“Vibe” é uma palavra da moda, e de vez em quando a única forma de escrever uma crítica de cinema é usando esse termo: Por Onde Você Vai, curta-metragem amazonense dos realizadores Bruma de Sá e Mauro Gruber, é um trabalho de uma “vibe” diferente. Começa como uma reflexão sobre arte, depois parece que enfoca o luto de um relacionamento, tudo numa atmosfera onírica. Porém, termina dando a impressão para o espectador de que as temáticas propostas acabam não indo a lugar nenhum.

O curta, realizado durante a passagem de Bruma pela UNESPAR (Universidade Estadual do Paraná), começa com um rapaz e uma moça numa conversa sobre arte. Depois, aparece outra personagem num fluxo quase de lembranças, subjetivo, e o filme se conclui com o rapaz e a moça falando sobre a amizade que ambos tiveram com essa outra garota. 

Eles conversam numa casa, depois dentro de um carro, e uma chuva constante parece sempre fazer companhia a eles – água derramando é uma imagem recorrente. Perto do final, a sala onde eles conversam está rodeada de velas, retomando o clima onírico. Na montagem, vemos fusões e planos sobrepostos, completando a atmosfera de sonho, de irrealidade. O trabalho sonoro do curta complementa a experiência, com um momento em que o som desaparece, e uma trilha sonora etérea. E o ritmo é devagar, quase parando… O plano que mostra umas belas árvores recebendo luz solar fica na tela por uns bons 2 minutos.

Por causa disso, o filme acaba parecendo bem mais longo do que seus 25 minutos reais. Embora Por Onde Você Vai tenha de fato algumas boas imagens e uma trilha sonora efetiva, fica a dúvida sobre qual efeito os diretores queriam provocar no espectador com a obra. As discussões entre os personagens são atrapalhadas por alguns diálogos problemáticos, e apenas a reflexão por meio das imagens não sustenta o curta por toda a sua duração.

Por isso é um filme de “vibe”: Por Onde Você Vai convida o espectador para uma viagem estranha e altamente subjetiva. O filme quer explorar lembranças e emoções de uma forma pessoal e poética. Se o espectador vai se envolver com essa viagem, depende da vibe na qual ele estiver.

Claro que a experiência de um filme sempre é individual para cada espectador. Mas só vibe não sustenta um trabalho cinematográfico por muito tempo.