A terceira parte dos candidatos ao Oscar 2027 traz os novos filmes de Margot Robbie, Mark Ruffalo e a produção que pode render a tão sonhada estatueta de Melhor Ator para Tom Cruise.
‘PRIMA FACIE’: A CHANCE DE CYNTHIA ERIVO?
Cynthia Erivo imaginou que pudesse se juntar a Halle Berry como as únicas intérpretes negras a vencerem Melhor Atriz com “Wicked”. O fracasso da segunda parte, porém, fez o sonho virar pesadelo, com uma esnobada.
Para o Oscar 2027, a estrela aposta na adaptação de um sucesso teatral para ganhar a estatueta. Em “Prima Facie”, ela interpreta uma advogada brilhante, de origem humilde. Certa noite, ela acaba sendo estuprada por um colega de trabalho e, infelizmente, descobre como o sistema judicial é feito para proteger os homens.
A direção fica por conta de Susanna White, enquanto o roteiro é de Suzie Miller, a própria autora da peça. O grande desafio de “Prima Facie” é ter identidade própria e não virar uma cópia do material original. Se não conseguir, a comparação sempre jogará contra. Se der certo, chega muito forte para a temporada de premiações.
‘BEHEMOTH!’: PASCAL NA MÚSICA
Depois de um período em baixa nos cinemas, Tony Gilroy retorna fortalecido pelo sucesso de “Andor”, série derivada de “Star Wars”. Neste ano, ele lança “Behemoth!”, uma produção bem diferente dos suspenses típicos de sua carreira, como “Conduta de Risco”, “Intrigas de Estado” e da ação de “Rogue One”.
O drama ainda não teve a sinopse oficial divulgada, mas a imprensa americana informa que se trata da história de um violoncelista, abordando a paixão dele e de sua família pela música. Pedro Pascal será o protagonista de um elenco que ainda conta com Olivia Wilde e Will Arnett.
O projeto é da Searchlight Pictures. Vale ficar de olho, mas, a princípio, parece daquelas produções que ficam no meio do caminho ao longo da temporada.
‘A Luta de Judy Heumann’: DIRETORA DE CODA EM NOVO FILME INCLUSIVO
Sian Heder está de volta após vencer o Oscar de Melhor Filme por “Coda”. Desta vez, ela chega com “A Luta de Judy Heumann”. A trama se concentra nos 28 dias de um protesto marcante liderado pela ativista nos anos 1970. O objetivo era garantir leis de acessibilidade e direitos iguais para pessoas com deficiência.
Assim como em “Coda”, que contou com um elenco de atores surdos — incluindo Troy Kotsur, vencedor de Melhor Ator Coadjuvante —, a protagonista deste novo filme é Ruth Madeley, uma atriz cadeirante. Ela lidera o elenco formado por nomes conhecidos como Mark Ruffalo, Dylan O’Brien e Ray Fisher.
Tenho sinceras dúvidas se Sian Heder fará o raio cair duas vezes no mesmo lugar, ainda que Ruth Madeley seja um nome forte para chamar atenção em Melhor Atriz. De qualquer maneira, é interessante ver esse olhar da diretora para causas que o cinema muitas vezes deixa em segundo plano, resultando em obras mais inclusivas.
‘O MORRO DOS VENTOS UIVANTES’: SOMENTE ÁREAS TÉCNICAS
“O Morro dos Ventos Uivantes” rendeu mais polêmica com as escalações dos atores do que necessariamente pelo filme em si. O comedimento de Emerald Fennell nas cenas de sexo frustrou quem esperava uma produção mais ousada. Apesar de lindos, Margot Robbie e Jacob Elordi não empolgaram tanto quanto poderiam como par romântico.
Ainda assim, o romance da Warner deve aparecer no Oscar nas categorias técnicas. A exuberância dos figurinos, design de produção e fotografia coloca “O Morro dos Ventos Uivantes” não apenas no rumo das indicações como também com possibilidades de vitória. Também não descarto possibilidades em Melhor Canção Original e Trilha Sonora.
Historicamente, é comum filmes fora das categorias principais acumularem indicações nas áreas técnicas. “Blade Runner 2049” e “Interestelar” são exemplos recentes. “O Morro dos Ventos Uivantes” tem amplas condições de se juntar a eles.
‘MADDEN’: COMO SUPERAR AS POLÊMICAS DE RUSSELL?
Tempos atrás, um filme de David O. Russell faria os olhos da Academia brilharem. As polêmicas envolvendo o diretor, porém, o tornaram persona non grata para grande parte do público e da crítica.
Com isso, “Madden” já parte prejudicado na temporada de premiações. O projeto da Amazon MGM Studios traz a história de John Madden, lendário treinador, comentarista e nome ligado aos games da NFL.
Tratar sobre o esporte favorito dos norte-americanos, somado à transformação visual de Nicolas Cage e Christian Bale — protagonistas do filme —, pode até ajudar, mas corre o risco de não ser suficiente para superar todos os problemas relacionados a Russell. Corre por fora.
‘TONY’: BOURDAIN NOS CINEMAS
Ainda falando de nomes conhecidos da cultura pop, a história de Anthony Bourdain será levada às telas em “Tony”. Conhecido por “Os Rejeitados”, Dominic Sessa terá a missão de viver o chef de cozinha, jornalista e escritor. O elenco ainda conta com Antonio Banderas.
A direção fica por conta de Matt Johnson, que realizou recentemente “BlackBerry”. A produção será ambientada em 1976, época em que Bourdain trabalha na cidade de Provincetown, Massachusetts. Dois anos depois, ele entraria na faculdade de culinária, onde tudo mudaria. A A24 fará a distribuição de “Tony” nos EUA.
No momento, não há muitas informações sobre a produção — nem mesmo se ficará pronta para a temporada de premiações. Se tudo der certo, há sempre a possibilidade de entrar no radar da Academia, dada a tradição das cinebiografias no Oscar.
‘VERITY’: O NOVO ‘A EMPREGADA’?
Lembra que eu falei de Anne Hathaway como o grande nome de Hollywood em 2026 no último vídeo? Eis ela aqui de novo: a estrela protagoniza “Verity”. No suspense, ela interpreta a escritora de uma grande série de sucesso que sofre um misterioso acidente de carro e fica paralisada. Sem conseguir terminar o livro sozinha, o marido dela, vivido por Josh Hartnett, contrata uma jovem ghostwriter, interpretada por Dakota Johnson. A garota, entretanto, descobre um mundo muito mais complexo do que imaginava.
Diretor de “Os Olhos de Tammy Faye”, Michael Showalter comanda “Verity”. O longa é mais uma adaptação para o cinema de um romance de Colleen Hoover, autora de “É Assim que Acaba”, “Se Não Fosse Você” e “Uma Segunda Chance”.
Apesar do lançamento previsto para o segundo semestre, quando a temporada começa a esquentar, não coloco muita fé em “Verity”. Tem cara de ser aquele suspense típico de TV, no estilo de “A Empregada”. Pode até fazer sucesso comercial, mas não o suficiente para chegar ao Oscar.
‘JACK OF SPADES’: COEN NA BUSCA PELO OSCAR
Vencedor do Oscar por “Onde os Fracos Não Têm Vez”, Joel Coen estará novamente longe do irmão Ethan em “Jack of Spades”. O longa é um romance gótico de mistério ambientado na Escócia dos anos 1880. Josh O’Connor protagoniza um elenco que ainda traz Damien Lewis, Lesley Manville e Frances McDormand.
Sem o irmão, Joel Coen viu “A Tragédia de Macbeth” ser indicado a três Oscars, incluindo Melhor Ator para Denzel Washington. Há boas expectativas para o lançamento do novo projeto nos festivais do segundo semestre. Vale ficar de olho.
‘CRY TO HEAVEN’: A CONSOLIDAÇÃO DE TOM FORD?
Gigante da moda, Tom Ford lança seu terceiro longa em 2026. Depois de “Direito de Amar” e “Animais Noturnos”, o diretor prepara “Cry to Heaven”, adaptação do romance homônimo de Anne Rice, autora de “Entrevista com o Vampiro”. O drama se passa na Veneza do século XVIII, onde um nobre veneziano e um cantor castrato da Calábria tentam alcançar o sucesso no mundo da ópera.
Nicholas Hoult, Aaron Taylor-Johnson, Ciarán Hinds, George MacKay, Mark Strong, Colin Firth, Paul Bettany e Owen Cooper estão no elenco. A grande novidade é Adele, que fará sua estreia nos cinemas.
Conseguir reunir esse elenco é prova do prestígio de Tom Ford na indústria. Há uma sensação de que Hollywood deseja abraçar o diretor, mas ainda falta uma obra que una sua força estética a um maior impacto narrativo. Se “Cry to Heaven” conseguir isso, chega com grandes chances ao Oscar.
‘DIGGER’: A HORA DE TOM CRUISE
Por fim, “Digger”, novo filme de Alejandro González Iñárritu, vencedor de dois Oscars de Direção por “Birdman” e “O Regresso”, traz Tom Cruise como protagonista.
Apontado como uma espécie de “Dr. Fantástico” moderno, o longa acompanha o homem mais poderoso do mundo provocando um desastre e embarcando em uma missão para se provar como salvador da humanidade. Sandra Hüller, Riz Ahmed e John Goodman também estão no elenco.
“Digger” chega forte na temporada, com a missão de consagrar Tom Cruise, que não é indicado ao Oscar como ator desde “Magnólia”. A parceria com Iñárritu e a promessa de uma transformação marcante mostram a ambição do ator.
Para perder o Oscar 2027 de Melhor Ator, o filme teria que fracassar muito — ou surgir uma narrativa ainda mais irresistível ao longo da temporada. Hoje, parece improvável.





















