O Oscar 2027 começa a partir de agora aqui no Cine Set. Nas próximas semanas, vou trazer uma lista de filmes que podem aparecer na festa da Academia.
Nesta primeira parte, falo dos novos filmes de Christopher Nolan, James Gray, Javier Bardem e Penélope Cruz, Brad Pitt e muito mais.
Antes de começar, deixa eu esclarecer uma coisa: esta série não tem a pretensão de dizer quem será favorito ou indicado tão cedo. O objetivo é apenas apresentar os candidatos e, eventualmente, apontar razões que podem fortalecê-los ao longo da temporada.
‘A ODISSEIA’: A VOLTA DE CHRISTOPHER NOLAN
Para começar, temos o ganhador do Oscar 2024 querendo repetir o feito.
Após a consagração por “Oppenheimer”, Christopher Nolan dobra a aposta ao adaptar “A Odisseia”, de Homero. A proposta é fazer uma versão mais pé no chão, observando como lendas e mitos são interpretados pelas pessoas. As gravações aconteceram em sete países, entre Europa, África e Estados Unidos, com o filme sendo 100% rodado em IMAX 70mm. O orçamento é “modesto”: US$ 250 milhões.
Em busca do primeiro Oscar da carreira como ator, Matt Damon é o protagonista, enquanto o elenco ainda conta com Tom Holland, Anne Hathaway, Robert Pattinson, Zendaya, Charlize Theron, Lupita Nyong’o e muitas outras estrelas de Hollywood.
Tudo indica que “A Odisseia” será a mistura dos dois mundos de Nolan: o realismo ao abordar a fantasia, como em “O Cavaleiro das Trevas”, e a seriedade de obras como “Oppenheimer”. Isso, claro, acompanhado de um cuidado técnico absoluto em fotografia, montagem, trilha sonora, design de produção e figurino.
Neste momento, a certeza é que o épico deve se destacar nas categorias técnicas, com várias indicações. Se for um sucesso, pode confirmar vaga em Melhor Filme e Roteiro Adaptado. A partir daí, será preciso observar como será recebido por público e crítica para buscar indicações em Direção e atuações. Sem dúvida, é uma produção para ficar muito atento na temporada de 2027.
‘PAPER TIGER’: AGORA VAI, JAMES GRAY?
Amado pela cinefilia, James Gray não tem muita sorte quando se trata do Oscar. Grandes filmes de sua carreira, como Os Donos do Jogo, Amantes, Era uma vez em Nova York e Z: A Cidade Perdida (2016), foram esnobados, enquanto Ad Astra apareceu apenas em Mixagem de Som.
“Paper Tiger” é mais uma aposta do nova-iorquino para ser lembrado pela Academia. A produção conta a história de dois irmãos que perseguem o sonho americano, mas acabam envolvidos em um esquema perigoso ligado à máfia russa, que passa a ameaçar sua família e coloca sua relação à prova. Adam Driver, Miles Teller e Scarlett Johansson são os protagonistas.
Havia expectativa de que “Paper Tiger” estivesse na disputa pela Palma de Ouro no Festival de Cannes. A primeira seleção anunciada na última semana, porém, não trouxe o filme. O diretor do evento, Thierry Frémaux, deixou a porta aberta para uma possível entrada de última hora.
A grande questão é se Hollywood estará atenta à França neste ano, com poucos filmes dos EUA na disputa. As cartas maiores parecem mesmo estar guardadas para Veneza. Se for lançado em Cannes, “Paper Tiger” precisará ser premiado. Caso contrário, corre o risco de ser novamente esquecido.
‘A LONG WINTER’: NOVO DRAMA DE ANDREW HAIGH
Andrew Haigh pode até não ser um nome popular para o grande público, mas a Academia sabe muito bem quem ele é. O britânico chamou a atenção com “45 Anos”, que rendeu a única indicação ao Oscar da carreira de Charlotte Rampling, e com o recente e bastante elogiado “Todos Nós Desconhecidos”.
“A Long Winter” é seu novo filme. A história acompanha uma família formada por mãe alcoólatra, pai e dois filhos. Após uma briga intensa do casal, a mãe sai para caminhar com o cachorro rumo à casa do irmão, mas se perde no caminho. Para piorar, uma nevasca atinge a região, levando os filhos a mobilizarem todos os recursos possíveis para encontrá-la.
Caitríona Balfe, de “Belfast”, e Ebon Moss-Bachrach, de “O Urso”, estão no elenco. A MUBI é a principal parceira do projeto. É um candidato que merece atenção, embora ainda seja incerto se terá força ao longo da temporada.
‘KLARA E O SOL’: O RETORNO DE TAIKA WAITITI
Não sei vocês, mas considero decepcionante a trajetória recente de Taika Waititi no cinema após a vitória de “Jojo Rabbit” no Oscar 2020 de Melhor Roteiro Adaptado. Vieram apenas o protocolar “Thor: Amor e Trovão” e o esquecível “Quem Fizer Ganha”.
Agora, o diretor tenta se reerguer com a adaptação de “Klara e o Sol”, de Kazuo Ishiguro — autor que já rendeu ao cinema obras como “Vestígios do Dia” e “Não Me Abandone Jamais”.
O filme acompanha Klara, uma amiga artificial projetada para combater a solidão humana. Ela é comprada por uma mãe para sua filha adolescente, que sofre de uma doença misteriosa. Ao longo da trama, Klara embarca em uma jornada para salvar Josie e aqueles que a cercam, aprendendo sobre a complexidade do amor humano.
Jenna Ortega e Amy Adams são as protagonistas. Diante da fase instável de Waititi, o melhor é aguardar a recepção do filme. A história pode resultar tanto em um dramalhão quanto em um filme emocionante, com potencial de indicações para as duas atrizes.
Admito que, neste momento, não boto muita fé.
‘I SWEAR’: SERÁ LEMBRADO?
“I Swear” surpreendeu ao vencer o BAFTA de Melhor Ator com Robert Aramayo, superando quatro indicados ao Oscar daquele ano. O filme conta a história de John Davidson, um escocês com síndrome de Tourette que se torna ativista da causa.
A produção não foi elegível ao Oscar 2026 por não cumprir critérios da Academia, podendo concorrer em 2027. No entanto, há dois desafios importantes.
O primeiro é o distanciamento do momento de maior visibilidade do filme. Muitos podem enxergá-lo como pertencente à temporada anterior. Além disso, perderá a chance de concorrer ao BAFTA novamente, o que enfraquece sua campanha.
O segundo é mais delicado: a polêmica envolvendo John Davidson, que proferiu insultos racistas durante o BAFTA. Mesmo com atenuantes relacionados à síndrome, o episódio pode gerar resistência significativa.
Com isso, “I Swear” já larga com obstáculos importantes e pode acabar ficando de fora da corrida.
‘MISTY GREEN’: CHRIS ROCK NO DRAMA
Vamos abrir espaço para a A24. O estúdio traz três produções mirando a temporada, e uma delas é “Misty Green”, dirigido por Chris Rock. Conhecido pelo episódio envolvendo Will Smith no Oscar, o comediante se aventura agora no drama.
O filme acompanha uma atriz talentosa que tenta reconstruir sua carreira ao reencontrar um diretor com quem tem um passado complicado. Rosalind Eleazar protagoniza, ao lado de Adam Driver, Daniel Kaluuya e Anna Kendrick.
A princípio, parece um candidato discreto, mas merece atenção. A Academia costuma prestigiar atores que migram para a direção, como Robert Redford, Clint Eastwood, Kevin Costner e Ben Affleck. Além disso, há potencial para uma surpresa em Melhor Atriz.
Não descartem “Misty Green”.
‘O DRAMA’: MUITO OUSADO PARA A ACADEMIA
Aviso: spoilers a seguir.
“O Drama” aposta em um tema extremamente delicado: tiroteios em escolas, abordados sob a ótica da comédia. Mesmo com críticas positivas destacando Robert Pattinson e Zendaya, o tema pode afastar o público.
O desempenho fraco nas bilheterias dos EUA reforça essa dificuldade. O diretor Kristoffer Borgli assume o risco de incomodar — algo que pode ser fatal na corrida pelo Oscar.
Torço para estar errado, mas vejo o filme com poucas chances. No máximo, pode aparecer no Globo de Ouro.
‘MOTHER MARY’: O ANO DE ANNE HATHAWAY
2026 promete ser o ano de Anne Hathaway. Além de “A Odisseia”, ela estará na sequência de “O Diabo Veste Prada”. Mas sua maior chance no Oscar pode vir de um filme de terror.
Em “Mother Mary”, ela interpreta uma popstar que reencontra uma antiga amiga e ex-estilista, vivida por Michaela Coel. A reunião desencadeia conflitos sobre identidade, fama e segredos.
Dirigido por David Lowery, o filme mistura suspense e musical. A produção pode se beneficiar da abertura recente da Academia ao cinema de gênero.
Neste momento, vejo mais chances em Canção Original e categorias técnicas, como Figurino e Maquiagem.
‘THE RIDERS’: BRAD PITT EM ALTA
Brad Pitt pode ser um dos grandes nomes de 2026. Em “The Riders”, ele interpreta um homem que precisa buscar a esposa desaparecida após a filha retornar sozinha da Europa.
O diferencial está na direção de Edward Berger, que vem de sucessos como “Nada de Novo no Front” e “Conclave”.
O filme será um teste importante para Berger junto à Academia.
‘BUNKER’: CASAL DE PESO NA DISPUTA
“Bunker” acompanha um casal em crise após o marido ser contratado para construir um bunker para um milionário. Questões éticas e morais estão no centro da trama.
Javier Bardem e Penélope Cruz lideram o elenco, ao lado de Paul Dano e Stephen Graham.
Florian Zeller busca reafirmação após o sucesso de “Meu Pai” e a decepção de “Um Filho”. “Bunker” será decisivo para consolidar sua carreira.





















Matt Damon não tem Oscar de roteiro original por Gênio Indomável?