Borderlands é mais uma tentativa de Hollywood de transformar jogos em grandes filmes, mas, infelizmente, falha em quase todos os aspectos. A trama acompanha Lilith, interpretada por Cate Blanchett, que retorna ao planeta natal para resgatar uma garota sequestrada— uma premissa simples e repetitiva, que acaba sendo executada da pior maneira possível. No elenco, também encontramos outros nomes conhecidos de Hollywood, como Kevin Hart, Jack Black e Jamie Lee Curtis, que, em vez de agregarem ao filme, contribuem para torná-lo ainda mais confuso, sem carisma e quase inassistível.

O filme se apoia em diversas referências óbvias de Star Wars, Mad Max e até Guardiões da Galáxia, resultando em um pastiche sem originalidade. Tudo o que vemos já foi feito inúmeras vezes em outros filmes: ambientação no espaço, personagens fora da lei e situações clichês. São referências de fácil assimilação, mas que não acrescentam nada de novo ou interessante.

Apesar de tentar vender a ideia de um mundo caótico, “Borderlands” não reflete esta pretensão na construção visual. O que se percebe é uma ambientação vazia, personagens unidimensionais e pouca profundidade na narrativa. As referências no final não adiantam de muita coisa, já que a construção do filme falha em criar um universo realmente dinâmico e envolvente. As cenas de ação são uma bagunça visual e era justo aqui que se esperava ver um mínimo da personalidade de Eli Roth.

O diretor conhecido por trabalhos no gênero terror splatter se vê limitado a algo próximo de um filme infantil. Embora não seja impossível para um diretor de terror explorar outros gêneros—como Takashi Miike, que, apesar de ser mais famoso por seus trabalhos no horror, dirigiu diversos filmes mais leves, incluindo adaptações de mangás e jogos, sempre imprimindo seu estilo próprio—essa adaptação de Roth carece de personalidade. O resultado é uma colcha de retalhos de referências.

Essa limitação se estende à própria performance dos atores, que parecem presos a seus papéis mais conhecidos, especialmente no que diz respeito ao humor. Jack Black, por exemplo, apenas dubla o robô Claptrap e se limita a contar uma piada atrás da outra, sem trazer nada de novo. Kevin Hart tenta, em alguns momentos, parecer sério ou oferecer uma atuação mais robusta, mas suas limitações ficam evidentes. Jamie Lee Curtis, por sua vez, não consegue encontrar espaço para ir além.

Cate Blanchett, duas vezes vencedora do Oscar e recentemente aclamada por seu trabalho em Tár parece completamente deslocada neste filme. Além de não se encaixar no tipo de humor presente, sua caracterização exagerada, que mais lembra um cosplay, não faz jus ao seu talento. Embora a atriz tenha assumido outros papéis inusitados ao longo de sua carreira, aqui é difícil aceitar sua participação em um trabalho tão limitado, em que ela parece demonstrar zero esforço.

A obra acaba se tornando não só mais um exemplo de como não se deve fazer adaptações de jogos, mas também um ótimo exemplo de como não se deve fazer filmes. Limitando-se a exibir rostos conhecidos que, ao longo do filme, parecem entregar as piores performances de suas carreiras, Borderlands é prejudicado por um enredo fraco, um ritmo descompassado e uma completa falta de originalidade.