Nenhuma novidade no Oscar 2025 de Melhor Ator Coadjuvante: deu Kieran Culkin, por “A Verdadeira Dor”.
Neste novo vídeo do Cine Set aqui no YouTube, eu falo dos motivos que levaram ao resultado mais previsível da noite.
MOTIVO 1: FILME QUERIDO PELA ACADEMIA
O primeiro motivo para a conquista de Kieran Culkin está no fato de “A Verdadeira Dor” ser um filme bastante querido por certas alas da Academia.
A produção da Searchlight Pictures surpreendeu por ter sido esnobada em Melhor Filme – a vaga que seria dele ficou para “Ainda Estou Aqui”, graças a Deus.
Mesmo assim, o drama de Jesse Eisenberg não desapareceu ao longo da temporada a ponto de não só ver Kieran Culkin dominar a categoria de Ator Coadjuvante, mas também vencer Roteiro Original no Bafta.
A temática sobre o Holocausto sempre chama a atenção da Academia e, somado aos diálogos rápidos de dois atores talentosos, trouxe muitos para o seu lado.
MOTIVO 2: CONCORRÊNCIA FRÁGIL
Kieran não enfrentou uma concorrência tão pesada assim: Jeremy Strong não parecia ter chances reais de ganhar, enquanto a esnobada ao Guy Pearce no SAG foi fatal para qualquer pretensão de vitória no Oscar.
Yura Borisov não aproveitou o embalo de “Anora” e teve que se contentar com a primeira indicação da carreira.
Já Edward Norton foi cogitado como a possível ameaça, mas não emplacou a narrativa de que chegou a hora de finalmente vencer na Academia. Novamente ficou pelo caminho.
MOTIVO 3: GRANDE FASE DA CARREIRA
Kieran Culkin também se aproveitou do grande momento que está vivendo na carreira.
Ele está no mundo do cinema desde garoto, com “Esqueceram de Mim” e “O Pai da Noiva”, mas deu a virada definitiva como o Roman Roy de “Succession”.
Depois de ganhar todos os prêmios possíveis na TV, agora ele retorna em grande estilo aos cinemas, em um papel que demorou demais para surgir.
É aquele caso de um ator querido pelos seus pares, e bastava uma fagulha para ele brilhar. E isso aconteceu com “A Verdadeira Dor”.
MOTIVO 4: PERSONAGENS CATIVANTES E DOBRADINHA COM JESSE EISENBERG
Tem quem diga que Kieran está interpretando uma versão dele mesmo. Pode até ser, como mostram os discursos caóticos desta temporada, mas Benji Kaplan vai além. Há uma vulnerabilidade tão grande e bem explorada pelo ator, misturando carisma, angústia, culpa e tantos sentimentos difíceis de organizar, que Kieran simplesmente deixa tudo fluir. Por isso, cativa tanto o espectador, ficando impossível não se sentir tocado em algum momento.
Passa longe de ser o meu favorito da categoria – sou muito mais o Jeremy Strong e o Yura Borisov – e acho “A Verdadeira Dor” um filme bastante ruim. Mas não consigo olhar para Kieran Culkin e dizer que sua vitória foi absurda. É o charme dele, de ser um maluco que parece gente boa demais? Talvez sim. A racionalidade nem sempre explica as nossas preferências.
















O ator é simplesmente excelente. E o Oscar foi bem merecido. Ainda bem que não dependeu da sua opinião.