As corridas das categorias de atuação coadjuvantes vão ser das mais imprevisíveis desta temporada de premiações. Afinal, os precursores do Oscar bagunçaram tudo. 

Se o Critics Choice, ficou com Amy Madigan e Jacob Elordi, o Globo de Ouro optou por Teyana Taylor e Stellan Skarsgard. Já o Bafta consagrou Wunmi Mosaku e Sean Penn. 

Caio Pimenta aborda a disputa acirrada do Oscar 2026 nas categorias de Melhor Ator e Atriz Coadjuvante.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Vou começar por Atriz Coadjuvante. Ali, as duas estrelas de “Valor Sentimental” parecem correr por fora. 

O desempenho frustrante do candidato norueguês no Bafta colocou água no chope de Elle Fanning e Inga Ibsdotter Lilleas. Esperava-se que os britânicos dessem mais apoio a “Valor Sentimental”, indicado em oito categorias, mas, vencedor apenas de Melhor Filme Internacional. Era a chance das duas conseguirem vencer em Atriz Coadjuvante e se posicionar forte na corrida. Não deu. 

Para piorar, Inga e Elle ficaram de fora do Actors Awards. Logo, precisam fazer algo que Marcia Gay Harden realizou com “Pollack” para vencerem o Oscar. Bem improvável. 

A Amy Madigan traz como ponto forte ser a atuação mais inusitada da categoria. Remetendo ao trabalho clássico de Ruth Gordon, vencedora da categoria por “O Bebê de Rosemary”, o destaque de “A Hora do Mal” joga na excentricidade dos gestos e visual. A longa trajetória na indústria também a favorece contra duas atrizes atingindo o ápice da carreira somente agora. Vale destacar a recente sessão promovida por Sally Field cheio de famosos para homenagear a atriz. 

O problema para a Madigan é que “A Hora do Mal” não tem a mesma visibilidade de “Uma Batalha Após a Outra” e “Pecadores”, os dois maiores filmes da temporada. A concorrência interna dentro da Warner pode desfavorecê-la, fora que o terror do Zach Cregger é mais pesado e menos palatável para o público médio da Academia do que a obra do Ryan Coogler. 

Wunmi Mosaku mostra resiliência ao longo de toda temporada. Venceu o Gotham, parecia forte, mas, foi tombada pela esnobada no Globo de Ouro. Recuperou-se e emplacou indicações ao Actors Awards, Bafta e Oscar. O crescimento após o prêmio britânico acontece na hora certa e pode se aproveitar do momento também muito bom de “Pecadores”.  

Aliás, esta pode ser a única vitória do terror do Ryan Coogler nas atuações individuais. Seria até uma forma de manter a coerência pelo fato de “Pecadores” ser o grande favorito em Seleção de Elenco.  

Igual Mosaku para “Pecadores”, Teyana Taylor pode ser a única vitória de “Uma Batalha Após a Outra” nas atuações. Seria uma premiação típica da Academia em consagrar novos talentos do cinema – apesar da longa carreira na música, ela somente começou a ser levada a sério como atriz em “Mil e Um”, de 2023. Fora que o impacto dela na história do drama de Paul Thomas Anderson permeia todas as decisões centrais dos demais personagens.  

Esperava que a Teyana Taylor dominasse a categoria de ponta a ponta. Uma hipótese para isso não ter acontecido pode ser o fato da personagem dela sumir de cena nos primeiros 50 minutos de “Uma Batalha Após a Outra” de uma obra de 2h30. Situação diferente das demais concorrentes que estão durante todo o tempo em suas respectivas produções. 

Ainda assim, considero Teyana favorita com a Mosaku muito próxima. 

Melhor Atriz Coadjuvante 

  • Teyana Taylor (Favorita)
  • Wunmi Mosaku (Pode Ganhar)
  • Amy Madigan (Surpresa)
  • Inga Ibbsdotter Lilleas (Corre por Fora)
  • Elle Fanning (Corre por Fora)

 MELHOR ATOR COADJUVANTE

Já entre os homens, todo mundo está com chances de vitória. 

Delroy Lindo parece quietinho e sem grandes chances após esnobadas no Actors Awards e Bafta. A força de “Pecadores” na temporada com especial destaque ao elenco, porém, criam um cenário muito favorável. Fora que o veterano está em sua primeira indicação aos 73 anos de idade, logo, pode não haver outra oportunidade melhor do que esta para consagrá-lo.  

Se Wunmi Mosaku não vencer em Atriz Coadjuvante, a Academia pode encontrar uma maneira de prestigiar “Pecadores” através de Delroy Lindo. Ainda assim, hoje chega como azarão da corrida. 

Falando de veteranos na primeira indicação, tem Stellan Skarsgard. A derrota no Bafta esfriou bastante a possibilidade de conquista do sueco. O evento britânico era a grande janela dele na temporada visto que foi esnobado no Actors Awards. Ser um ator querido da indústria e que trabalhou com tantos nomes na Academia ao longo de décadas, nos mais diversos filmes, pode criar uma simpatia ao redor dele. 

Apesar disso, Skarsgard, assim como “Valor Sentimental”, parecem em uma fase longe da consagração que se imaginava. O drama norueguês não chegou a explodir em nenhum momento, sendo incapaz de criar uma narrativa favorável para o intérprete de Gustav Borg. Ficou bem difícil para o sueco. 

Jacob Elordi busca repetir de jovens atores premiados na categoria como Daniel Kaluuya, Heath Ledger e Cuba Golding Jr. O astro é um dos nomes principais da nova geração com trabalhos ao lado de nomes importantes da indústria. A indicação ao Oscar solidifica este processo, especialmente, ao humanizar uma figura clássica e assustadora. Aliás, “Frankenstein” cresce muito justamente quando Guillermo del Toro mira o foco da narrativa no personagem.  

O problema é que a Academia costuma prestigiar astros mais veteranos nas atuações masculinas em comparação com os prêmios femininos. Sempre há aquela sensação de que é preciso dar mais tempo e mais indicações para que, finalmente, seja consagrado com um Oscar. “Frankenstein” também não parece ter força suficiente para duelar contra “Uma Batalha Após a Outra”, “Pecadores” e até “Valor Sentimental” nas categorias principais; a tendência é que a fantasia da Netflix se contente mesmo com as áreas técnicas. 

No duelo dentro de “Uma Batalha Após a Outra”, Sean Penn passou na frente de Benicio Del Toro. O intérprete de Sensei não conseguiu consolidar o carinho da cinefilia ao longo da temporada e não venceu absolutamente nada até agora. Já o vilão parecia sem chances, mas, o Bafta modificou tudo ao consagrá-lo pela primeira vez. 

Será interessante observar qual será o raciocínio da Academia nesta situação: Sean Penn é um personagem central de “Uma Batalha Após a Outra” e está do início ao fim da trama, enquanto Benicio del Toro faz uma participação mais pontual, ainda que importante. Logo, fica a dúvida: se prestigia aquele com mais tempo de cena ou o que rouba a cena? Afinal, cada um a seu modo, está muito bem. 

O histórico no Oscar pode pesar também: Sean Penn possui duas estatuetas conquistadas em um passado não muito distante. Uma terceira vitória o colocaria no mesmo patamar, por exemplo, de Daniel Day-Lewis e Jack Nicholson. Seria uma marca muito pesada e merecida para um astro que, pode sim ser controverso, mas, inegavelmente um gigante da atuação. Já Del Toro passaria para a segunda conquista em Melhor Ator Coadjuvante; venceu anteriormente por “Traffic”.   

Ou por que não premiar alguém diferente?  

Delroy Lindo e Stellan Skarsgard seriam ótimas opções até como homenagem, enquanto Jacob Elordi aponta para o futuro da indústria.  

Caberá ao Actors Awards sinalizar algo mais concreto neste domingo. Ou bagunçar tudo definitivamente. 

Melhor Ator Coadjuvante  

  • Sean Penn (Favorito)
  • Benicio del Toro (Grandes Chances)
  • Jacob Elordi (Pode Chegar)
  • Stellan Skarsgard (Pode Chegar)
  • Delroy Lindo (Corre por Fora)