De “Divertida Mente 2” a “Robô Selvagem”, Caio Pimenta aponta os favoritos para a disputa do Oscar 2025 de Melhor Animação.
CORRE POR FORA
Vencedora em 2023 com “Pinóquio”, a Netflix está em dificuldades nesta temporada.
As apostas norte-americanas do streaming estão longe de animar: “Orion e o Escuro” estreou em fevereiro sem maior destaque, assim como “Ultraman Rising”, que chegou em junho. Já “That Christmas” busca a vibe natalina para crescer, mas o problema é a semelhança temática com “Klaus”, também do estúdio, que quase venceu a categoria há cinco edições.
Os dois primeiros filmes de “Kung Fu Panda” chegaram ao Oscar, mas o terceiro ficou para trás. A tendência é que isso se repita com o quarto filme, refletindo a queda da franquia, que já deixou de ser interessante há muito tempo. Já “Garfield” continua com seus longas fracos e desinteressantes, e somente um milagre o colocaria entre os finalistas.
Dirigido por Michel Hazanavicius, ganhador do Oscar por “O Artista”, “The Most Precious Of Cargoes” concorreu à Palma de Ouro do Festival de Cannes 2024 e saiu de lá esquecido. Nem mesmo a temática do Holocausto deve fazê-lo reaparecer. Também da Europa chega “Sauvages”, uma animação da Suíça, Bélgica e França, que se agarra à temática da mudança climática para ter uma mísera chance na categoria.
PODE SURPREENDER
Subindo para o time que pode surpreender e ficar entre os finalistas, temos “Transformers: O Início”.
Atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros, a animação conseguiu maior êxito do que as criticadas live-actions. Tanto a imprensa especializada quanto os fãs gostaram bastante, considerando-a surpreendente. Embora haja resistência a Transformers, se a safra não for das melhores, pode aparecer, especialmente com o investimento da Paramount Pictures.
Se Peter Jackson e sua empresa Weta mostraram força nas animações com o fraco “War is Over!”, ganhando o Oscar de curta-metragem, imagina o que esperar com o retorno de “O Senhor dos Anéis”? “A Guerra dos Rohirrim” está sendo guardado a sete chaves e pode mudar a configuração da categoria. A grande novidade fica por conta da aposta no anime, com Kenji Kamiyama na direção.
Vale lembrar que o atual ganhador da categoria é do Japão: “O Menino e a Garça”, do mestre Hayao Miyazaki. Os dois próximos candidatos com chances de serem surpresas, aliás, também são fora dos EUA.
“Chicken for Linda” é a chance da França voltar à categoria; a última vez foi com “Perdi Meu Corpo” no Oscar 2020 – isso, claro, sem levar em consideração a coprodução Espanha-França de “Meu Amigo Robô”. A história de uma mãe tentando se redimir com a filha após uma pesada bronca com um prato que ela não sabe fazer venceu o César de Melhor Animação e também apareceu no Festival de Annecy.
Se nos EUA a Netflix está sem futuro, a plataforma se une aos britânicos em mais um filme da dupla Wallace & Gromit. A série ganhou a categoria em 2006, sendo a primeira animação em stop-motion a vencer o prêmio. No ano passado, porém, a continuação de “A Fuga das Galinhas” decepcionou e ficou pelo caminho sem indicação. O risco é a história se repetir.
GRANDES CHANCES
A partir de agora, os candidatos com grandes chances de indicações. Para mim, o trio briga por duas vagas.
“Piece by Piece” é um salto nas animações Lego, afinal, trata-se da cinebiografia do cantor e músico Pharrell Williams. A ousadia é tanta que a produção está sendo cotada também para Melhor Documentário. Pode ser uma forma da Academia se redimir após tantas esnobadas aos filmes Lego.
Após 15 anos do excelente “Mary e Max”, Adam Elliot retorna à direção de longas com “Memórias de um Caracol”. O estilo melancólico da narrativa e o soturno design de animação permanecem em uma obra elogiada pela crítica na Mostra de São Paulo e premiada no Festival de Londres. Chega com potencial para ser o candidato das animações mais adultas.
Já o maior candidato da Europa na categoria vem da pequena Letônia. “Flow” virou sensação nos festivais do Velho Continente, a ponto de passar na Mostra Um Certo Olhar de Cannes e ganhar quatro prêmios em Annecy. Além de Melhor Animação, sonha também com Filme Internacional.
QUASE LÁ
O próximo candidato somente não está confirmado por prudência. Tudo leva a crer que certamente estará entre os cinco finalistas.
“Moana 2” está quase garantido para o Oscar 2025. Somente se for um fracasso absoluto do nível de “Coringa: Delírio a Dois” para a sequência ficar de fora. Como é muito improvável que isso ocorra, acredito que deve se posicionar para brigar pela estatueta, especialmente pelo fato de o original ter sido derrotado por “Zootopia”.
VAGAS GARANTIDAS
Neste momento, dois filmes estão não apenas garantidos, mas brigam palmo a palmo pela vitória no Oscar.
Dizer que “Divertida Mente 2” salvou os cinemas mundiais não é exagero algum. Em um período de marasmo nas salas, o blockbuster da Pixar arrastou multidões como não se via desde “Barbieheimer”. Com a credencial de provável maior bilheteira do ano, a continuação ainda pode se valer do carinho da Academia com os personagens e o universo da história. O primeiro filme ganhou a categoria sem maiores dificuldades em 2016 e pode repetir o feito agora.
Seria, inclusive, uma boa maneira de devolver o posto de rei da categoria para a Disney. Por outro lado, “Divertida Mente 2” não convenceu tanto a crítica, que considerou a obra mais do mesmo do original, exceto pela Ansiedade, que rouba a cena. Se a Academia concordar com esse diagnóstico, há um candidato para roubar esse favoritismo.
“Robô Selvagem” estreou cercado de elogios da crítica e, se não explodiu comercialmente como “Divertida Mente 2”, está mantendo uma boa média de público ao redor do planeta. No meio de duas continuações, ele pode ser o candidato original que a indústria tanto preza. Além disso, seria uma forma de voltar a premiar a DreamWorks Animation: o estúdio não vence a categoria desde “Wallace & Gromit”, o maior jejum entre os grandes do setor.
SE AS INDICAÇÕES AO OSCAR FOSSE HOJE, OS FINALISTAS SERIAM:
- Divertida Mente 2;
- Robô Selvagem;
- Moana 2;
- Flow;
- Memórias de um Caracol.























