Foi com mais emoção do que o necessário, mas Adrien Brody levou o Oscar de Melhor Ator por “O Brutalista”.

Dessa forma, ele quebra um recorde de 65 anos e se torna o 12º ator a ganhar a categoria por duas vezes.

Neste novo vídeo, eu explico os principais motivos que levaram a este resultado.

MOTIVO 1: GRANDE ATUAÇÃO

Falar de “O Brutalista” é falar de Adrien Brody: o astro do drama de Brady Corbet aparece durante duas horas e oito minutos na produção da A24.

Dessa forma, ele quebra por sete minutos o recorde de Charlton Heston, de “Ben-Hur”, como o vencedor de Melhor Ator com mais tempo de tela.

Por mais problemático que seja o filme, Adrien Brody traz uma construção sofrida do protagonista, um arquiteto judeu da Hungria que, após sofrer o pior durante a Segunda Guerra Mundial, muda-se para os EUA e lida com o pior do país. A gangorra emocional de uma figura traumatizada, ainda que de forte personalidade, conduz o público de forma tocante.

MOTIVO 2: VITÓRIAS NA HORA CERTA

O segundo motivo para este resultado foi a gordura acumulada por Adrien Brody antes do final da votação para os vencedores do Oscar.

A estrela de “O Brutalista” venceu Melhor Ator no Globo de Ouro, Critics Choice e Bafta. Isso deixou a impressão de que ele era simplesmente incontestável na categoria.

A derrota para Timothée Chalamet no SAG poderia ter provocado uma reviravolta na corrida, mas como o prêmio do Sindicato dos Atores aconteceu depois do “fechamento das urnas” da Academia, não houve tempo para uma reviravolta.

MOTIVO 3: NARRATIVA DO COMEBACK

Ainda que não seja um caso como o de Demi Moore nesta temporada ou Brendan Fraser em 2023, a narrativa da volta por cima também se fez presente aqui.

Em 2003, Brody se tornou o mais jovem ganhador da história de Melhor Ator ao superar Daniel Day-Lewis e Jack Nicholson por “O Pianista”. Isso aos 29 anos de idade.

De lá para cá, porém, a carreira dele não deslancharia como se imaginava. Teve parcerias com Wes Anderson, o “King Kong” de Peter Jackson, “Meia-Noite em Paris” e “O Substituto”.

Muito pouco, porém, para o potencial de Adrien Brody. “O Brutalista” acaba sendo essa volta por cima e a torcida para que ele se mantenha lá.

MOTIVO 4: PREFERÊNCIA DA ACADEMIA POR ATORES MAIS VELHOS

A juventude de Timothée Chalamet contribuiu para esta vitória de Adrien Brody.

O astro de “Um Completo Desconhecido” se mostrou a maior ameaça para este resultado após conquistar o SAG. Porém, tradicionalmente, a Academia opta por premiar vitoriosos mais velhos, acima dos 40 anos, em Melhor Ator, diferente da disputa feminina.

O intérprete de Bob Dylan no drama de James Mangold poderia ter sido o mais jovem a ganhar na categoria, mas o Oscar preferiu deixar Chalamet para uma próxima oportunidade — até porque, do jeito que ele está, virá logo, logo.

motivo 5: premiar “o brutalista” nas categorias principais

Por fim, não dá para desconsiderar que a Academia viu em Brody a oportunidade de premiar “O Brutalista” em uma das categorias principais.

Apesar de ser um filme respeitado e reconhecido na indústria, as quatro horas de duração afastaram os votantes de premiá-lo em Melhor Filme, fazendo com que ele chegasse como azarão no Oscar.

Com Brady Corbet atrás de Sean Baker em Melhor Direção e a corrida de Roteiro Original mais disputada entre “Anora”, “A Substância” e “A Verdadeira Dor”, o caminho para não sair de mãos vazias acabou sendo justamente o de Adrien Brody.