Lançado em 2016, Zootopia se tornou um dos maiores sucessos recentes da animação da Disney. O filme arrecadou mais de US$ 1,02 bilhão nas bilheterias mundiais, consolidando-se como um fenômeno de público e crítica. O reconhecimento também veio na temporada de premiações, quando a produção venceu o Oscar de Melhor Animação.
Quase uma década depois, o estúdio retorna ao universo da metrópole habitada por animais com Zootopia 2, sequência que amplia o mundo apresentado no primeiro longa. A nova produção chega cercada de expectativa e já aparece entre os títulos indicados na categoria de Melhor Animação no Oscar deste ano, reforçando o peso da franquia dentro da Disney.
Em entrevista ao Cine Set, o diretor Byron Howard e a produtora Yvett Merino falam sobre o retorno da parceria entre Judy Hopps e Nick Wilde, os avanços tecnológicos utilizados na animação e a introdução de novos personagens — incluindo o misterioso réptil Gary, peça central da nova trama.
Cine Set (Pâmela Eurídice) – Por que a decisão retornar à relação de Judy e Nick era tão importante ao voltar ao universo de Zootopia? O que há de mais empolgante nessas novas ideias?
Byron Howard – O universo de Zootopia é tão grande que sabíamos que nunca conseguiríamos colocar tudo o que queríamos dizer em apenas um filme. Além disso, Nick e Judy precisavam continuar sendo o centro da história. Enquanto desenvolvíamos essa nova trama, a própria narrativa sempre nos lembrava de que o filme precisava ser sobre eles.
Quando percebemos que o relacionamento entre os dois ainda é muito recente, várias diferenças começaram a surgir. Essas diferenças aparecem tanto entre eles quanto na sociedade e no mundo em que vivem. Foi assim que o filme passou a girar em torno do tema das diferenças.
Também amamos muito esses personagens. Não queríamos que Nick e Judy permanecessem exatamente como no primeiro filme; queríamos vê-los crescer e enfrentar desafios reais, como acontece em qualquer relacionamento. No fim das contas, a história sempre volta para eles. Zootopia sempre será sobre Nick e Judy.
Cine Set (Pâmela Eurídice) – Como a tecnologia foi utilizada nesta sequência e quais mudanças aconteceram em relação ao primeiro filme?
Yvett Merino – Em cada filme da Disney Animation, sempre tentamos levar a tecnologia um pouco mais adiante. Temos uma relação muito próxima entre nossos engenheiros de software, a equipe de tecnologia e os artistas do estúdio, e eles trabalham juntos o tempo todo para avançar essas ferramentas.
Neste caso específico, estamos fazendo uma sequência de um filme lançado nove anos atrás, então a tecnologia evoluiu bastante nesse período. Por isso, adotamos um novo software para a equipe de animação chamado Presto. Ele ajudou muito nossos animadores a colaborarem entre si, permitindo que várias pessoas trabalhassem no mesmo plano ao mesmo tempo.
Antes, geralmente um animador ficava responsável por um único plano e precisava animar todos os personagens nele, ou então passava o trabalho para outra pessoa continuar. Com o Presto, diferentes artistas podem atuar simultaneamente no mesmo plano, o que torna o processo mais colaborativo.
Mas isso também trouxe alguns desafios, porque tivemos que reconstruir todos os personagens e garantir que eles funcionassem perfeitamente dentro do novo software. A evolução tecnológica é algo que sempre buscamos em cada produção, e neste filme não foi diferente. No fim das contas, é justamente essa parceria entre tecnologia, engenharia de software e os artistas que permite que consigamos realizar os filmes da maneira que fazemos.
Cine Set (Pâmela Eurídice) – Quando vocês começaram a desenvolver a história de Zootopia 2, como surgiu a ideia de incluir novos tipos de animais, especialmente os répteis, na trama?
Byron Howard – Quando Jared e eu começamos a trabalhar em Zootopia, isso foi há cerca de 14 anos. Desde o início, sempre imaginamos que, naquele mundo de animais, existiriam outras espécies além das que apareciam no primeiro filme — incluindo os répteis. Mas, naquela primeira história, precisávamos focar nos mamíferos, porque a narrativa era sobre a relação entre predadores e presas.
Agora, nesta nova história, o tema gira em torno das diferenças e, principalmente, da chegada de um novo tipo de animal ao mundo de Zootopia: os répteis. E o Gary acaba sendo a porta de entrada perfeita para esse universo. Foi uma maneira muito interessante de reunir várias ideias que já existiam.
Assim que percebemos que havia uma pergunta implícita no primeiro filme — “onde estão os répteis?” — notamos que o próprio público também estava fazendo essa mesma pergunta. Então pensamos que aquele era o momento ideal para respondê-la.
Isso acabou levando a uma trama muito interessante que impulsiona todo o filme. O que mais gostamos nessa história envolvendo o Gary é que ela trata da tentativa dele de trazer sua família de volta para Zootopia e corrigir um erro que aconteceu muitas gerações atrás. No fim das contas, isso acabou se transformando em algo realmente especial para o filme.
Yvett Merino – Eu preciso dizer uma coisa sobre o Gary: pessoalmente, eu tenho um medo muito grande de cobras. Então, quando descobri que este filme envolveria répteis — e especialmente cobras — meu coração começou a bater muito rápido, porque realmente tenho muita dificuldade com elas.
Mas preciso dar muito crédito à nossa incrível equipe de design, aos animadores e ao time responsável pelos personagens que criaram o Gary. Ele acabou se tornando um dos meus personagens favoritos justamente pelo trabalho incrível que todos fizeram.
Cobras não têm braços, o que é parte do que me assusta. Elas não podem falar com as mãos ou fazer muitos dos gestos que nós fazemos ou que outros personagens de Zootopia fazem. Então tudo precisava ser transmitido pelo rosto e pela forma como o corpo se move.
Nossa equipe de design, os artistas de personagens e os animadores fizeram um trabalho impressionante ao colocar tanta emoção e personalidade no Gary. Chega um ponto em que eu até esqueço que ele é uma cobra — e acabo realmente adorando o personagem.













