“O Vampiro que brilha”. Provavelmente essa frase surge no imaginário de muitas pessoas quando se trata do astro Robert Pattinson. O ator alçou um sucesso meteórico na indústria cinematográfica ao interpretar o vampiro Edward Cullen, da franquia Crepúsculo, tornando-o um ícone teen e uma estrela altamente conhecida na indústria.
Apesar desse reconhecimento popular, Pattinson acabou estigmatizado pelo papel, tendo dificuldades de desvencilhar a imagem do personagem após o fim da franquia. Com o tempo, o astro começou a provar seu talento e credibilidade, em papéis desafiadores e que fogem do estilo de Edward.
Aproveitando a estreia de O Drama, novo filme do ator, que protagoniza ao lado de Zendaya, o Cine Set preparou um ranking das 10 melhores atuações de Robert Pattinson:
10. Poucas Cinzas: Salvador Dalí
No mesmo ano que Pattinson apresentava o vampiro Edward ao mundo, ele também encarnou um dos maiores pintores surrealistas da história, Salvador Dalí. Na cinebiografia, que conta a conturbada relação de Dalí com o dramaturgo Federico García Lorca, o ator convence trazendo a personalidade excêntrica do retratado para as telas. Ele mistura bem as esquisitices com os caprichos do artista, bem como sua timidez e sexualidade reprimida. Pattinson se esforça para tornar o pintor uma figura singular ao mesmo tempo que mostra um homem em conflito com seus desejos e virtudes. Apesar do filme ter uma narrativa irregular, não fazendo jus aos artistas retratados, o trabalho de Pattinson se destaca por ser algo pregresso a sua fama instantânea que já evidenciava o seu talento.
9. High Life: Uma Nova Vida
Na ficção científica dirigida por Claire Denis, o ator lida com o dilema de criar uma filha indesejada ao mesmo tempo que tenta sobreviver em um lugar inóspito. Em uma abordagem mais intimista, o ator traz uma paternidade tenra ao mesmo tempo em que aposta em uma resistência ao se juntar a um sistema que não acredita. Ele mostra uma fragilidade intimista juntamente com um pessimismo silencioso. O mais interessante é que conforme o tempo passa, sua relação com a filha fica mais distante e fria, o vínculo mais esquecido e a desesperança toma conta do clima. A narrativa fragmentada proposta por Claire Denis traz várias nuances do personagem em diversos momentos da trama. Mesmo que já tenha interpretado outros criminosos em sua carreira, esse trabalho tem uma humanidade mais retraída e distante.
8. O Diabo de Cada Dia
Mesmo com um curto tempo de tela no longa, Pattinson rouba as atenções como um reverendo recém chegado na cidade, aparentemente cheio de boas intenções. No entanto, aos poucos se descobre sua verdadeira natureza. O ator injeta um charme sedutor juntamente com um olhar penetrante. O pastor utiliza da religião para manipular e praticar abusos em jovens meninas, sendo uma crítica contundente ao uso da autoridade religiosa para manipular pessoas. O pior é o quando seu personagem se aproxima da realidade, em que muitos utilizam o artifício da fé para mascarar suas más condutas. Como dito anteriormente, sua participação não é muito grande, mas sua presença ecoa durante o filme.
7. The Rover: A Caçada
Quebrando o estigma do galã seguro, Pattinson oferece uma nova abordagem, com um personagem vulnerável e perdido. Nesse road movie estilo John Wick, o astro cria um personagem frágil e bobo, com uma linguagem corporal desengonçada e imatura. Ele comunica uma carência sutil através do jeito atrapalhado e impulsivo, clamando por uma figura que o guie pelo mundo. A seriedade e rigidez de Guy Pearce dá um excelente contraponto ao personagem, funcionando como uma aliança improvável que faz a narrativa caminhar. Contrastando com seu papel em O Diabo de Cada Dia, ele é a parte manipulada da situação. No fim das contas, Pattinson gera pena pelo seu comportamento pueril, de um ser humano carente em um mundo agressivo e violento.
6. Mickey 17
Sob o comando de Bong Joon-ho, Pattinson explora diversas facetas e personalidades como Mickey Barnes. Através de seus inúmeros clones, o ator se diverte trazendo a dualidade e diferenças entre suas versões, mais especificamente de Mickey 17 e Mickey 18. Enquanto a versão 17 é mais assustada e gentil, a versão 18 é mais agressiva, impulsiva e inteligente, compondo uma dinâmica muito interessante entre eles ao longo da narrativa pois gera imprevisibilidade nas suas ações e na trama. Pattinson também consegue organizar bem o equilíbrio perfeito entre a caricatura e o suave, permitindo-lhe transmitir mais nuances. Apesar do filme em si não ter correspondido às expectativas, o trabalho é um destaque notório do projeto, que infelizmente não teve muita repercussão e fracassou nas bilheterias.
5. Batman
Existiam muitas inseguranças quando Robert Pattinson foi anunciado como Batman no projeto de Matt Reeves. Muitos acreditavam que o ator não daria conta de interpretar um dos maiores heróis da cultura pop. Entretanto, o ator surpreendeu ao construir um Homem-Morcego visceral e obsessivo, que vive mais o manto do herói do que como Bruce Wayne. O astro se desprende da vaidade do artista na maior parte do tempo ao ficar mascarado em cena, dando destaque ao seu olhar vivo e imponência corporal. Seu Bruce Wayne é propositalmente apático e recluso enquanto seu Batman é determinado em lutar até o fim contra a corrupção crescente de Gotham City. Pattinson traz uma visão mais sombria e impulsiva do herói, produto de uma Gotham podre comandada pelo crime organizado.
4. O Drama
Em seu trabalho mais recente, Pattinson se joga de corpo e alma na narrativa corajosa de Kristoffer Borgli em O Drama. O ator encabeça o dilema central da história, lidando com seus sentimentos conflitantes em relação a sua noiva e seu passado. É uma atuação cheia de personalidade e segurança, conciliando habilmente seus sentimentos contrastantes de amor, medo e insegurança. O desconforto que Pattinson transborda é essencial para a tensão crescente da trama. Para melhorar, seu personagem tem atitudes impulsivas que geram divertidos momentos tragicômicos. O mais interessante é que seu trabalho convida o público a refletir sobre a condição do personagem, dividindo seu peso com a audiência sobre lidar com aquela situação.
3. Cosmópolis
Em parceria com ninguém menos que David Cronenberg, responsável por clássicos como A Mosca e Crash: Estranhos Prazeres, Pattinson entrega uma performance complexa em Cosmópolis. Além do texto difícil, adaptado da obra de Don Delillo, Pattinson tem que demonstrar uma frieza calculada, em que seu papel representa um jovem bilionário, símbolo do capitalismo opressor e da falta de humanidade. Com diálogos reflexivos, o ator intencionalmente mostra um personagem distante da realidade, quase vivendo em uma realidade alternativa e reagindo com diversas figuras que orbitam a cidade. Como o filme se passa na maior parte do tempo em um único cenário, Pattinson precisa manter a atenção do público. Ao longo da história, sua atuação vai passando por um colapso íntimo, em que começa a se entregar a um estado reflexivo e questionador. O diferencial desse trabalho é a forma robótica que Pattinson constrói milimetricamente pensada, fugindo do carismático.
2. O Farol
Ao lado do renomado Willem Dafoe, Pattinson traz uma performance exalando intensidade. Em um ambiente isolado e uma fotografia desoladora, o ator constrói perfeita e gradativamente o arco de insanidade do personagem ao mesmo tempo em que desenvolve uma peculiar interação homoerótica com Dafoe. Os devaneios do personagem brincam com a linha tênue da realidade com a ficção. É uma atuação intimista com rompantes de raiva frenéticos e oscilações de humor bem orquestradas. A direção de Robert Eggers dá todo o palco para Pattinson brilhar dentro da trama e na “rivalidade teatral” dele com Dafoe. Além disso, o ator traz um sotaque inspirado em registros históricos, dando mais veracidade ao seu trabalho.
1. Bom Comportamento
Pattinson mergulhou na adrenalina frenética dos irmãos Safdie em Bom Comportamento. Interpretando um delinquente desesperado, o ator carrega toda a energia caótica do filme, seja nos momentos mais intensos como nos mais calmos da narrativa. Ele insere um lado manipulador sorrateiro ao personagem, seja na forma como lida com o irmão assim como nos outros personagens da trama. Seu egoísmo é escancarado, deixando o personagem detestável em muitos momentos . Entretanto, como os irmãos Safdie gostam de trabalhar personagens com morais questionáveis, como visto Joias Brutas e Marty Supreme, Connie tem também um lado humano, na forma como se importa com o irmão, mesmo que de uma forma torta. É um personagem que oferece mais de uma nuance, trava uma batalha interna no público entre torcer ou rejeitar. Pattinson consegue com primor transmitir todas essas características.




















