De Pulp Fiction a Era uma vez em Hollywood, Caio Pimenta analisa as indicações de Quentin Tarantino ao Oscar como roteirista.

4. DJANGO LIVRE

Crítica: Django Livre, de Quentin Tarantino

A pior indicação da carreira do Tarantino como roteirista vem da edição de 2013. 

A ideia para “Django Livre” era ótima: uma pegada de faroeste com toques de blaxploitation para uma história de vingança sobre a escravidão nos EUA. Junta isso com personagens fabulosos como os interpretados por Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson e tudo ficaria perfeito. O filme até funciona com uma trama divertida de boas reviravoltas, mas, sempre fica a sensação de que Tarantino está repetindo tudo o que usou em “Bastardos Inglórios”, só que de forma pior. 

A Academia, porém, resolveu compensar o Tarantino pela derrota três anos antes e acabou o premiando em Melhor Roteiro Original. O Oscar 2013 tinha outros dois concorrentes melhores: Michael Haneke com “Amor” e, principalmente, o Mark Boal, de “A Hora Mais Escura”. Vale lembrar que o roteiro do longa da Kathyrn Bigelow chegou a ser alvo de investigação por conta da forma visceral como a caçada a Osama Bin Laden é retratada. 

3. ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD

A medalha de bronze fica com “Era uma vez em Hollywood”. Apesar do ponto alto do filme ser a direção, a aventura ambientada na loucura do fim dos anos 1960 traz o melhor de Tarantino ao criar figuras fascinantes para seus atores explorarem ao máximo. O complexado Rick Dalton e o galã Cliff Booth são os pontos altos de uma infinidade de pequenos personagens que criam um mosaico rico da obra. 

Para completar, Tarantino volta a jogar com figuras históricas, indo da caricatura máxima com Bruce Lee passando pela homenagem etérea feita a Sharon Tate. O problema foi “Era uma vez em Hollywood” bater de frente com “Parasita”: o Bong Joon-Ho não deu a menor chance na categoria e levou Roteiro Original em 2020. 

2. PULP FICTION

Pulp Fiction: Tempo de Violência, de Quentin Tarantino

“Pulp Fiction” fica com o segundo lugar. Igual “Era uma vez em Hollywood”, temos um mosaico de personagens incríveis, agora, no mundo do crime. Chama a atenção como a história de cada um deles se encaixa quase que naturalmente e de forma tão fluida que o cruzamento delas até assusta. Para além disso, as referências à cultura pop se sofisticaram em relação a “Cães de Aluguel”, criando um estilo Tarantino copiado à exaustão nos anos seguintes. 

Tarantino dividiu o primeiro Oscar da carreira com o Roger Avary, parceiro dele no filme. A vitória em Roteiro Original foi a maneira com que a Academia encontrou em prestigiar “Pulp Fiction”: mesmo com a Palma de Ouro de Cannes e sendo querido pela cinefilia e crítica, a produção da Miramax bateu de frente com “Forrest Gump”, drama do Robert Zemeckis muito mais palatável para agradar uma Academia bastante conservadora. 

1. BASTARDOS INGLÓRIOS

Não tinha como ser diferente: “Bastardos Inglórios” é o melhor roteiro de Quentin Tarantino indicado ao Oscar. Chega a ser curioso como ninguém antes pensou na ideia de reescrever a história e tratar Adolf Hitler e os nazistas como mereciam. O roteiro vai além da ideia inicial ao criar personagens gigantes com especial destaque para Hans Landa e momentos de catarse absurda. 

A Academia, porém, optou pelo roteiro do Mark Boal de “Guerra ao Terror”. Aqui, foi um grande erro do Oscar. Daria tudo para que a Academia invertesse as premiações e o Tarantino tivesse sido o vencedor em 2010 e o Boal com “A Hora Mais Escura”.  

MAIOR ESNOBADA: JACKIE BROWN

“Jackie Brown” é a maior esnobada ao Tarantino como roteirista no Oscar. O filme de 1997 sofreu pela alta expectativa gerada por “Pulp Fiction”, deixando um gosto amargo na época. Com o tempo, porém, a crítica e o público redescobriram este suspense com tons de blaxploitation marcado por reviravoltas surpreendentes e uma personagem-título fabulosa interpretada por Pam Grier. 

A categoria de Roteiro Adaptado era extremamente viável, pelo menos, para uma indicação: se “Los Angeles – Cidade Proibida” realmente era imbatível, Tarantino poderia superar facilmente Hossein Amini de “Asas do Amor”, Paul Attanasio, de “Donnie Brasco”, Atom Egoyan, de “O Doce Amanhã” e ainda David Mamet e Hilary Henkin de “Mera Coincidência”. Esnobada realmente incompreensível.