Para quem já está na ansiedade da estreia da 3º temporada de “Anéis do Poder”, série original do Amazon Prime Video, que se passa no universo de “O Senhor dos Anéis”, obra mundialmente prestigiada do autor J. R. R Tolkien, pode-se contentar, por ora, com o novo longa de animação da Warner Bros. Animation, “O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim”. O filme se passa quase 200 anos antes da saga clássica dos eventos da trilogia original com os famosos hobbits Frodo Bolseiro e Samwise Gamgee. Aqui vamos acompanhar a história do reino de Rohan, liderado pelo rei Helm Hammerhad (também conhecido como Helm Mão-de-Martelo) e seus três filhos: Hama, Haleth e a protagonista da trama, a guerreira ruiva, Héra Hammerhad.

“A Guerra dos Rohirrim” explora a história por trás do Abismo de Helm, a fortaleza icônica que desempenha um papel crucial em “As Duas Torres”. Dirigido por Kenji Kamiyama, conhecido pelo trabalho em animes, o filme mistura técnicas de animações tradicionais com influências de animes para representar a Terra-média de forma inédita. A trama tem como enfoque no lendário rei de Rohan, Helm Mão-de-Martelo, e a defesa do reino contra um ataque dos Dunlendinos liderados por Wulf, que busca vingança pela morte do pai, a qual acontece bem no início do longa de um forma bem tosca. Para piorar a situação, Wulf ainda alimenta muita mágoa por não ser correspondido por Héra, seu amor desde a infância. A jovem princesa com um quê de Arya Stark (“Game of Thrones”) não tem pretensão nenhuma de casamento, além de não sentir o mesmo pelo lorde.  

A partir disso, é iniciado o embate com as tropas do reino Rohan em posições de defesa para o ataque iminente dos Dunledinos. Nesse primeiro ato, “A Guerra dos Rohirrim” acelera mais do que o necessário com os acontecimentos se atropelando. É como se o vilão precisasse de uma motivação a mais  – a morte do pai – para desencadear todo este combate, até porque, para o autor não seria plausível suficiente um grande lorde iniciar uma guerra apenas por ser negado pelo seu grande amor. 

Ainda que o filme venda a guerreira princesa como protagonista, Héra não tem a autonomia necessária ao não tomar decisões por conta própria e todo o planejamento e estratégias de guerra passam à margem dela. Por mais que a donzela seja bastante inteligente e corajosa, não vemos muita ação da protagonista nos primeiros atos de “A Guerra dos Rohirrim”. O longa vai se desenrolando sem sua participação efetiva. Mesmo que ela esteja inserida em contexto histórico onde mulheres não têm tanta voz, isso não é justificativa, pois na própria trilogia de “O Senhor dos Anéis” e na série “Game of Thrones” vemos mulheres constantemente desafiando seus algozes e os enfrentando de forma destemida.

Por fim, vemos Héra com seu grande carisma de heroína, enfrentando cara a cara o inimigo, que uma vez foi perdidamente apaixonado por ela. Neste ponto, Wulf já se encontra totalmente irracional e sem escrúpulos. A luta entre ambos poderia ter sido mais climática e emocionante, mas vemos um desfecho facilmente previsível e sem muitas surpresas. 

Quando lembramos de épicos como “O Senhor dos Anéis” nos remetemos a grandes momentos. Senti falta das grandes batalhas, onde vemos de perto os combates sanguinários acontecendo por alguns minutos ininterruptos e de personagens mais destemidos, pois são através dessas conjunções de adrenalina e trabalho em equipe que associamos um pouco do sucesso que a trilogia representou duas décadas atrás nos cinemas.

Entretanto, mesmo com essas falhas de narrativa, é válido destacar os lindos gráficos em formato de anime que o filme traz, além da excelente direção de Kamiyama. E se você quiser também ver alguns dos personagens clássicos da trilogia, aguarde o suficiente que eles irão aparecer. E para não deixar um gosto amargo na boca, aguarde mais um pouco, pois a trilha sonora nas cenas créditos, vale a pena ser ouvida e contemplada pela linda voz de Paris Paloma com a canção “The Rider”, uma balada digna de qualquer grande guerreiro.