Claire Foy entrou para os holofotes mundiais quando viveu ninguém menos que a Rainha Elizabeth nas duas primeiras e melhores temporadas de “The Crown”. A partir daí, a britânica não parou mais, emendando uma série de grandes trabalhos, entre eles, “O Primeiro Homem”, “Millenium – A Garota na Teia de Aranha”, “Entre Mulheres” e “Todos Nós Desconhecidos”.
Neste ano, Foy protagoniza “H Is for Hawk”, drama britânico dirigido por Philippa Lowthorpe. Baseado em um caso real e adaptação de um best-seller livro de memórias de 2014 da autora britânica Helen Macdonald, a história acompanha uma mulher devastada pela morte súbita de seu pai que busca refúgio e cura através da arte ancestral da falcoaria, treinando um feroz gavião-gerifalte selvagem chamado Mabel. Ela acaba por espelhar a própria turbulência emocional, embarcando em uma jornada de autodescoberta, memória e a reconexão com o mundo natural e humano.
Pelo Cine Set, Pâmela Eurídice conversou com Claire Foy sobre os desafios de trabalhar com os falcões e sobre o luto da personagem. Confira abaixo:
Cine Set – Você é conhecida por ser uma pesquisadora muito dedicada para construir suas personagens. O que você descobriu sobre falcões e outras coisas durante a preparação para interpretar Helen?
Claire Foy – Tive muita, muita sorte com essa história, porque as memórias da Helen são extremamente íntimas e pessoais. Senti que tinha um retrato muito claro e muito bonito de quem ela era. Isso foi incrivelmente útil. Obviamente, havia muito a fazer em relação a adquirir conhecimento em relação à falcoaria, algo sobre o qual eu nunca tinha aprendido nada antes, nunca tinha tido contato. Houve muitos livros para ler e muito treinamento a fazer nesse sentido.
Meu objetivo era que tudo isso estivesse bem estabelecido quando começamos a filmar, de forma que eu pudesse estar em um estado emocional que me permitisse retratar o que Helen estava vivendo da maneira mais verdadeira possível. Mas sim, houve muito para eu mergulhar profundamente nesse projeto.
Cine Set – Como foi a preparação para realmente contracenar com um falcão? Qual foi a cena mais desafiadora para você?
Claire Foy – Diria que grande parte do trabalho com os falcões foi desafiadora porque eu nunca tinha feito nada parecido antes, e é uma habilidade realmente incrível. Sabia que não havia nenhuma chance de dominá-la antes das filmagens, mas eu precisava alcançar o máximo de proficiência possível.
Acho que voar com as aves sempre foi a parte mais assustadora. Com a Lottie, que era a ave de caça, era o momento mais tenso, porque ela voava solta, não estava presa. Então, quando eu a soltava, eu realmente a soltava. Estava liberando essa criatura linda e preciosa. Isso era, definitivamente, o mais assustador, porque eu só torcia para não machucá-la, não perdê-la ou algo assim.
Cine Set – Como você preserva o simbolismo entre o luto e aprender a viver de uma nova forma? Como usou isso para construir sua personagem?
Claire Foy – A Helen escreve de uma maneira incrivelmente bonita sobre o fato de que existe uma parte de você que morre quando alguém tão próximo falece, e que você precisa se reformar como um ser humano diferente depois disso. Você não pode continuar sendo a mesma pessoa que era; é necessário se tornar uma nova pessoa.
Acho que a Helen não desaparece dentro dos falcões, mas ela permite que essa parte humana… ela quer se afastar dessa parte humana dela o máximo possível ao longo da história. Estar com os falcões permite que ela fique o mais próxima possível dessa natureza cíclica e permanente da morte e da vida. É uma experiência realmente profunda, e eu não sei se você poderia vivenciar algo assim se não fosse em relação a outra criatura viva.
Parece algo muito visceral, o que a Helen está vivendo. Mas sim, é a reformulação de um caráter, de uma pessoa, de uma vida, realmente.












