Dirigido por Alejandro Monteverde, o mesmo responsável por “Som da Liberdade”, “Cabrini” tenta se posicionar como uma cinebiografia inspiradora e emocionante, mas entrega algo mais próximo de um sermão arrastado. A história de Mother Frances Xavier Cabrini (vivida por Cristiana Dell’Anna), a primeira santa canonizada nos Estados Unidos, tem potencial de sobra: uma freira italiana que desafiou barreiras culturais, sociais e religiosas para ajudar imigrantes em Nova York, construindo hospitais, orfanatos e centros de apoio. No entanto, o filme não parece saber como explorar isso com profundidade, optando por uma abordagem repetitiva e, por vezes, forçada.

Os primeiros minutos, que parecem durar uma eternidade, introduzem Frances Cabrini como uma mulher idealista, mas debilitada por uma tuberculose que comprometeu grande parte dos pulmões. Sonhando em realizar uma missão no Oriente e construir orfanatos na China, ela enfrenta uma série de recusas. Determinada, consegue convencer o Papa a apoiá-la, mas com uma condição: ela deve começar pelos Estados Unidos, onde os imigrantes italianos enfrentam pobreza e preconceito. Já em Nova York, Cabrini faz de tudo para ganhar o apoio do arcebispo local e da comunidade americana enquanto começa a ajudar crianças imigrantes vivendo em condições extremas de pobreza e abandono. Contudo, enfrenta inúmeros obstáculos — desde a resistência de figuras importantes até os desafios logísticos e financeiros de sua missão.

Visualmente, “Cabrini” é bem produzido, mas nada que impressione ou o diferencie de outros do gênero. As atuações têm seus méritos, especialmente Cristiana Dell’Anna, que imprime dignidade e perseverança à protagonista. Ainda assim, até esses pontos positivos são eclipsados por um roteiro que martela as mesmas situações exaustivamente: Cabrini desafiando autoridades religiosas e civis para alcançar seus objetivos. O público é constantemente levado ao mesmo ciclo de obstáculos e superações, o que torna a narrativa previsível e monótona.

Em diversos momentos, “Cabrini” tenta insinuar um discurso feminista e pró-imigrante, mas essa abordagem soa superficial e contraditória. Considerando que a Angel Studios, distribuidora do longa, tem como público-alvo um segmento conservador e cristão nos Estados Unidos — até mesmo o mais “trumpista” que abraçou “Som da Liberdade” —, é quase irônico ver a tentativa de tocar em temas progressistas. Mesmo esses esforços tímidos se tornam polêmicos para essa audiência e, no final, carecem de qualquer aprofundamento real.

“Cabrini” se resume a um filme que existe apenas para reafirmar as boas ações e o sofrimento da primeira santa canonizada nos Estados Unidos. Embora o foco fosse proteger e cuidar dos imigrantes que passavam por grandes dificuldades na época, o filme se limita a exaltar as ações da santa, sem reconhecer que esse problema persiste até hoje. O resultado é uma narrativa forçada, sem coragem para explorar suas contradições, que pode satisfazer um público em busca de uma inspiração breve, porém superficial, sem realmente refletir sobre os desafios do presente.

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