O Festival de Veneza 2024 consagrou “The Room Next Door”, a aguardada estreia de Pedro Almodóvar em filmes de língua inglesa.

O Brasil também comemorou com a vitória de Murilo Hauser e Heitor Lorega por “Ainda Estou Aqui” em Melhor Roteiro.  

Neste novo vídeo do Cine Set, eu apresento quem se saiu bem e saiu por baixo do evento italiano. 

 

QUEM SE DEU MAL


Para começar, vamos falar da turma que saiu abaixo do que era esperado e pode ter se complicado pensando no Oscar 2025. O blockbuster e mais aguardado filme dos selecionados para a disputa do Leão de Ouro decepcionou demais.  

Quem esperava ver a sequência de “Coringa” fazendo história, sofreu um anticlímax: Todd Philipps não convenceu a imprensa internacional com uma obra que envereda pelo musical, tenta manter a linha anárquica, mas, não apresenta a contundência do original. Joaquin Phoenix e Lady Gaga foram muito elogiados, mas, precisarão crescer bastante no lançamento nos cinemas para voltarem forte ao páreo. Maiores chances devem mesmo ir para as categorias técnicas.  

Não havia grandes expectativas em torno de “The Order”, policial do Justin Kurzel, e o filme correspondeu justamente isso. Chegou em Veneza, recebeu elogios moderados, não foi exaltado nem detonado. Ficou no meio do caminho. 

Já “Queer” nem foi tão mal perante a crítica, porém, a não premiação do Daniel Craig em Melhor Ator – derrota para o Vincent Lindon, de “The Quiet Son” – deixou um sabor amargo.

Mesmo cenário da Angelina Jolie: a estrela até foi bem-recebida por “Maria”, mas, novamente, o Pablo Larraín deixa a desejar com o filme.

Deve repetir o que ocorreu com Natalie Portman em “Jackie” e Kristen Stewart por “Spencer”. 

 EM ALTA

Chegamos, então, a quem sai de Veneza forte. Claro que o Brasil é um deles: 

“Ainda Estou Aqui” deixa a Itália em um patamar forte para a briga pelo Oscar 2025. Caso não haja nenhuma surpresa, o drama do Walter Salles certamente estará, pelo menos, na shortlist de Filme Internacional. Ficando entre os finalistas, terá chance de vitória.  

Mesmo que a vitória fosse fundamental para fortalecê-la, a Fernanda Torres também tem chances em Melhor Atriz. Já Roteiro Adaptado é bem possível, pois, poderia repetir os feitos de “A Filha Perdida” e “Os Banshees de Inisherin”, os quais também ganharam Veneza. 

Pouco se falava da Nicole Kidman antes do Festival de Veneza, mas, você nunca pode colocá-la em segundo plano. A australiana comprovou isso com “Babygirl”, uma grandiosa atuação repleta de sensualidade. Nos últimos anos, ganhar na Itália em Melhor Atriz representou um grande passo para a indicação no Oscar:  foi assim com Emma Stone em “La La Land“, Olivia Colman por “A Favorita“, Vanessa Kirby em “Pieces of a Woman“, Penélope Cruz de “Mães Paralelas” e Cate Blanchett em “Tár”. 

Já “The Brutalist” saiu grande demais de Veneza: aclamado de forma praticamente unânime, o drama rendeu a Brady Corbet o prêmio de Melhor Direção. Adam Brody e Guy Pearce foram aclamados igualmente e a parte técnica exaltada. Tornou-se um candidato obrigatório para o Oscar 2025 e dificilmente será esquecido.  

E claro que há “The Room Next Door”: o drama do Pedro Almodóvar cumpriu tudo o que se esperava dele. Um grande roteiro e direção, Julianne Moore e Tilda Swinton em atuações das melhores de cada nos últimos anos. A vitória do Leão de Ouro soou até protocolar para tamanho favoritismo.  

Em uma temporada sem favoritos absolutos como ocorreu no ano passado com “Oppenheimer”, sinto que a vitória em Veneza coloca “The Room Next Door” em circunstâncias parecidas a “A Forma da Água”, “Roma” e “Nomadland”. Todos estes três filmes adquiriram status de que brigavam por Melhor Filme no Oscar a partir do evento italiano. Almodóvar, pelo visto, se coloca em situação semelhante.