“Filmes não criam psicopatas, só os deixam mais criativos”. Verdade, e já são 30 anos de muita criatividade psicótica desde o lançamento do filme original Pânico, em 1996. O produto das visões criativas do roteirista Kevin Williamson e do cineasta Wes Craven deu origem a um fenômeno cultural que ganhou fãs ao redor do mundo e marcou o gênero terror.
Em celebração ao aniversário de Pânico e ao lançamento do novo longa da saga, Pânico 7, que chega aos cinemas, vamos fazer aqui uma viagem no tempo e relembrar alguns sustos, mortes e piadas de uma franquia que, até o momento, ainda não entregou um filme ruim – embora, claro, alguns sejam melhores que outros. Então, vamos lá para o meu ranking pessoal da saga Pânico, do pior para o melhor filme.
6. Pânico 3 (2000)
Este aqui tem bons momentos, mas problemas de bastidores fizeram com que Kevin Williamson ficasse de fora aqui, e a estrela Neve Campbell teve uma participação reduzida. E eles fizeram falta. O resultado é um longa que brinca muito com Hollywood, mas também parece andar a esmo por parte da sua duração, sem um protagonismo forte. Além disso, há um desequilíbrio de tom aqui, com a comédia pesando mais que o suspense: as participações de Carrie Fisher e Jay e Silent Bob foram piscadelas para o público que pareceram excessivas… Pânico 3 foi desenvolvido, à época, para ser o último capítulo de uma trilogia, e a História prova que terceiros filmes são mesmo complicados.
5. Pânico 6 (2023)
O sexto filme continuou com sucesso a tendência do anterior, que com inteligência soube trazer a franquia para o panorama da Hollywood moderna. E sério, Pânico 6 tem pelo menos uma cena incrível, a fuga de alguns dos heróis por Nova York com vários Ghostfaces ao redor e que culmina num vagão de metrô. É um dos momentos mais tensos da franquia, num filme que ambicionou elevar o nível do seu anterior. A identidade do assassino, que é fácil de adivinhar, e alguns furos diminuem um pouco o resultado final, mas Pânico 6 foi um capítulo divertido, uma sessão-pipoca manchada de sangue, e no final das contas é para isso que a gente paga ingresso, não é?
4. Pânico (2022)
Também conhecido como o quinto filme. A reinvenção de Pânico nas mãos dos cineastas Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Olpen, que também comandariam o sexto filme, foi o Despertar da Força da franquia. Os realizadores souberam pegar o bastão de Wes Craven, falecido em 2015, e a visão irônica de Williamson e atualizá-la para a era dos reboots infinitos e nostalgia sem vergonha. É um filme esperto que teve algumas ousadias, e vendo hoje em retrospecto o elenco jovem é bem bacana, com Jenna Ortega, Jack Quaid e a futura vencedora do Oscar Mikey Madison aparecendo. E as alfinetadas – ou seriam punhaladas? – que o filme dá na cultura do fanservice são bem divertidas. Aliás, diversão é o termo aqui: o quinto Pânico conseguiu superar as desconfianças dos fãs e saiu melhor que a encomenda.
3. Pânico 4 (2011)
Sempre achei esse aqui um capítulo meio subestimado da franquia, um que merece um pouco mais de amor e reconhecimento. É tão divertido e metalinguístico quanto qualquer um dos demais, e Williamson e Craven – no último filme que ele dirigiu – estão afiados na sua visão sobre assassinos imitadores e fama na internet. De fato, de lá para cá, com a cultura de influenciadores e a força cada vez maior das redes sociais, alguns comentários do filme parecem premonitórios… Um hiato de uma década fez bem aos realizadores da franquia, que voltaram tendo algo realmente a dizer.
2. Pânico 2 (1997)
“Continuações mataram o cinema de terror”, diz o Randy em Pânico 2, e aí o filme continua, cena após a cena, a nos entregar uma continuação tão boa quanto o original, talvez até melhor… O segundo longa da série é o Exterminador do Futuro 2 da franquia, para citar uma fala de outro personagem, e representa um milagre. Feito às pressas para capitalizar no sucesso do original, ele acabou retendo boa parte das qualidades do seu predecessor, e ainda superando-o em algumas áreas: A revelação do assassino aqui é, na minha opinião, a melhor da franquia. E aquela abertura no cinema é uma cena, com o perdão do termo, matadora. Não sei vocês, mas quando vou ao banheiro de um cinema antes de uma sessão, às vezes penso em Pânico 2 e essa é uma marca de um ótimo filme de terror, o fato de ele ficar com você, em algum canto sombrio da sua memória.
1. Pânico (1996)
O original sempre será o marco, aquele momento em que terror voltou a ser uma força no cinema americano após a ressaca dos anos 1980. Acima de tudo, o primeiro Pânico demonstra a força de um ótimo roteiro e de uma visão para esse tipo de material, que fizeram do resultado final um sucesso. Os sustos, as piadas, as atuações do elenco inspirado, tudo funciona aqui. Pânico demonstrou como o cinema, especialmente de gênero, está sempre se retroalimentando do que veio antes, e com criatividade até o que é velho pode ficar novo outra vez. Se seguirem essa lição, cineastas poderão continuar fazendo outros filmes Pânico ainda por mais tempo.
Além disso, aqueles 10 minutos de abertura são a melhor coisa que Wes Craven dirigiu na vida. 30 anos depois que Drew Barrymore atendeu aquela ligação, ainda podemos ouvir seus gritos.

















