O quinto episódio da segunda temporada de “The Last of Us” incorporou totalmente o estilo videogame da fonte de original. Se por um lado foca-se naquilo que interessa realmente na série – a jornada de vingança de Ellie (Bella Ramsey) contra Abby (Kaitlyn Dever) e os ataques zumbis -, por outro temos um capítulo que mais parece um grande desafio repleto de fases difíceis a serem superadas sem grandes acréscimos a tudo que já fora visto.
Se no game corre-se o risco da ruindade do jogador estragar tudo deixando a heroína e seus parceiros serem derrotados, aqui, esta interatividade ainda não foi disponibilizada como já fizera a Netflix com “Black Mirror – Bandersnatch”. Uma pena, pois, ajudaria significativamente a passar estes 50 minutos com mais agilidade.
Sim, os perigos são realmente perigosos, afinal, de um lado, há os malucos do WLF com suas práticas muito bem conhecidas de matarem qualquer um com suas armas modernas – o mundo acaba, mas, as munições são eternas – duelando contra a turma advinda dos Amish com arcos, flechas e os instrumentos de barbárie da Idade Média. O rastro de destruição e tortura deles ombreia com os nobres zumbis sempre à espreita em um lugar escuro.
Mas, cá entre nós, já vimos isso nos quatro domingos anteriores, certo? Qual a novidade de ver mais uma atrocidade de um Amish colocando as tripas de um prisioneiro para fora? Ou de uma chacina com corpos espalhados pelas ruas de uma Seattle sitiada? “The Last of Us” poderia até jogar uma reflexão sobre como a barbárie faz, infelizmente, parte da humanidade em situações-limite ou algum tipo de olhar mais profundo sobre a psicologia daqueles dois grupos.
O showrunner Craig Mazin, porém, não está disposto a tal, pois, deve seguir take por take, segundo por segundo aquilo que aconteceu no game, mudando, no máximo, pequenos pontos que causem menor dor aos fãs. O máximo que ganhamos é uma história do passado de Dina (Isabela Merced) jogado de forma quase aleatória para fazer Ellie não desistir do seu objetivo – algo que sabemos que não vai rolar. Logo, tudo parece um grande preâmbulo para mais uma aventura ultra arriscada da personagem de Bella Ramsey.
Parceiro de longa data da HBO com passagem por “The Walking Dead”, “Watchmen” e “Westworld”, o diretor Stephen Williams se mostra competente para segurar o suspense, fazer cenas minimamente interessantes como os zumbis destruindo as grades do espaço onde a pobre Dina está, mas, nada que realmente seja muito criativo visualmente ou que surpreenda de fato. O único momento em que o episódio consegue chamar atenção deve-se à primorosa direção de arte e maquiagem quando Ellie invade o subterrâneo do hospital e se depara com os soldados da WLF consumidos e deformados pelos esporos.
Quanto à tortura cometida pela protagonista, por mais que se possa elogiar mais uma vez a atuação de Bella Ramsey, nada de novo no front: ainda que haja resquícios daquela adolescente empolgada do início da série ali e acolá, a Ellie que destroça Nora (Tati Gabrielle) tal qual Abby fizera com Joel (Pedro Pascal) não surpreende para quem viu os acontecimentos do quinto e, principalmente, oitavo episódio da temporada inicial. Por mais fofa que possa ser, sabemos que ela irá até as últimas consequências para vingar o pai postiço. Ainda assim, “The Last of Us” parece querer insistir neste suposto choque a cada capítulo.
Depois do tenso segundo e marcante episódio, Craig Mazin parece com verdadeira dificuldade extrair mais de “The Last of Us”. Tanto que apelar para um flashback de Joel tão cedo parece uma tática desesperada de quem sabe que o elemento mais forte da série – a relação Joel/Ellie – já deu adeus. Melancólico caminho do lado de lá e de cá.














