Filme estranho. O espectador mais ríspido será perdoado caso não tenha mais nada a dizer além disso. “Ri, Bola” é mesmo um filme estranho. E desconfortável. Parece ser nesse espaço que o diretor Diego Bauer gosta de transitar.

Ele já havia sido um dos responsáveis por “Obeso Mórbido”, onde também se empenhou em orquestrar desconfortos. Aqui, ele nos apresenta este falso documentário sobre o possível bullying feito pelos amigos de Bola, dono de uma risada extremamente singular. Na verdade, o buraco é mais embaixo: com o trauma da pandemia, Bola cessou o riso definitivamente. Não sai mais nada, nem um risinho.

E é isso. Difícil explicar por que o filme funciona. Na verdade, sequer estou convencido de que funciona por completo. Parte dele é só estranha, e não de um jeito particularmente sugestivo. Falo dos encontros com o “Tempo” e com o Deadpool, por exemplo (só assistindo pra entender).

E o desconforto vem exatamente de onde? Talvez da dissonância entre o que se diz e o que se mostra –  o peso da forma documental versus o trivial da situação. Talvez venha da trilha sonora que pipoca em dado momento, com vozes pululando repetitivamente. O clímax apoteótico, uma balbúrdia generalizada feita especialmente para Bola, sem dúvidas ajuda.

Até mesmo Isabela Catão, estrela dos dois últimos curtas de Bauer, dá o ar da graça em uma cameo. Mas de estranheza em estranheza, “Ri, Bola” mantém o interesse. Rodado em um preto-e-branco digital de alto contraste, que acentua a suposta dramaticidade da situação, o filme firma a voz estranhamente singular de Diego Bauer no cenário contemporâneo.