A corrida de Melhor Ator traz um favorito: Ralph Fiennes surge nas bolsas de apostas e na imprensa especializada como o principal nome para levar a categoria no Oscar 2025.  

E há sim bons motivos para o ator britânico acreditar que a vez dele possa ter chegado. Neste novo vídeo do Cine Set, Caio Pimenta apresenta os motivos para este favoritismo. 

CARREIRA CONSAGRADA

Seis razões colocam o favoritismo nas mãos do Ralph Fiennes. O primeiro deles está no momento da carreira do astro. 

Poucas são os atores que conseguem chegar à quinta década de carreira em tão boa forma como ele. Depois do grande momento nos anos 1990 com “A Lista de Schindler”, “Quiz Show” e “O Paciente Inglês”, o britânico chegou no novo século com o excelente “O Jardineiro Fiel” e fazendo um ícone da cultura pop com Lorde Voldemort de “Harry Potter”. No meio disso, realizou uma elogiada adaptação shakesperiana com “Coriolano” e o premiado “O Grande Hotel Budapeste”, enquanto entrava no universo de James Bond. Se “O Menu” apontava Ralph Fiennes novamente em alta, “Conclave” consolida esta sensação.  

Chama a atenção aquilo que muito se respeita na indústria de um ator capaz de fazer blockbusters como também obras com nomes dos mais respeitados do cinema mundial. Isso sempre mantendo a qualidade. O drama do Edward Berger aparece como a oportunidade ideal de consagrar toda esta trajetória até mesmo levando em conta a idade dele – 61 anos. Infelizmente, papeis de protagonista como “Conclave” não surge mais todo dia para a faixa etária dele. 

BAIXA PARTICIPAÇÃO NO OSCAR

O segundo ponto a favor de Fiennes é a tímida trajetória dele no Oscar. A primeira indicação veio em “A Lista de Schindler” ao fazer o insano oficial nazista Amon Goeth. Havia grandes chances de vitória até pelo domínio do filme na temporada, mas, a estatueta foi parar nas mãos do Tommy Lee Jones, de “O Fugitivo”. Três anos depois, lá estava o britânico chegando com o favorito “O Paciente Inglês” – desta vez, em Melhor Ator. De novo, Fiennes se deu mal e perdeu para o Geoffrey Rush.  

E foi só. Nem mesmo quando esteve excelente em “O Jardineiro Fiel” e “O Grande Hotel Budapeste” ele concorreu. Por isso, há uma sensação de que o hiato de duas décadas e meia sem indicação e não ter vencido até hoje parece absurdo demais, algo para a Academia solucionar em 2025. 

 MAIOR CHANCE DE CONCLAVE

Melhor Ator, até o momento, surge como a maior chance de vitória de “Conclave” nas categorias principais do Oscar 2025 ao lado de Roteiro Adaptado. Ainda que a corrida de Melhor Filme esteja bastante incerta, o favoritismo ali aponta para “Anora” e “O Brutalista”. O longa do Edward Berger divide o status de terceira força com “Emilia Pérez”. Também há dificuldades em Direção, Atriz e Ator Coadjuvante.   

A tendência é que a Focus Features jogue todas as fichas aqui e faça uma campanha pesada para que o Ralph Fiennes seja o grande vencedor. E estrategicamente seria uma conquista capaz de alavancar “Conclave” para Melhor Filme. 

 CAMINHO ATÉ O OSCAR

O desenrolar da temporada de premiações pode ser muito bom para o Ralph Fiennes. Dois dos principais rivais dele em Melhor Ator – Adrien Brody e Colman Domingo – estão indicados a Melhor Atuação do ano no Gotham Awards, previsto para o dia 2 de dezembro. Ali, entretanto, vejo uma grande possibilidade da Mike Madison, de “Anora”, sair consagrada. Cinco dias depois é a vez do European Film Awards, onde o britânico é favorito para levar Melhor Ator.   

Também o considero com excelentes chances de ganhar tanto no Globo de Ouro, Critics Choice, SAG e, especialmente, no Bafta, onde ganhou apenas por “Schindler” há 30 anos. Não duvido de uma temporada sossegada para ele a partir de um determinado momento. 

 RIVAIS SEM NARRATIVAS TÃO FORTES

Colman Domingo e Adrien Brody devem ser os maiores rivais de Fiennes rumo ao Oscar. Se o astro de “Conclave” terá a Focus Features mobilizada para ele, o mesmo não dá para dizer para os colegas. Afinal, “Sing Sing” e “O Brutalista” são da A24, o que exigirá ou uma escolha de Sofia ou uma campanha dividida até o fim, algo que pode ser um complicador grande. 

Por fim, não vejo rivais com narrativas tão fortes assim para conquistarem o Oscar deste ano. 

O Adrien Brody, por exemplo, pode até tentar emplacar uma narrativa de comeback com “O Brutalista” após uma série de trabalhos abaixo, mas, bem longe do que vimos dois anos atrás com o Brendan Fraser. Já o Colman Domingo traz a generosidade de atuar com não-atores em “Sing Sing” e ser um dos nomes em ascensão dentro da cultura norte-americana na atualidade, mas, acho que a segunda indicação consecutiva já seria suficiente para demonstrar o prestígio dele perante a Academia. 

 

Há ainda o Timothée Chalamet se beneficiando de fazer um gigante da cultura dos EUA, algo sempre bem-visto pelos votantes, e um dos atores jovens mais fortes do momento em Hollywood. Para tanto, o novaiorquino teria que bater um recorde e ser tornar o mais jovem ganhador da história de Melhor Ator – a marca pertence a Adrien Brody, vencedor em 2002 por “O Pianista”.   

A estrela de “Um Completo Desconhecido” estaria mesma idade, porém, meses mais jovem. Aí bate uma questão da Academia preferir aqui astros consagrados ou, pelo menos, com uma larga trajetória na indústria, algo bem diferente do visto em Melhor Atriz. Fora que seria apenas a segunda indicação dele ao Oscar. A visão de que vai ganhar a estatueta mais cedo ou mais tarde, enquanto não há a tal certeza para o Fiennes tende a ser decisiva para o astro de “Conclave”.