Está disponível a seleção de filmes presentes na 79a edição do Festival de Cannes, que acontece no próximo mês na Riviera Francesa. Nos últimos anos, muitos filmes presentes tanto na competição principal quanto nas mostras paralelas conquistaram a indústria, a crítica e as principais premiações de cinema do mundo, mantendo-se nas discussões populares e ganhando fôlego para levar da Palma de Ouro até a estatueta do Oscar. 

Separamos sete filmes que concorrem a Palma de Ouro, nesta edição, para ficar olho e acompanhar a sua trajetória. Quem sabe, não estamos diante de um novo “Anora” ou “Valor Sentimental“?

‘Amarga Navidad’, de Pedro Almodóvar

Pedro Almodóvar volta ao Festival de Cannes para competir pela Palma de Ouro. O cineasta espanhol tem uma relação curiosa com o festival, ele já esteve como presidente do júri em 2017 e teve passagens marcantes pela competição principal com obras como “Tudo sobre minha mãe”, “Volver”, “Julieta” e “Dor e Glória”. Apesar de sua trajetória, Almodóvar ainda não tem uma Palma de Ouro para chamar de sua. Quem sabe não é “Amarga Navidad” que lhe trará essa condecoração? 

Falando em espanhol, “Amarga Navidad” entrelaça as histórias de Elsa (Bárbara Lennie) e Raúl Duran (Leonardo Sbaraglia) enquanto explora temas como luto, identidade e relações de gênero. O filme já tem data de estreia no Brasil, no final de maio. 

‘Histoires Parallèles’, de Asghar Farhadi

Depois de Jafar Panahi conquistar a Palma de Ouro com “Foi apenas um acidente”, seu conterrâneo Asghar Farhadi chega a competição acompanhado de Isabelle Huppert, Vincent Cassel e Virginie Efira, simplesmente um time francês estrelar neste que é o segundo projeto do diretor iraniano em língua francesa, doze anos depois de estar em Cannes com “O Passado”. 

“Histoires Parallèles” aborda os ataques terroristas de novembro de 2015 em Paris, incluindo o atentado na sala de de concertos Bataclan. O que podemos esperar é o drama intenso repleto de consequências morais, características do cinema de Farhadi. Tê-lo na competição um ano após a vitória de Panahi também é um aceno para a resistência que os cineastas iranianos enfrentam para continuar produzindo, ainda que longe de sua terra natal.

‘Coward’, Lukas Dhont

“Coward” é o terceiro longa-metragem de Lukas Dhont e seu terceiro projeto a estar em Cannes — já podemos chamá-lo de queridinho do festival? — O diretor belga que já tem na bagagem, apesar da curta carreira, uma Câmera d’Or e um Grand Pix por “Girl” e “Close“, respectivamente, retorna para contar um drama de época que promete trazer todos os elementos que remontam o seu cinema.

Dhont nos apresenta uma narrativa ambientada na Primeira Guerra Mundial, acompanhando Pierre, um jovem soldado belga que precisa provar a si mesmo enquanto lida com amor, morte e destruição ao mesmo tempo em que descobre quais os limites de sua bravura e humanidade durante o conflito bélico. Uma oportunidade de termos outro olhar sobre a descoberta da identidade, temática que atravessa a obra do belga até aqui.

‘Soudain’, de Ryusuke Hamaguchi

Hamaguchi é um exemplo de como o festival de Cannes tem pautado premiações no decorrer da temporada. O diretor japonês chega a essa edição marcado por “Drive My Car”, que lhe rendeu o prêmio de melhor roteiro em Cannes e o Oscar de filme internacional, o consolidando no radar do cinema mundial. 

A narrativa acompanha Marie-Lou Fontaine (Virgínia Efira), diretora de um lar de idosos, que desafia a sua equipe para dar um tratamento digno aos pacientes, especialmente uma paciente terminal japonesa. “Soudain” segue o estilo do diretor que tanto agradou a Cannes: uma narrativa introspectiva com foco nas relações humanas, além de conter um interdiscurso com outros tipos de arte. Enquanto “Asako I e II” e “Drive My Car” eram baseados em obras literárias , o projeto liderado por Virgínia Efira  é inspirado em cartas reais presentes no livro “You and I – the illness suddenly get worse“ de Makiko Miyano e Maho Isono.

‘Sheep in the box’, de Hirokazu Kore-Eda

Outro japonês que promete acirrar a competição pela Palma de Ouro é Hirokazu Kore-Eda. Conhecido por seus dramas familiares recheados de narrativas humanistas e intimistas, o cineasta é um veterano na Croissette, sendo sua nona indicação na competição principal. 

Em “Sheep in the box”, Kore-Eda traz um olhar de dor e ficção científica a um núcleo familiar, nos apresentando um futuro no qual um casal abriga um robô humanoide em sua casa após a perda do filho. A Neon, responsável pela distribuição das últimas cinco Palmas de Ouro, já adquiriu os direitos do filme para Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. Importante ficar de olho.

‘Fatherland’, de Pawel Pawlikowski

Pawel Pawlikowski volta a Cannes para trazer um road movie centrado no relacionamento do escritor Thomas Mann (de “A Montanha Mágica” e “Morte em Veneza”) e sua filha Erika, também escritora e piloto de rali. A bordo de um buick preto, eles navegam por uma Alemanha em ruínas, acompanhando o retorno de Mann a sua pátria após se exilar nos Estados Unidos por mais de uma década.

“Fatherland” tem no elenco Sandra Huller, que em sua última participação esteve em dois dos filmes mais premiados no festival na mesma edição — simplesmente a Palma de Ouro (“Anatomia de uma queda”) e o vencedor do Grand Prix (“Zona de interesse”). O diretor polonês, no entanto, não fica atrás de sua estrela, seus projetos são constantemente debatidos e celebrados na Croissette. Além disso, a parceria com o festival marcou sua descoberta internacional como artista e a consolidação de seu trabalho com “Guerra Fria”, que lhe rendeu o prêmio de melhor direção em Cannes e duas indicações ao Oscar.

‘Minotaure’, de Andrey Zvyagintsev

Zvyagintsev é um diretor que traz tramas densas e pessimistas, seja no núcleo familiar ou na esfera pública. Ele já recebeu prêmios importantes no festival francês como roteiro e prêmio do júri, por “Leviatã” e “Loveless”, respectivamente; nos dois casos, o diretor chegou a concorrer ao Oscar de filme internacional.

Após oito anos, um exílio na França e uma recuperação longa da Covid 19, o diretor russo volta a Cannes com um projeto que combina fábula política, thriller policial e o clássico drama. Elementos reunidos para contar a história de um empresário que enfrenta a decisão de despedir seus funcionários enquanto descobre a infidelidade de sua esposa. O colapso em sua vida o leva a abraçar a violência. Podemos esperar um filme visceral, com forte crítica política e moral.

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O Cine Set estará presente para ficar de olho em todos esses filmes e você está convidado a embarcar conosco nessa aventura