O drama O Sentido da Vida (Soudain), do cineasta japonês Ryūsuke Hamaguchi (Drive My Car), é um dos grandes destaques do 17º Festival de Cinema Francês do Brasil, que começa nesta quinta-feira (29) e segue até 11 de novembro, com sessões em cinemas de mais de 50 cidades brasileiras. Premiado no Festival de Cannes de 2026 pelas atuações de Virginie Efira e Tao Okamoto, o longa também foi escolhido pelo Japão para representar o país na disputa pelo Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional.
A produção chega ao festival cercada de expectativa por sua trajetória internacional e pelas perspectivas de reconhecimento na próxima temporada de premiações. Além da disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional, o filme é apontado como possível concorrente em categorias como Melhor Filme, Direção, Atriz, Atriz Coadjuvante e Roteiro Adaptado.
Em O Sentido da Vida, Marie-Lou Fontaine (Virginie Efira) dirige uma instituição para idosos nos arredores de Paris e tenta implementar uma abordagem de cuidado baseada na escuta e na dignidade dos residentes. Sua rotina passa por uma transformação após conhecer Mari Morisaki (Tao Okamoto), uma diretora de teatro japonesa que enfrenta um câncer. A amizade entre as duas mulheres dá origem a uma história sobre empatia, relações humanas e a busca por novas possibilidades diante das adversidades.
Com 196 minutos de duração, o longa concorreu à Palma de Ouro em Cannes e recebeu o prêmio de interpretação feminina para suas duas protagonistas. A produção é distribuída no Brasil pela Vitrine Filmes e marca mais um trabalho internacional de Hamaguchi, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional com Drive My Car, em 2022.
De grandes produções históricas a comédias e dramas contemporâneos
Além de O Sentido da Vida, a programação do festival reúne 21 títulos, sendo 19 filmes recentes e inéditos no Brasil e dois clássicos que marcaram a história do cinema francês. A seleção percorre diferentes gêneros e temas, com produções que passaram por festivais internacionais, conquistaram reconhecimento da crítica e alcançaram expressivos resultados de público.
Entre os destaques está De Gaulle: A França Livre (La Bataille De Gaulle), díptico dirigido por Antonin Baudry que já ultrapassou cinco milhões de espectadores na França. Exibido fora de competição em Cannes, o projeto acompanha o general Charles de Gaulle em junho de 1940, durante a ocupação nazista, quando decide partir para Londres para liderar a resistência francesa. A produção tem no elenco Simon Abkarian, Simon Russell Beale e Florian Lesieur, além da participação de Benoît Magimel.
Outra atração é O Beijo Elétrico (La Vénus électrique), de Pierre Salvadori, comédia romântica que abriu o Festival de Cannes de 2026. Ambientado em Paris, em 1928, o filme acompanha um pintor que, após a morte da esposa, procura uma vidente para tentar entrar em contato com ela. O que ele não sabe é que a suposta médium é uma artista de circo envolvida em uma farsa. Estrelado por Pio Marmaï, Anaïs Demoustier e Gilles Lellouche, o longa ultrapassou 600 mil espectadores na França.
O cinema e seus bastidores também estão no centro de A Ilustre Desconhecida (Ni vue ni connue), de Marc Fitoussi. Protagonizada por Isabelle Huppert e Sandrine Kiberlain, a comédia acompanha Corinne Maclou, uma figurante que sonha em conquistar um papel de destaque e acredita encontrar uma oportunidade ao se aproximar de uma atriz famosa. O filme abriu o Festival de Cinema Francófono de Angoulême e encerrou o Festival de Locarno, em agosto.
Já o thriller político Júpiter (Jupiter), de Alexandre Smia, apresenta uma crise internacional com potencial de desencadear uma escalada nuclear. Protagonizado por Denis Ménochet, André Dussollier e Reda Kateb, o longa foi exibido fora de competição no Festival de Veneza de 2026 e leva o público aos bastidores de uma estrutura estratégica do poder francês.
Relações humanas e questões sociais
A programação também reúne histórias sobre relações familiares, recomeços e transformação pessoal. Em O Que é o Amor? (C’est quoi l’amour?), de Fabien Gorgeart, um ex-casal viaja a Roma acompanhado dos filhos e dos novos cônjuges para tentar anular o casamento religioso anterior. Estrelado por Laure Calamy e Vincent Macaigne, o longa venceu o Grande Prêmio do Festival Internacional de Cinema de Comédia de l’Alpe d’Huez de 2026, onde Calamy também foi premiada por sua atuação.
Em Compostela, o Caminho da Terapia (Compostelle), de Yann Samuell, um homem e um adolescente em crise partem em uma peregrinação a Santiago de Compostela. Durante o percurso, os dois compartilham experiências e constroem uma relação de confiança. A produção ultrapassou 800 mil espectadores na França.
A busca por liberdade está no centro de Minha Vida de Sereia (Miss Mermaid), de Pauline Brunner e Marion Verlé. Na comédia dramática, uma mulher recém-divorciada começa a questionar suas escolhas após conhecer uma sereia profissional que passa pela região onde mora.
Entre os títulos que abordam questões sociais está A Casa das Mulheres (La maison des femmes), de Mélisa Godet. O drama acompanha uma equipe dedicada ao acolhimento de mulheres vítimas de violência e à reconstrução de suas vidas, destacando a importância da solidariedade, da escuta e do trabalho coletivo. O filme já foi visto por mais de 500 mil espectadores na França.
A programação inclui ainda O Canto da Floresta (Le Chant des Forêts), documentário de Vincent Munier que venceu dois prêmios César em 2026, nas categorias de Melhor Documentário e Melhor Som. O longa acompanha o diretor, seu pai e seu filho em uma imersão nas florestas dos Vosges, região francesa onde Munier nasceu e desenvolveu seu interesse pela natureza e pela fotografia de vida selvagem. A produção foi vista por mais de 1,3 milhão de espectadores nos cinemas franceses.
Clássicos do cinema francês completam a programação
Dois títulos históricos integram a seleção deste ano. A Grande Escapada (La Grande Vadrouille), de Gérard Oury, completa 60 anos de lançamento e permanece como uma das comédias mais populares do cinema francês. Estrelado por Bourvil, Louis de Funès e Claudio Brook, o filme acompanha dois civis franceses que ajudam pilotos britânicos a escapar da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. A produção alcançou mais de 17 milhões de espectadores na França e mais de 60 milhões em todo o mundo.
O outro clássico é a animação O Rei e o Pássaro (Le Roi et L’Oiseau), de Paul Grimault, que comemora 80 anos. Inspirado em um conto de Hans Christian Andersen, o filme foi desenvolvido a partir da parceria entre o diretor e o poeta Jacques Prévert. Com humor, poesia e reflexões filosóficas, a obra permanece como referência da animação francesa e também integra o programa educativo do festival, com sessões destinadas a estudantes da rede pública.
Entre as demais atrações estão A Busca de Charlie (Les matins merveilleux), primeiro longa-metragem de Avril Besson, selecionado para Cannes; Bem-vindos à La Comédie-Française (De la Comédie-Française), comédia premiada no Festival de l’Alpe d’Huez; Victor, como Hugo (Victor comme tout le monde), de Pascal Bonitzer; Molière, Cyrano e o Pequeno Rei (Les caprices de l’enfant roi), de Michel Leclerc; e O Fantasma da Ópera (Le Fantôme de l’Opéra), de Alexandre Castagnetti.
A programação inclui ainda o curta-metragem Duas Pessoas Trocando Saliva (Deux personnes échangeant de la salive), de Natalie Musteata e Alexandre Singh, vencedor do Oscar 2026 de Melhor Curta-Metragem em Live Action. Ambientada em uma sociedade repressiva na qual o beijo é proibido e punido com a morte, a obra aborda desejo, vigilância e normas sociais.
Ao longo de suas edições, o Festival de Cinema Francês do Brasil já alcançou mais de 2,5 milhões de espectadores e se consolidou como o principal evento nacional dedicado à cinematografia francesa. A edição de 2026 apresenta um panorama diversificado da produção do país, combinando estreias, filmes premiados, sucessos de bilheteria e obras clássicas em uma programação destinada a diferentes públicos.
Serviço
17º Festival de Cinema Francês do Brasil
Data: 29 de outubro a 11 de novembro de 2026
Programação: 21 filmes, entre produções recentes e clássicos
Local: cinemas de mais de 50 cidades brasileiras
Programação completa e sessões: festivalcinefrances.com.br
com informações de assessoria











