De “Regras da Vida” a “Conclave”, Caio Pimenta elege os melhores vencedores de Roteiro Original Adaptado do Oscar entre 2000 a 2025.

26. JOJO RABBIT

Se o ganhador do Oscar 2020 de Melhor Roteiro Original ficou no meu top 5, infelizmente, o vencedor dos adaptados é o pior deste período. 

Baseado no romance escrito por Christine Leunens, “Jojo Rabbit” até possui um ponto de partida interessante ao mostrar um garotinho tendo como melhor amigo imaginário ninguém mais ninguém menos que Adolf Hitler.

Pena o Taika Waititi não saber aproveitar isso, criando um roteiro longe de emocionar, ser ácido muito menos refletir sobre qualquer coisa.  

Pior de tudo é que “Jojo Rabbit” superou o brilhante trabalho de Steven Zaillian em “O Irlandês”.

Ainda havia outras opções como “Adoráveis Mulheres” da Greta Gerwig, “Coringa” e “Os Dois Papas”. Falha feia do Oscar. 

 25. FICÇÃO AMERICANA

A penúltima posição é de “Ficção Americana”. Ganhador em 2024, o Cord Jefferson parte do desafiador livro do Percival Everett para trazer um tom cômico ao abordar como o racismo acaba por ser alimentado pela própria indústria do entretenimento dos EUA.

Por melhor que seja a intenção, o roteiro parece um conjunto de pequenas situações soltas, uma ou outra boa sacada, mas, longe de formar um todo. Isso para não falar de toda a situação familiar do protagonista extremamente frágil. 

A aclamação de “Ficção Americana” soa como aqueles casos de uma Hollywood culpada pela sua baixa diversidade racial que abraça qualquer coisa que minimize este sentimento. Outro ano em que todos os demais indicados eram bem melhores, entre eles, “Oppenheimer” com o Christopher Nolan e “Barbie” novamente da Greta. 

24. O JOGO DA IMITAÇÃO

O Jogo da Imitação

O Graham Moore até consegue ser bastante competente ao mostrar o feito de Alan Turing e da equipe dele na luta contra o nazismo em “O Jogo da Imitação”.

Pena que o roteiro se mostra bastante hesitante ao abordar a sexualidade do matemático, deixando esta questão praticamente reservada para a reta final.  

Aqui me incomoda demais é a falta de criticidade do roteiro em encarar de frente o absurdo ao que o Turing passa após a Segunda Guerra Mundial.

“O Jogo da Imitação” contenta-se apenas no óbvio lamento sem colocar o dedo na ferida de um país que diz lutar contra a barbárie e comete uma atrocidade digna dos seus inimigos. 

Naquela temporada, meus favoritos eram o Damien Chazelle com “Whiplash” e o lisérgico trabalho do Paul Thomas Anderson na adaptação do inadaptável “Vício Inerente”, do Thomas Pynchon. 

 23. REGRAS DA VIDA

Na linha do trivial também aparece “Regras da Vida”. O John Irving traz para as telas o livro que ele mesmo foi o autor.

Roteiro competente suficiente para desenvolver sua história nada excepcional e personagens corretos ainda que longe do memoráveis.  

Mais um ano em que a Academia fez uma escolha que envelheceu mal demais, afinal, tinha ali à disposição Michael Mann e Eric Roth com “O Informante”, Alexander Payne com “Eleição” e Anthony Minghella com “O Talentoso Ripley”. 

22. UMA MENTE BRILHANTE

Russel Crowe como John Nash em Uma Mente Brilhante

Posição 22 é de “Uma Mente Brilhante”. Com convenientes omissões para deixar o filme mais palatável para o grande público e, claro, a Academia em uma fase conservadora, o Akiva Goldsman esquece as polêmicas, foca no romance de John Nash com a esposa e coloca um mistério para prender o público com uma reviravolta à la M. Night Shyamalan.  

Apesar dos pesares, o roteiro funciona e segura o público do início ao fim naquele padrão Oscar bait.

Um resultado bastante injusto quando você tinha ali à disposição a brilhante adaptação de “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” e a transgressão dos contos de fadas de “Shrek”. 

 21. PRECIOSA

O Geoffrey S. Fletcher venceu o Oscar 2010 por “Preciosa” e se tornou o primeiro negro a ganhar a categoria.

Adaptação do romance escrito por Sapphire, o roteiro não poupa o público daquele universo de horror da protagonista e da mãe dela.

Com aquelas deixas clara para gerar momentos grandiosos para suas atrizes, o filme carrega nas tintas e fica próximo de passar do ponto muitas vezes.  

Meu ponto favorito do roteiro é quando consegue quebrar todas estas tensões com as fantasias da protagonista, quase um conto de fadas como respiro à tragédia.

A sorte de “Preciosa” é que os candidatos naquela temporada eram muito fracos – quem mais tinha uma chance ali era “Distrito 9”. Por isso, um Oscar que não irrita tanto assim. 

 20. CODA

Versão americana do sucesso francês “A Família Belier”, “Coda” está na vigésima posição do ranking.

Uma adaptação bem competente, bons personagens, uma mensagem bonita, trama cativante e… É isso!  

Admito que gosto bastante de “Coda”, acho um filme muito eficiente naquilo que se propõe, porém, fica nítido que ter vencido tudo o que conquistou em 2022 foi um sonoro exagero.

Quando você nota que a vitória em Roteiro Adaptado foi fundamental para ganhar Melhor Filme, este resultado fica indigesto. 

Ainda mais quando havia na disputa o brilhante trabalho do Rysuke Hamaguchi com “Drive My Car” e Jane Campion de “Ataque dos Cães”.

Realmente inacreditável. 

19. ENTRE MULHERES

A Sarah Polley foi a grande vitoriosa do Oscar 2023 por “Entre Mulheres”. Baseado no livro de Miriam Toews, o roteiro coloca o foco naquelas personagens, dando voz a elas relatarem suas vidas, os abusos sofridos, os medos e as incertezas.

Ainda que se torne cansativo em muitos momentos, consegue tocar o público tanto sobre a importância da sororidade como os maus tratos persistentes contra mulheres em ambientes retrógrados.  

Foi uma vitória incontestável até pelos concorrentes – “Entre Facas e Segredos 2”, “Top Gun: Maverick”, “Living” e “Nada de Novo no Front” não tinham como competir com “Entre Mulheres”. 

 18. Quem quer ser um Milionário?

Em 2009, “Quem quer ser um Milionário?” venceu três dos seus rivais em Melhor Filme para se sagrar o Melhor Roteiro Adaptado do Oscar.

O Simon Beaufoy consegue colocar uma história de amor de personagens cativantes para trazer a Índia e toda sua complexidade de um modo mais palatável para o Ocidente.  

Nesta temporada, lamento pelo Peter Morgan com seu roteiro excelente adaptado da própria peça “Frost/Nixon”.

Para mim, era o melhor entre os indicados do Oscar 2009. 

 17. TRAFFIC

Adaptando uma série britânica homônima, o Stephen Gaghan ganhou o Oscar 2001 por “Traffic”. Apesar de quase resvalar no generalismo perigoso de “Crash”, o roteiro consegue ser mais coeso – até por ter menos núcleos – e cria um mosaico didático que serve de introdução básica ao problema das drogas nos EUA.   

Passado tanto tempo, “Traffic” já não possui a mesma força da época. Ainda assim, acabou por ser uma vitória que considero ok, afinal, a concorrência não era das mais interessantes.

“E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?”, dos irmãos Coen, e o divertido “Garotos Incríveis”, eram aqueles que mais chegavam perto de empolgar na categoria. 

 16. OS DESCENDENTES

Fechando a primeira parte na décima sexta posição, temos “Os Descendentes”. Dizer que o roteiro do trio Nat Faxon, Alexander Payne e Jim Rash é um primor seria um grande exagero, mas, ao mesmo tempo, impossível negar que tudo flui muito bem obrigado.

A história é uma delícia com bons momentos de humor e drama intercalados de maneira eficiente e os personagens engajam o público rapidamente.  

Em 2012, a Academia até tinha a possibilidade de premiar “A Invenção de Hugo Cabret” ou “Tudo Pelo Poder”, mas, sinceramente, o Oscar de “Os Descendentes” faz jus a uma disputa de bom nível, mas, longe de ser brilhante.