De “Gladiador 2” a “The Life of Chuck”, Caio Pimenta analisa a situação de quatro filmes que podem mudar o panorama da temporada de premiações rumo ao Oscar 2025.

“HERE”

Sabe aquele caso de filme que até tem potencial, mas, quando você pega o histórico do diretor nos últimos anos, você inevitavelmente fica com a pulga atrás da orelha? Dois filmes exalam isso nesta temporada.  

Com estreia marcada para outubro no AFI Fest, “Here” é o novo filme do Robert Zemeckis. Será uma reunião dele com Tom Hanks e Robin Wright, as duas estrelas de “Forrest Gump”, pelo qual venceu o Oscar há três décadas. A história atravessa diversas gerações a partir de uma casa e seus diferentes moradores ao longo de várias décadas.   

Quando a gente fala assim, até anima, mas, o Zemeckis está fora do radar do Oscar desde “O Voo” com duas indicações em 2013. Ok, que “Aliados” era uma ótima produção e poderia ter rendido mais, porém, é uma fase bem abaixo do cara que deu ao cinema a trilogia “De Volta para o Futuro” e o próprio “Forrest Gump”. Quem sabe “Here” seja a mudança de chave? A esperança, você sabe, é a última que morre. 

 “GLADIADOR 2”

“Gladiador 2” é, talvez, a última carta do Ridley Scott para conseguir a tão almejada estatueta de Melhor Direção. Retornar ao épico ganhador de Melhor Filme pode ser uma faca de dois gumes: por um lado, há o prestígio do épico, por outro, há uma sensação de esticar a corda desnecessariamente de um longa que não precisava disso.   

Por mais que a Paramount Pictures esteja alardeando na imprensa americana que “Gladiador 2” chegará para mudar totalmente a temporada e um elenco com Pedro Pascal, Paul Mescal e Denzel Washington, a questão é que o Ridley Scott está em má fase há muito tempo – mesmo “Perdido em Marte”, o melhorzinho da safra atual, está longe dos momentos de glória. Toda vez que ele chegou cheio de expectativas, os filmes naufragaram – “Casa Gucci” e “Napoleão” que o digam. Desconfio seriamente do longa. 

 “THE LIFE OF CHUCK”

Já “The Life of Chuck” é o oposto disso: chegou sem ninguém dar a menor bola no Festival de Toronto e, de repente, saiu lá com o prêmio do público. É a mesma honraria obtida por “12 Anos de Escravidão”, “La La Land”, “Green Book”, “Nomadland”, “Os Fabelmans” e “Ficção Americana“. A última vez que uma produção venceu e não disputou Melhor Filme foi em 2011 com “E Agora, Aonde Vamos?”, da Nadine Labaki.  

A adaptação do Stephen King do diretor Mike Flanigan traz o Tom Hiddleston como protagonista com o Mark Hamill roubando a cena e mostra a vida de um homem que morre aos 39 anos dividida em três partes. Claro que tem um pouco de sobrenatural aqui e ali, mas, foca em uma trama mais divertida e esperançosa. Agora, é aquele mistério se vai aproveitar e ganhar tração rumo ao Oscar ou se vira apenas um caso fora da curva vindo de Toronto. É tão incógnita o que será dele que, até o momento que estou gravando este vídeo, “The Life of Chuck” ainda não tem uma distribuidora.  

 “JURADO 2”

E ainda há “Jurado Número 2”: pouco se sabe se o anunciado último filme da carreira do Clint Eastwood fica pronto para a temporada ou não – notícias em sites especializadas dos EUA apontam que o lançamento será somente ano que vem, mas, nada confirmado.   

Se por um lado a Warner não possui nenhum candidato capaz de chegar para vencer o Oscar 2025 e pode encontrar nele uma possibilidade, por outro, sabe que a campanha seria dificultada pelo fato de o próprio Clint não ter mais disposição e condições para tal – tudo ficaria nas costas do Nicholas Hoult e da Olivia Colman. Vale lembrar que isso não é novidade para o lendário cineasta: “Menina de Ouro”, por exemplo, chegou de mansinho e acabou surpreendendo o favorito “O Aviador”.