo ruim, injusto ou moralmente errado. Acho que simplesmente acontece. O problema está na forma como ele lida com a situação depois, e é aí que aparecem as falhas do personagem. Mas todo mundo tem falhas. Ninguém é perfeito. E acho que a história fala justamente sobre isso: não sobre o que aconteceu inicialmente, mas sobre o que vem depois e sobre as escolhas que você faz a partir daí.














