A Mostra de Tiradentes 2025 recebeu a estreia do novo filme de Rodrigo Aragão. Um dos mais célebres diretores de terror do cinema brasileiro, ele lançou Prédio Vazio.
A produção traz a história de Luna, uma jovem que parte em uma jornada em busca de sua mãe, desaparecida no último dia de Carnaval em Guarapari. Suas buscas a levam a um antigo edifício aparentemente vazio, mas habitado por almas atormentadas.
Após um dos debates do evento na cidade mineira, Rodrigo conversou com o Cine Set sobre suas inspirações para Prédio Vazio e as razões de explorar tanto a maternidade em suas obras.
Cine Set – Você mencionou que o cinema de terror dos anos 1980 e 1990 te marcou muito. Como ele te impactou nesse começo de vida e de que forma te influencia visualmente?
Rodrigo Aragão – Os anos 1980 foram uma década excelente para o terror. Adoro Um Lobisomem Americano em Londres, A Volta dos Mortos-Vivos, O Iluminado. Esses filmes são muito importantes para mim. Sou muito fã de diretores como Sam Raimi, Peter Jackson, Lucio Fulci, Dario Argento; todos eles são diretores que carrego no coração. Só pude conhecer e ter acesso mais de perto ao cinema de (José) Mojica nos anos 2000. Ele era um personagem que você via, sabia quem ele era, mas não tinha acesso aos filmes.
Para mim, foi muito chocante quando assisti À Meia-Noite Levarei Sua Alma, que é o meu favorito. Aquilo foi muito melhor do que eu esperava e, desde então, eu coloco Mojica no mesmo patamar desses diretores heróis.
Cine Set – E o Tom Savini?
Rodrigo Aragão – Claro, claro. O Tom Savini é um dos maquiadores mais importantes do gênero. Quando ele foi para a direção também, apesar de ter feito poucos filmes, ele fez um remake excelente de A Noite dos Mortos-Vivos (1990). Há algumas cenas de efeitos especiais nesse filme que são muito especiais: não haveria The Walking Dead sem ele.
Cine Set – Sobre efeitos especiais, queria falar sobre o design dos fantasmas de Prédio Vazio, especialmente o do ‘olhudão’. De onde veio a ideia?
Rodrigo Aragão – Uma curiosidade: aquele fantasma é minha filha (risos). Tadinha… Nos anos 80, havia alguns designs que eu gosto muito, principalmente os feitos por John DeCuir Jr., que trabalhou em Os Caça-Fantasmas e A Hora do Espanto. Era uma época mais caricata.
Para Prédio Vazio, me inspirei na maquiagem de Giannetto De Rossi, profissional que tenho profunda admiração pelo trabalho que fez nos filmes de Lucio Fulci, trazendo um tom muito cinza, desbotado, meio sem cor, ao mesmo tempo que exagerava nos olhos muito redondos.
Cine Set – Algo mais próximo a H. P. Lovecraft…
Rodrigo Aragão – Eu amo Lovecraft… Muito legal poder falar sobre design, pois raramente me perguntam sobre isso. Minha homenagem a ele foi feita no meu terceiro longa, Mar Negro (2013). Espero, em breve, fazer mais filmes de monstros; tenho roteiros guardados, mais lovecraftianos.
Cine Set – Como você mencionou no debate, a maternidade é um tema frequente na sua obra. De que forma você acha que as duas coisas se conectam?
Rodrigo Aragão – É apavorante, cara, apavorante. Minha esposa passou por duas gestações muito difíceis. Eu fiquei mais apavorado do que ela diante de todo o processo de dar à luz. Isso é um terror que está no fundo do cérebro de todo ser humano. Quando você toca nesses pontos, você aborda medos coletivos, mais ou menos conscientes, e acaba acertando no lugar certo.
É uma profunda admiração que eu tenho pela força das mulheres, pela coragem das mulheres. Nós, homens, com certeza, não temos essa força. Por isso, quis criar personagens femininas.
Cine Set – Você tem uma diretora favorita?
Rodrigo Aragão – Uau! Que boa pergunta. Eu gostei muito de A Substância, da Coralie Fargeat. Foi uma grande surpresa, e somente uma mulher poderia ter feito esse filme. Já no Brasil, sou muito fã da Juliana Rojas. Acho ela uma pessoa incrível.












