Gabi Lopes, Bruno Gissoni, Vanessa Giácomo, Mariana Xavier, André Ramiro, Augusto Madeira, Luciana Vendramini, Fábio Rabin… Este time de nomes conhecidos e queridos do grande público integra o elenco de Entrelaçados, nova comédia romântica do cinema brasileiro. A produção dirigida por Arthur Moric com roteiro de Vitor Cardoso e produção executiva de Diego Timbó promete, além de atrair os fãs de romance, passar importantes mensagens sobre consciência ambiental.

Na trama, Gabi Lopes interpreta Clara, uma publicitária bem-sucedida de classe média alta. Tudo vai bem até o dia em que um dos clientes da agência em que trabalha cobra um projeto focado em práticas de ESG (Environmental, Social and Governance, em tradução literal, ambiental, social e governança). No meio da reunião, a protagonista inventa uma história de que tem um noivo com uma fazenda totalmente sustentável no interior de São Paulo. Para sustentar a história, ela viaja para a cidade natal e encontra, via aplicativo de namoro, Léo (Bruno Gissoni). Os dois fingem que estão prestes a casar e, aos poucos, vão se conhecendo e apaixonando.

Filme marca a segunda parceria entre Gabi Lopes e Arthur Moric: dupla trabalhou junto em “A Garota do Bar”

Entrelaçados marca o segundo longa da parceria entre Moric e Gabi: os dois trabalharam juntos em 2024 no romance A Garota do Bar, pioneiro em longas-metragens no formato vertical no Brasil. A atriz e produtora executiva do projeto disse que embarcou no filme assim que foi convidada pelo amigo. “Ele me ligou e pediu para ajudar a fazer as coisas acontecerem, logo, estive envolvida desde o início participando de reuniões, desenvolvimento do projeto, correndo atrás de recursos e convidando atores para o elenco”, revelou Gabi em entrevista exclusiva ao Cine Set.

Moric compartilha de sentimento semelhante pela parceria com a Gabi. “Uma coisa que considero muito bonita nesse processo é que, apesar de cada um ter seu foco — eu na direção, ela na atuação —, sempre pensamos o projeto juntos, também como produtores executivos. Não queríamos apenas atuar ou dirigir, mas construir. Hoje, olhando para o que Entrelaçados está se tornando, vejo o quanto esse alinhamento e essa confiança mútua foram decisivos. Antes mesmo do filme existir, nós já éramos um time”.

TAUBATÉ, ONDE A MÁGICA ACONTECE

Cidade cenográfica foi construída em fazenda especialmente para o filme

Parte significativa das filmagens de Entrelaçados aconteceram em Taubaté, cidade localizada a 142 km de distância de São Paulo. A comédia romântica realizou as gravações no fim de setembro e outubro deste ano, contando com o apoio da Prefeitura da cidade que, inclusive, ajudou inclusive a paralisar a rodoviária por um breve momento para o filme.

A escolha de Taubaté não foi mera coincidência: Arthur Moric nasceu na cidade do interior paulista, logo, sabia o potencial de realizar a produção fora dos estúdios. “Queria aproveitar essa época do ano em que os dias são lindos, com céu azul e uma luz natural muito bonita. Eu buscava locações externas, fazendas, paisagens naturais. Não queria um filme apoiado em cenografias construídas do zero, mas sim ambientes com verdade, raiz, história e marcas do tempo”, declarou.

Esta estrutura de apoio permitiu à equipe do longa construir uma cidade cenográfica chamada Joamirim a partir da estrutura existente. Influenciada por estrelas que conciliam a atuação com a produção executiva em seus projetos como Viola Davis, Natalie Portman, Emma Stone, Charlize Theron e Margot Robbie, Gabi Lopes traz a experiência de ser múltiplas funções no audiovisual desde a adolescência, logo, o desafio de “armar o circo, colocar o espetáculo para rodar” faz parte da essência do trabalho da paulistana de 31 anos.

Vanessa Giácomo (esq) é um dos grandes nomes do elenco de “Entrelaçados”

“Desde que me tornei produtora, meu trabalho de atriz melhorou 1000%. Quando você se liga nas hierarquias e toda a continuidade do processo, isso ajuda a entender melhor tudo. O lado emocional é o que mais pega. Às vezes, estou concentrada para atuar, mas, sabendo que há situações para resolver. Saber demais tem as coisas boas e ruins; o projeto pode estar um caos, mas isso não pode afetar o trabalho de atuação”, revelou.

Entrelaçados ainda traz para Gabi uma nova responsabilidade: a comédia romântica é um dos primeiros trabalhos da Marilyn Filmes, produtora dela com foco na equidade de gênero e diversidade de forma ampla. Neste sentido, Moric destaca o discurso ambiental trazido pelo roteiro com o alerta sobre greenwashing, estratégias de marketing utilizadas por quem diz defender a natureza, mas, na prática, realiza o oposto, enquanto a atriz aponta a jornada de autoconhecimento de uma pessoa da cidade se encontrando consigo mesma ao entrar em contato com a terra.

DE ‘PARIS, TEXAS’ A ‘EMILY EM PARIS’: REFERÊNCIAS DE ‘ENTRELAÇADOS’

Conhecido por “Tropa de Elite”, André Ramiro está no elenco da comédia

“Criar algo que tivesse brilho comercial por fora e densidade poética por dentro”. Este era o desafio que Moric se colocou ao fazer “Entrelaçados”. Com passagens em grandes agências de publicidade do Brasil, o cineasta buscou referências das mais diversas para a comédia romântica, inclusive, na fotografia, pintura, música.

Dentro do gênero, focou nos filmes protagonizados por Sandra Bullock, principalmente, “A Proposta”, sucesso de 2009 ao lado de Ryan Reynolds. “Nestas produções, busquei esse lugar mais popular, mais leve, mais acessível. Mas eu não queria que a linguagem estética, o timing, as atuações e a construção narrativa seguissem esse mesmo molde. Eu queria a embalagem da comédia romântica — porém, com o conteúdo de um filme de arte, sensível, autoral, com causa”, afirmou.

Sendo assim, surgem duas inspirações mais fora do comum das comédias românticas: “Paris, Texas”, obra-prima de Wim Wenders de 1984, e “Ela”, hit de 2013 do diretor Spike Jonze. “São filmes gigantes para mim, obras que falam de amor de maneiras completamente diferentes e extremamente artísticas. Do “Ela”, eu queria a delicadeza visual, a construção sensorial, a direção de arte. Do Paris, Texas, eu queria especialmente a fotografia: os planos abertos, os planos longos, a resolução de algumas cenas em um único enquadramento, o contraste, o tempo da imagem, o silêncio como discurso”, afirmou.

Comédia romântica traz como referências “Ela”, “Paris, Texas” e “A Proposta”

A protagonista de Entrelaçados leva como um mantra a fala de Fernando Meirelles, diretor indicado ao Oscar por Cidade de Deus, em uma palestra na Rio 2C em que afirmou que o fundamental de um filme, acima de tudo, é a história. “Posso captar, trazer o elenco e colocar no streaming, mas, não adianta se a história não é boa. Quantos filmes são lançados somente pensando no plot e não tem nada? Eu gosto de boas histórias, profundas. Entrelaçados vem para ser um respiro, aquele filme gostoso que você quer chegar no fim do dia e se divertir, se curar”.

Sobre Clara, Gabi Lopes traça um paralelo com um dos principais sucessos da Netflix, apontando uma carência do audiovisual brasileiro. “A minha personagem está em um lugar de uma mulher que ninguém faz. Cadê aquela menina empresária, caminhando, empreendendo, fazendo marketing? Isso não aparece. Emily in Paris é raro e, por isso, faz sucesso. Uma jornada bonita. Honestamente, não vemos isso no Brasil, somente fora. Foi um presente como atriz e ainda mais como produtora executiva este trabalho”.

Produzido pela Andaluz Films em coprodução com a Uno Criativo e a Marilyn Filmes, Entrelaçados tem previsão de estreia no circuito comercial em 2026.

MAIS ENTREVISTAS COM O ELENCO DE “ENTRELAÇADOS”:

Bruno Gissoni faz Léo, o par romântico de Clara, personagem de Gabi Lopes

Quais são as principais características do seu personagem e a relação com a protagonista?

Bruno Gissoni – O Léo é um cara do interior, sensível, muito ligado à família. Ele ama esse lugar de onde vem e tem uma relação muito forte com a Terra — ele entende os ciclos, respeita esses ciclos. Quando a gente olha para ele e para a Clara, a distância entre os dois é muito nítida. A Clara é uma mulher da cidade, então esse contraste já aparece no próprio cenário em que cada um vive e também no aspecto social — não só socioeconômico, mas cultural mesmo. Existe uma distância muito grande entre esses dois mundos, e é justamente isso que torna o encontro deles cada vez mais delicioso.

Mariana Xavier – A Camila é a CEO da Terra Viva, uma empresa ligada à sustentabilidade. Eu a vejo como um símbolo do que a gente gostaria de ter como liderança contemporânea: uma mulher forte, extremamente competente e, ao mesmo tempo, muito ética e comprometida com os seus ideais. Na trama, ela acaba sendo seduzida, em um primeiro momento, pelo espírito mais marketeiro da Clara. E é justamente através dessa manobra da Clara para conquistá-la como cliente que também vai acontecer uma transformação na vida da protagonista. Mas sobre isso eu não posso falar muito — senão já vira spoiler demais (risos).

Mayara Magri interpreta a mãe de Léo, personagem vivido por Bruno Gissoni.

Mayara Magri – Mãe do Léo, a Dona Lurdes é uma mulher do interior, vive na fazenda, é simples, mas ao mesmo tempo muito inteligente e enigmática. Gosta de observar as pessoas, estudar seus comportamentos e tem uma forte conexão espiritual — ela joga tarô e segue muito essa intuição. Quando a Clara chega ao café da família, a Dona Lourdes imediatamente desconfia. Ela não gosta da ideia desse namoro e quer entender quem é essa moça, o que ela está fazendo ali e por que seu filho está envolvido com ela.

Vittor Fernando – Eu interpreto o Rafa, um cara sonhador, um artista do interior de São Paulo. Acabei me identificando muito com ele, porque também sou da Grande São Paulo — não sou da capital — e também sou artista. Então eu sei como é sonhar grande vivendo em uma cidade menor. Por isso, encontrei muitos pontos em comum com o meu personagem.

O que você acha que “Entrelaçados” traz de diferente ou novo para os fãs de comédias românticas? O que as pessoas que forem assistir podem esperar?

Bruno Gissoni – Existe uma mensagem muito forte sobre a proteção das nossas terras, das nossas riquezas e, principalmente, dessa cultura do campo. Há uma beleza enorme em mostrar esse cenário, porque o interior do Brasil guarda algo muito peculiar nosso. Colocar isso na tela, para mim, vai ser muito interessante — é a chance de o brasileiro se ver como protagonista também. Fora que as comédias românticas têm o amor como protagonista — esse encontro de almas. E eu acredito que é exatamente disso que todo mundo está precisando agora: mais alegria, mais amor na nossa vida, mais compreensão. A compreensão, inclusive, de um mundo oposto ao nosso, que é um pouco o enredo da nossa história.

Mariana Xavier – Sempre digo que acredito na comédia não só como entretenimento, mas também como uma ferramenta poderosa para trazer reflexões, deixar mensagens e até fazer críticas. Eu adoro quando conseguimos unir essas duas coisas: a leveza que o público busca para enfrentar os desafios do dia a dia e, ao mesmo tempo, uma mensagem mais profunda no plano de fundo.

Por isso, achei muito inusitado — no melhor sentido — fazer uma comédia romântica ligada a questões ambientais e de sustentabilidade. São temas para os quais a gente vem despertando cada vez mais, porque estamos entendendo a importância que eles têm na nossa vida e no futuro do planeta. Acho que vai ser muito legal ver essa mistura de comédia romântica com questões tão atuais e necessárias.

Mariana Xavier nos bastidores de “Entrelaçados”

Mayara Magri – É uma comédia romântica gostosa, deliciosa, do tipo que realmente faz bem assistir. O filme tem grandes atores e personagens muito bons. Eu vejo a história como um divertimento para o público, mas que, ao mesmo tempo, traz vários sinais sobre atitudes que as pessoas tomam no dia a dia — algumas percebem, outras não. No final, o filme acaba conduzindo para o caminho certo. Foi muito bom, muito legal, e eu amei fazer parte desse projeto.

Vittor Fernando – O filme vai além da comédia romântica tradicional — aquela em que a gente torce pelos mocinhos, vibra com o casal e acompanha o encanto da protagonista. Aqui, a nossa mocinha é muito mais humanizada, ela tem nuances, contradições e até atitudes que despertam dúvida sobre sua própria índole. Isso já traz uma camada diferente para o gênero. Acima de tudo, porém, é a mensagem do filme. Entrelaçados traz uma reflexão muito atual sobre preservação, meio ambiente e sobre o respeito que precisamos ter com o planeta onde vivemos.