Na era em que os filmes de terror parecem ter que escolher entre ser uma sequência incessante de sustos ou apostar apenas em uma atmosfera densa e psicológica, Oddity tenta equilibrar essas duas abordagens com uma estética característica do terror independente. No entanto, falha em entregar algo realmente interessante como um todo. Algumas escolhas ao longo do filme chamam a atenção, mas o resultado final é monótono, previsível e, como já mencionado, desinteressante.
O enredo gira em torno do assassinato de Dani (Carolyn Bracken), que é morta por um dos ex-pacientes do esposo, Ted (Gwilym Lee). As primeiras cenas que mostram Dani reformando a casa e antecedem seu assassinato são genuinamente interessantes. O uso de luzes e sons combina muito bem com o ambiente — uma mansão estilo castelo na Irlanda, completamente isolada, sem sinal de telefone e desprovida de móveis, exceto por uma barraca na sala. Esses elementos criam uma tensão palpável, mas isso logo se perde, pois o restante do filme depende apenas dos resquícios desses momentos iniciais.
Após uma passagem de tempo, a história passa a acompanhar Darcy (Carolyn Bracken), irmã gêmea de Dani, que é clarividente e possui poderes psíquicos, introduzindo elementos sobrenaturais na trama. Contudo, esses elementos acabam se perdendo na falta de foco do filme. O sobrenatural parece estar presente apenas para criar uma atmosfera sombria e sustentar alguns sustos e pontos-chave do enredo, sem um desenvolvimento mais profundo.
Quando Darcy retorna à casa onde sua irmã foi assassinada, agora mobiliada e habitada por Ted e sua nova namorada, Yana (Caroline Menton), o filme tenta recriar a atmosfera do início, simulando uma nova sensação de invasão suspeita naquela casa isolada. No entanto, o ambiente, que antes transmitia abandono e mistério, perde sua força visual e simbólica. A tentativa de recuperar a tensão original acaba sendo em vão, já que a casa agora parece apenas um espaço comum, sem o mesmo impacto.
Tudo o que era interessante no início do filme torna-se repetitivo e previsível. A atmosfera já não funciona, e nada de significativo ou impactante acontece novamente. O enredo volta a girar em torno do assassinato, mas os motivos dos personagens não levam a lugar algum.
O desenvolvimento da história se perde completamente, e os personagens se tornam unidimensionais, apenas cumprindo seus papéis sem grandes nuances. Yana e Ivan (Steve Wall), um funcionário do hospital psiquiátrico, são exemplos de personagens que, embora centrais para a trama,estão lá apenas para se repetirem e afirmarem um ponto para a trama.
Os jumpscares não são apenas exagerados, mas também se tornam uma ferramenta para o andamento do enredo em várias cenas. Eles tentam manter o interesse quando nada realmente impactante está acontecendo, disfarçando a previsibilidade dos eventos e tentando agradar espectadores que buscam apenas sustos fáceis. Mesmo assim, é preciso admitir que a atmosfera criada é um dos maiores méritos do filme.
No entanto, ao comparar Oddity com obras como Cure ou Creepy, de Kiyoshi Kurosawa, que compartilham elementos semelhantes, a diferença de qualidade é gritante. Kurosawa é capaz de construir uma tensão psicológica e uma atmosfera densa sem depender de jumpscares óbvios ou sustos artificiais. Seus filmes envolvem o espectador de maneira gradual, fazendo-o questionar a linha entre o real e o sobrenatural. Já Oddity tenta alcançar o mesmo efeito, mas cai em armadilhas narrativas previsíveis e sustos fáceis, comprometendo seu potencial.













