Líder estudantil desaparecido político durante a ditadura militar no Brasil, Honestino Monteiro Guimarães é o tema do novo filme dirigido pelo amazonense Aurélio Michiles. As gravações do longa tiveram início no último dia 22 de agosto na Universidade de Brasília. Bruno Gagliasso será o protagonista da obra que mistura ficção com documentário.
Em vídeo publicado no Instagram, Michiles fala sobre a necessidade de se contar a história de Honestino. “A história é oposição, nunca situação. Fazer o filme é uma arqueologia da História, sendo que ela continuar a ecoar no presente. Recriar esse pedaço da nossa História é um privilégio; essas pessoas fazem parte da minha geração”, declarou. Já Gagliasso considera que “Honestino” deve trazer um outro lado da capital federal: “A importância do filme é propagar a verdadeira Brasília. A nova juventude precisa ouvir e conhecer a cidade. Arte é incomodar. É o que procuro fazer com este filme”.
Aurélio Michiles traz uma filmografia marcada por documentários de importantes nomes da cultura brasileira e amazônica, entre eles, Silvino Santos (“O Cineasta da Selva”) e Cosme Alves Netto (“Tudo por Amor ao Cinema“), além de obras sobre a causa indígena como o recente “Segredos do Putumayo“. Já Bruno Gagliasso emplaca o segundo trabalho consecutivo com cineastas nortistas: o ator é um dos produtores da cinebiografia sobre o ambientalista Chico Mendes a ser comandada pelo acreano Sérgio de Carvalho em parceria com Sérgio Machado.
A TRAJETÓRIA DE HONESTINO
Honestino Monteiro Guimarães começou a militância política no movimento secundarista para em seguida se filiar à Ação Popular. Mesmo preso pela ditadura, foi eleito presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (Feub), em 1967. No ano seguinte, Honestino voltou a ser detido quando as forças do Exército invadiram a UNB.
Quando o AI-5 foi instituído, o ativista saiu de Brasília para viver clandestinamente em São Paulo. Após a prisão de Jean Marc von der Weid, Honestino assumiu a presidência interina da União Nacional dos Estudantes, sendo eleito em 1971. Dois anos depois, entretanto, acabou preso pelo Centro de Informações da Marinha (Cenimar). O desaparecimento dele foi denunciado em 1976.
Vinte anos depois, em 1996, o Estado reconheceu a responsabilidade por seu desaparecimento, quando a família de Guimarães recebeu um atestado de óbito do estudante emitido pelo poder judiciário do Rio de Janeiro, sem mencionar a causa da morte.












