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O cinema se constrói de imagens e sentidos: por mais que haja inúmeros elementos presentes, a essência de toda essa catarse existe a partir da atmosfera permitida. Logo, a mensagem do filme se alia diretamente a esse cenário de ambientação, e, em muitos casos, é tão forte essa ligação que chega a confundir todas as ideias. Uma amálgama dessa natureza pode ser vista em A Colheita, drama disponível na MUBI.
Baseada no livro de homônimo de Jim Crace sobre o desaparecimento de uma aldeia sem nome, espaço nem lugar definito ao longo de sete dias, a conjuntura do filme se mantém fiel às características imagéticas de suas posições, seja ela paisagística ou de eixo psicológico das personagens. A diretora grega Athina Rachel Tsangari emana um terreno quase surrealista e psicodélico não só pelas imagens captadas, bem como a sensação infinita de pertencimento daqueles seres em uma terra bastante unida e fixada pelos moldes culturais da agricultura. Neste cenário, o camponês Walter Thirsk (Caleb Landry-Jones) e o dono da propriedade Charles Kent (Harry Melling) enfrentam uma invasão do mundo exterior a partir de um cartógrafo (Arinzé Kene), o homem da companhia (Frank Dillane) e migrantes de outra região.
Assim, a obra cria uma percepção inicial um tanto quanto arrastada na tentativa de definir o modo do povo de uma vila interiorana da Inglaterra, onde pensamentos e ordens estão vinculados a fatores de subserviência indicados por uma cultura particular muito restrita. Logo, quando a ruptura da região é concebida, aos poucos por propósitos de fora, o estranhamento surge e a revolta vira um ponto adormecido.
Dessa veia, cria-se uma confusão de alinhamentos, afinal, não há desejo de caracterizar determinados indivíduos como vozes certas ou erradas; essa dicotomia é frágil a partir do instante em que Tsangari registra e impõe a passividade daquele grupo social perante às ações e consequências acontecidas naquela vila. Uma amostra disso, por meio de Thirsk: temos a ideia (por um tempo) de que este humaniza as colocações e ideias de moral daquela sociedade, onde o filme tão logo desaba qualquer certeza creditada.
A viagem de A Colheita é bastante interessante e sussurra loucura e grandeza por suas imagens belas e coloridas, mas a estrutura é confusa, o ritmo estafante e o ponto de chegada é menos intenso do que da partida.













