Union County, do diretor Adam Meeks, é um daqueles dramas proletários que o cinema americano de vez em quando ainda faz, e costumava fazer com mais frequência. É uma narrativa sóbria, quieta e sensível sobre um problema social sério nos Estados Unidos, a epidemia de vício em drogas opiáceas que atingiu notadamente as comunidades mais pobres.
O filme se passa no condado de Union, no estado de Ohio. Will Poulter interpreta Cody, um jovem em processo de recuperação do vício. Junto com outras pessoas, ele tem que se apresentar ao programa e cumprir condições estabelecidas pela lei. Ele arruma um emprego graças ao seu irmão adotivo, personagem de Noah Centineo, e vai tocando sua vidinha. Porém, seu irmão também é um viciado em recuperação, e os dois acabam tendo uma recaída que muda os rumos de suas vidas.
É um filme sobre um Tema Sério, assim mesmo, com maiúsculas. Muitas vezes, hoje em dia, produções do tipo se vangloriam apenas da sua temática e acabam resultando em obras que colocam o problema social em primeiro plano e se esquecem do cinema. Felizmente, Union County funciona, principalmente pela sua autenticidade: Poulter, apesar de ser um ator razoavelmente conhecido que já participou até de projeto da Marvel, desaparece no papel e realmente passamos a torcer pelo rapaz, para que ele supere seus problemas e dê um jeito na sua vida.
Muitas das pessoas que vemos em tela são moradores reais da região e participantes de programas de recuperação do vicio em drogas, e isso também ajuda na autenticidade. A humanidade das pessoas que trabalham no programa também transparece: eles não julgam e buscam dar apoio sempre que possível, mas também sabem exercer a lei quando necessário.
É um filme de câmera parada, sem invencionices e que opera num tom menor, e isso também o ajuda a funcionar. Nem sequer vemos ninguém usando drogas de fato: o máximo que o longa mostra é uma mangueira sendo amarrada num braço. Tudo contribui para a atmosfera sóbria do filme, como se a sua própria narração não quisesse interferir no equilíbrio delicado que é o processo de recuperação de um adicto.
O filme tem alguns poréns, no entanto. O personagem de Centineo parece subaproveitado – em dado momento ele some da história e fica a sensação de que o longa poderia ter explorado mais o relacionamento dele com o protagonista. E às vezes Union County parece reservado demais, básico demais. A história se desenvolve como esperado, sem emoções muito fortes, e o longa talvez pudesse, sem precisar mergulhar em clichês ou exageros, trazer um pouco mais de emoção e profundidade ao personagem principal.
Ainda assim, Union County funciona como um retrato slice of life, um pedaço da vida numa cidadezinha modorrenta no interior dos EUA. Quando percebemos que o barulho das pistolas de pregos que Cody usa no seu trabalho de marcenaria fica cada vez mais alto, o filme deixa claro que o processo para ele é uma luta constante, dia após dia. Isso, mais a bela cena final interpretada por Poulter, faz de Union County um filme de Tema Sério que consegue ser humano, acima de tudo.












