Em Hollywood, Jennifer Lopez fez um pouco de tudo: filmes de ação (“Anaconda”), comédias românticas aos montes (“Case Comigo”, “O Casamento dos Meus Sonhos”, “Encontro de Amor”, “A Sogra”), suspense (“Irresistível Paixão”, “O Garoto da Casa ao Lado”), animação (a série “A Era do Gelo”), drama (“As Golpistas”) e até terror (“A Cela). Curiosamente, faltava à lista um musical raiz para uma das maiores popstars do século protagonizar.

A nova versão de “O Beijo da Mulher-Aranha” chega para fechar esta lacuna. O musical dirigido por Bill Condon bebe mais da fonte da peça da Broadway do que necessariamente do drama indicado ao Oscar de Melhor Filme comandado por Hector Babenco. No novo longa, J.Lo faz Ingrid Luna, uma estrela do cinema da Era de Ouro de Hollywood e maior referência para Luis Molina, preso político da ditadura argentina vivido por Tonatiuh. O jogo proposto de filme dentro do filme faz a popstar interpretar mais duas personagens.

O Cine Set teve a oportunidade de realizar uma entrevista individual com a estrela para falar sobre o que a motivou para fazer “O Beijo da Mulher-Aranha” e ainda a relação tão cara entre fãs e ídolos.

Cine Set – O que te motivou a participar de O Beijo da Mulher-Aranha — não apenas como protagonista, mas também como produtora executiva?

Jennifer Lopez — Eu amo a história e o que ela tem a dizer. Acho que é mais relevante do que nunca. Mas, além disso, foi o papel de uma vida para mim — ou, pelo menos, um dos papéis da minha vida — porque eu nunca tinha tido a oportunidade de cantar, dançar, atuar e ainda interpretar três personagens diferentes em um mesmo filme. Nunca.

Poder encontrar as nuances desses três personagens e ter a alegria de ir trabalhar todos os dias para fazer um musical, com 10 ou 12 números musicais, seja lá quantos forem, foi um sonho realizado para mim. Foi simplesmente óbvio que esse era um projeto do qual eu queria participar e também produzir.

Cine Set – Você teve tantos momentos incríveis de dança ao longo da sua carreira como artista, e imagino que essa experiência tenha te ajudado aqui. Mas o que O Beijo da Mulher- Aranha exigiu de você que pareceu novo ou surpreendente como dançarina?

Jennifer Lopez – O ponto principal foi o tempo que a gente tinha. Sendo um filme independente, menor, não era um grande musical de estúdio, ninguém ficava batendo à nossa porta dizendo “queremos muito fazer isso”. Pelo contrário: era um filme considerado pouco comercial, tratando de temas muito delicados para muitas pessoas. Tínhamos um orçamento muito pequeno e pouquíssimo tempo para fazer tantos números musicais.

Lembro do Diego (Luna) entrar em pânico e dizer: “Não temos tempo nenhum”. E eu respondia: “É verdade, não temos. Mas precisamos fazer acontecer”. Isso foi um grande desafio. Além disso, o Bill (Condon) queria filmar no estilo dos musicais dos anos 1950, com planos longos — fazer o número inteiro, do começo ao fim, em uma só tomada. Isso exigia que estivéssemos muito atentos à câmera, que acertássemos tudo com precisão. Depois que aprendíamos a coreografia, precisávamos reaprendê-la no palco com a câmera, porque nem sempre funcionava. Às vezes, simplesmente não era fisicamente possível mover a câmera de um jeito ou de outro. Então, houve muitos desafios na hora de realizar esses números.

No total, eu fiz uns dez ou onze números musicais, e, sinceramente, foi emocionante. Foi desafiador, mas também muito divertido. Eu, o Diego (Luna) e a Tonatiuh até brincávamos que, depois disso, só iríamos querer fazer musicais daqui pra frente — era tudo o que queríamos fazer.

Cine Set – Na história, Ingrid Luna se torna uma luz na escuridão para Molina na prisão — e, de muitas maneiras, você tem sido essa luz para muitas pessoas, especialmente nas comunidades LGBTQIA+ e latina. Como você acha que o filme reflete essa conexão entre ídolos e seus fãs?

Jennifer Lopez – Essa era a única coisa no filme que eu realmente disse ao Bill (Condon) e a todos: “Eu entendo isso”. Porque já senti isso na minha própria vida. Entendo essa relação entre você e seus fãs — o que eles fazem por você e o que você faz por eles. É uma troca tão bonita. Alguns são pessoas que você nunca encontrou, mas outros você conhece, reencontra várias vezes, e isso cria algo muito especial. Eles te mantêm seguindo em frente, e você faz o mesmo por eles. É quase como uma espécie de história de amor silenciosa entre vocês.

Quando eu fiz aquele número em que ele diz “Luna, me salve, Luna, me salve”, e ela responde: “Vem comigo, vamos te levar, vamos escapar um pouco”… aquilo me tocou profundamente. Porque às vezes é só isso que você precisa: escapar por um tempo. Depois você volta e encara a vida. Acho que é exatamente isso que acontece nessa relação de ídolo e fã — mas também é o que os filmes, a música, as canções fazem por nós. Elas nos dão aquele pouquinho de esperança no exato momento em que precisamos para atravessar algo.

Por isso, O Beijo da Mulher-Aranha é uma história tão bonita de contar, porque nos lembra disso. Por isso, digo que é uma carta de amor ao cinema, aos musicais, à comunidade latina e queer. É realmente um filme lindo, e estou muito animada por fazer parte dele.

 

 

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