Há cineastas que incutem em seus filmes tamanha personalidade que é possível reduzir suas obras a uma ou duas palavras-chaves – ou chavões, caso prefiram. Stanley Kubrick: “frio e cerebral”. Wes Anderson: “simétrico e esquisitinho”. Para Doug Liman, eu proporia o seguinte: “relativamente competente”.
Claro que, em uma grande indústria como Hollywood, deve-se justamente almejar pela relativa competência. Afinal, nem todos podem ser grandes mestres e mestras da Arte. E não foi justamente dentro dos ditames dessa competência silenciosa e obediente, dentre os detritos industriais da ensolarada Los Angeles, que os cinéfilos da Cahiers du Cinéma foram procurar os seus eleitos, os “autores”?
É. Mas é verdade também que, para cada grande nome resgatado, para cada burro-de-carga promovido a Artista pelos críticos, centenas de outros diretores foram esquecidos pelas páginas da História. E tudo bem. Porque a realidade de qualquer indústria é a de que a maioria de seus funcionários bem sucedidos levam uma vida profissional de confortável mediocridade.
O que também poderiam ser palavras-chaves para a obra de Doug Liman: “confortável mediocridade”.
Alguns de seus filmes são melhores (“No Limite do Amanhã”), outros, piores (“Feito na América”). Mas todos se mantêm dentro de um mesmo limiar de passabilidade: nenhum é excepcional, tampouco ofensivamente ruim. Eles são, no pior dos casos, esquecíveis, e, quando tanto, divertidos.
“Os Provocadores” está mais para o lado do “divertido”, mas também é possível que você se esqueça da obra assim que terminar de assisti-la. O enredo nos apresenta a dois criminosos de meia-tigela/ fracassados de meia-idade (Matt Damon e Casey Affleck) que colocam os pés pelas mãos ao tentarem roubar o prefeito de Boston (Ron Perlman). A tramoia dá errado, os dois são perseguidos e diversas imbricações políticas se sucedem. Haverá risadas pelo caminho, perseguições ao som de música pop e tiros sendo disparados.
ESTRELAS, BAY, SODEBERGH
O que ajuda Liman é que ele sabe das suas limitações e não está interessado em reinventar a roda. Ele escala uma pletora de rostos conhecidos e carismáticos para povoar a tela: Damon, Affleck e Perlman, mas também Toby Jones, Alfred Molina, Paul Walter Hauser, Michael Stuhlbarg e Hong Chau. Esta última em particular vive uma psiquiatra que toma decisões que nenhum outro profissional da área tomaria. Mas vá lá.
Depois disso, é só relaxar e deixar rolar. De tempos em tempos, até aparece uma câmera acoplada em um carro durante uma perseguição para te fazer lembrar de um Michael Bay, ou algum take com aquele estilo “modernoso” e clínico de um Soderbergh. Mas não se preocupe: Liman não está preocupado em deixar sua marca aqui.
Não, este nobre e esforçado artífice deseja apenas o mesmo que todo PJ que se preze: terminar mais um job para garantir seu pé-de-meia.












