Do mesmo diretor de A Casa de Cera, A Órfã e Águas Rasas e produzido pela Blumhouse, o terror A Mulher no Jardim apresenta a história de uma família que vive na área rural de uma cidade interiorana dos Estados Unidos e que está se recuperando de um recente luto: a morte do patriarca. Em um belo dia, todos se assustam ao se deparar com uma situação atípica: uma mulher totalmente coberta por uma manta preta aparece sentada em frente à propriedade. Logo, a família se vê envolvida em um mistério para descobrir o motivo dessa aparição tenebrosa. Seria um fantasma? Uma alucinação? Uma mulher perdida com problemas mentais?

É fato que o diretor Jaume Collet-Serra já possui experiência em trabalhar com espaços limitados, como demonstrou em O Passageiro e Sem Escalas. Aqui, ele se propõe a experimentar novas técnicas dentro da redoma que circunda a casa da família. Com planos diagonais, aéreos e closes em objetos arremessados, Jaume consegue transmitir tensão e suspense mesmo dentro do ambiente doméstico. Por mais que o lar represente um símbolo de segurança e o exterior traga a presença do perigo, ainda assim é possível sentir o desconforto da família e uma aflição psicológica — mesmo quando estão “seguros” sob um teto.

A atuação de Danielle Deadwyler é fenomenal. Como protagonista, mesmo lidando com uma lesão física, ela se esforça para manter seus dois filhos em segurança. Sua presença em cena é cativante: ela consegue ser compassiva com as crianças, mas também autoritária quando necessário, sem perder a essência do papel de mãe. Aos poucos, vamos descobrindo mais camadas de sua personagem, que borbulham como uma panela de pressão até o clímax da história.

As crianças também se destacam no filme. Elas mantêm a solidez em suas interpretações e demonstram muita química com Deadwyler — mérito também do diretor, que soube posicionar estrategicamente os personagens em ambientes compactos. Em certos momentos, os filhos assumem nosso papel de espectadores, conduzindo a narrativa na tentativa de desvendar o mistério. Em outros, percebemos que a mãe, por algum motivo, teme profundamente essa figura encapuzada de preto, o que torna a trama ainda mais instigante, devido ao contraste nas motivações dos personagens.

Por mais que a direção de Jaume e a fotografia de Pawel Pogorzelski sejam extremamente habilidosas na criação da atmosfera misteriosa da obra, infelizmente, não se pode dizer o mesmo sobre o roteiro de Samuel Stefanak, que escorrega em alguns clichês e cenas batidas, lembrando obras como Nós, de Jordan Peele, e Jogo Perigoso, de Mike Flanagan.

Contudo, o longa prende o espectador graças à direção segura que conduz o suspense e ao magnetismo dos atores, que entregam ótimas performances. Ainda assim, a partir do segundo ato, o ritmo do filme se torna arrastado — o que surpreende, considerando que sua duração é inferior a uma hora e meia.

Apesar disso, A Mulher no Jardim ainda vale a pena ser conferido, especialmente se você é fã de suspense psicológico, como este crítico que vos escreve.