Confesso, leitor: eu me empolguei com o final do episódio anterior desta temporada final de The Boys. Capitão Pátria obteve o V1, os Boys se deram mal, tudo parecia perdido. Portanto, é uma grande decepção ver que este novo episódio – intitulado “O francês, a mulher e o homem chamado Leitinho de Mãe”, que longo! – não traz quase nada de empolgante. É só mais um episódio da série, meio arrastado como a maioria desta temporada, e o penúltimo episódio de uma série, ainda mais um que conquistou tanto o público ao longo da sua trajetória, não deveria ser tão sem graça e desprovido de empolgação.
Após o fim da corrida pelo V1, Billy Bruto rapidamente estabelece o novo objetivo do grupo, usar radiação para fazer com que a Kimiko desenvolva o mesmo raio do Soldier Boy e se torne capaz de retirar os poderes do Capitão Pátria. Para resolver isso, o Francês tem que convencer a Mana Sábia a sair da frente da TV e ajudar, enquanto os outros vão até o estúdio do Ó Pai. Enquanto isso, o Capitão Pátria, mais louco do que nunca, explode a cabeça do presidente dos Estados Unidos. É ele quem manda agora, pois está imortal, pelo visto.
Alguns eventos do episódio anterior ficaram sem explicação ou recompensa. A morte do Black Noir? Ficou por isso mesmo. O comportamento bipolar do Soldier Boy, que ora queria acabar com seu filho, ora queria salvá-lo, ao sabor da conveniência de roteiro? Também. Daí a sensação de que este episódio foi só mais um, limitado a repetir velhas dinâmicas entre os personagens.
Temos mais uma DR aqui entre Bruto e Hughie, que são feitos prisioneiros. Ao menos a situação possibilita um retorno do ator Jeffrey Dean Morgan à série, e ele é sempre bem-vindo e abrilhanta um pouco as suas cenas. Mesmo assim, nossos dois personagens escapam facilmente da armadilha em que se metem, e nada de novo é feito com eles.
Annie e Leitinho se infiltram no estúdio de TV, se envolvem numa luta com dois supers bizarros, e ela passa um pouco da sua mensagem de esperança para duas personagens da série derivada Gen V. E descobrimos a origem do apelido do Leitinho. Sério, no penúltimo episódio da série, é esse tipo de coisa que os roteiristas tomam por desenvolvimento de personagem, algo que podia ter sido revelado há tempos. Apesar dos esforços do ator Laz Alonso, a cena resulta vazia, apenas uma mera anedota que tenta passar por um momento emotivo.
Realmente, em se falando de emoção, a única que o episódio proporciona é no seu final, quando o Francês confronta o Capitão Pátria para salvar Kimiko. A situação termina de forma trágica e a química entre Karen Fukuhara e Tomer Capone, que sempre sustentou o relacionamento deles, resulta num momento emotivo, mas ainda assim ele parece estranho e manipulativo. Ora, o Capitão Pátria nunca foi discreto ao matar suas vítimas, mas foi com o Francês só para gerar uma despedida emotiva para o público…
Enfim, é curioso observar a condução dos roteiros nesta temporada, que realmente parece ter muito episódio para pouca história: No tocante à trama, houve enrolação e pouco avanço por muito tempo. E no tocante ao desenvolvimento dos personagens, este foi errático na melhor das hipóteses, e repetitivo, com a série batendo várias vezes nas mesmas teclas e repetindo os mesmos conflitos de temporadas anteriores. Ou seja, pouco funcionou de um jeito ou de outro.
E mais uma coisa, de novo tivemos neste episódio uma piadinha sobre como é difícil encerrar uma série, ao vermos a filmagem de mais um projeto da corporação Vought. Sim, realmente é difícil criar um final que satisfaça fãs e faça jus a todos os desenvolvimentos e personagens que acompanhamos por anos. Mas essa atitude na defensiva dos produtores de The Boys parece já preparar o público para um final “daqueles”, frustrante e fraco. Enfim, descobriremos na semana que vem. Ao contrário da Luz-Estrela, as minhas esperanças são pequenas.














