Cody Parsons (Will Poulter) é um jovem dependente de heroína na zona rural de Ohio, obrigatoriamente é inserido no “Drug Court”, um programa de reabilitação supervisionado pela justiça local. Seu irmão adotivo Jack (Noah Centineo) também faz parte desse programa.
Essa é a premissa básica de “Union County”, que fez certo burburinho no Festival de Sundance neste ano, longa de estreia de Adam Meeks que serve como extensão do seu curta que explora o mesmo universo.
O grande acerto de Meeks é o silêncio que ecoa. Em filmes do gênero reabilitação há um senso comum na direção dos exagerados, de gritos, de culpas familiares e muitas brigas e questões morais. Bem, não que isso não seja meia verdade na vida real, porém, não espere nada disso aqui. Meeks está mais preocupado em mostrar como essa epidemia está cada vez mais crescente nos Estados Unidos e atinge pessoas de todas as idades, em um grande problema social e coletivo. Colocando luz ao que acontece depois do vício, da reabilitação e da reabilitação social, especialmente.
Cody é um jovem que iniciou a sua vida no mundo das drogas ainda adolescente, assim como seu irmão, dorme no carro, não tem um trabalho e internaliza todas essas questões. Seu único momento de se abrir, mas não muito, são nas reuniões.
O filme é quase que documental, como se estivéssemos realmente acompanhando a jornada do herói em encontro consigo mesmo e das responsabilidades que lhe cabem para se manter sóbrio.
O trunfo da produção é ser quase que totalmente filmado em um verdadeiro tribunal de drogas, onde ex-viciados, juiz, assistentes sociais, interpretam versões de si mesmas, como Annette Deao que coloca muita doçura na sua versão para as telonas.
Colocar não atores no centro do protagonismo não é nenhuma novidade, exemplos não faltam como, por exemplo, Nomadland (2020) da Chloé Zhao. Para dar mais veracidade e seriedade à trama.
Como é um filme bastante sutil, a fotografia acompanha essa sutileza quando há uma virada de chave do personagem central. A névoa e tons cinzentos dão lugar as cores mais solares, ainda que a sobriedade impere por toda a película.
Ainda assim, Meeks me pareceu deveras metódico. Veja bem, é um tema urgente, há uma ótima performance de Will Poulter, onde o silencio precede a ação, mas achei o filme… como dizemos no bom português, pressão baixa demais. Algo nele me lembrou The Last Showgirl no sentido de um silêncio etéreo para representar alguma complexidade e, como espectador, isso me irrita profundamente.
Não é excelente, não é ruim, não é avassalador e memorável, ficando no temido limbo das causas esquecidas de mais um filme de superação (preciso falar que, no campo das comparações de filmes recentes que abordam situações semelhantes como “To Leslie” (2022) e “The Outrun” (2024), “Union County” é ótimo).
Devemos dar um desconto por ser um filme de estreia?













