Em uma era de franquias e remakes, Casamento Sangrento (2019) se consagrou com uma trama original de sucesso ao misturar terror com comédia. Por isso, é tão pertinente questionar se uma continuação seria necessária ou mesmo, se esta consegue entreter à altura do primeiro longa.

A resposta vem da parceria entre os diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett em aprofundar relações familiares com toques de horror. Se a parte anterior foca em conhecer uma nova família e a busca por aceitação dentro desta, a continuação, Casamento Sangrento: A Viúva, tem como objetivo o reconhecimento de sua própria família a partir da perseguição de Grace (Samara Weaving) e a irmã Faith (Kathryn Newton) em mais jogos diabólicos envolvendo famílias poderosas.

Confirmar a necessidade do longa pode ser exacerbado, visto que ele não alcança muitas novidades para além da obra original. Mas, com certeza, Matt e Tyler se esforçam para justificar uma sequência e conseguem entreter o público ao maximizar o humor e sangue cenográfico.

Seguindo os acontecimentos diretos do filme anterior, acompanhamos o reencontro de Grace e Faith após sete anos separadas. À medida que estas são perseguidas por uma seita, os termos de seu distanciamento são discutidos e reforçam a densidade emocional entre ambas em comparação às outras famílias complicadas envolvidas na caçada. Nesse aspecto a produção é eficiente em passar uma reflexão acerca de união familiar, reforçada por Grace e Faith tornando possível tudo aquilo que não conseguiram alcançar separadas.

Sendo o público íntimo de Grace e todos seus infortúnios anteriores, Faith é uma novidade expressiva para a história com a separação traumática das irmãs sob sua ótica. Nas cenas de ação ela também mostra importância ao manter a inocência esperada de um terror para gerar o senso de emergência nos espectadores. Faith consegue ser um dos momentos que superam o primeiro filme, se sobressaindo muito mais em comparação ao eixo emocional apresentado por Alex Le Domas (Mark O’Brien) anteriormente.

Com a necessidade de um novo elenco, quatro clãs são apresentados da forma mais previsível possível: utilizando estereótipos raciais. Apesar de ser um artifício comum de roteiro, essa escolha serve bem ao objetivo de facilitar para o público como identificar tantos personagens novos que ninguém deve se apegar tanto, pois precisam morrer em detrimento da final girl Grace.

Poucos personagens ganham um enredo mais detalhado como a rivalidade feminina entre Francesca El Caído (Maia Jae) e a protagonista – algo preparado visando maiores embates físicos e mortes mais memoráveis. Nesse sentido, Shawn Hatosy é beneficiado no papel de Titus Danforth sendo palpável acompanhar seu crescimento de um herdeiro banalizado até o status de inimigo principal.

Com um enfoque tão grande em divertir o público e superar as mortes prévias em número e impacto, o longa deixa de lado a criação de suspense. Antes, a história se desdobra do ponto de vista da protagonista, enquanto nesta sequência vemos a trama por diferentes ângulos e ela é explicada de forma bem mais didática, perdendo muito do suspense na captura da personagem e voltando-se para a perseguição.

Esse fator é facilmente atribuído a direção de fotografia menos ousada. Ainda existem os momentos de acompanhar a personagem caindo, sendo arremessada e sofrendo tantos danos físicos, mas, sobra pouco espaço para filmar suas reações dolorosas e brincar com diferentes ângulos que um jogo de esconde esconde pode oportunizar.

Casamento Sangrento: A Viúva repete a fórmula de sucesso e um dos seus maiores méritos é manter um equilíbrio entre os filmes lançados, os quais se destacam por diferentes qualidades. O longa em questão não conta com o fator novidade, mas tem ousadias no roteiro que buscam surpreender e esse esforço chega perto de ser realizado em diversos momentos.