Caio Pimenta analisa quais as categorias que “Ainda Estou Aqui” mais tem chances de ganhar no Oscar 2025.

MELHOR FILME

Vamos começar com nossa menor chance, aquela categoria em que realmente podemos vencer. Logo, tenho que iniciar com Melhor Filme, onde apenas um milagre nos faria vencedores.

São duas barreiras gigantes para Ainda Estou Aqui na categoria máxima. A primeira é que ele ficou de fora de todos os precursores do Oscar de Melhor Filme. Não foi indicado no Globo de Ouro, Critics Choice, Bafta, PGA, DGA e SAG.

Vencer dessa forma nunca aconteceu desde que esses prêmios começaram a existir.

O segundo motivo é que Ainda Estou Aqui não foi indicado a Melhor Direção, Roteiro Adaptado, Fotografia e Montagem — categorias chave para o Oscar. A última vez que uma produção foi esnobada em todas essas categorias e ainda assim venceu Melhor Filme foi com Grande Hotel, na temporada de 1932, a quarta edição da festa da Academia.

A única explicação para Ainda Estou Aqui quebrar todas as estatísticas históricas seria o fato de ter sido descoberto de última hora pela indústria, o que representaria uma admissão de culpa por ter ficado de fora dos precursores e de mais categorias no Oscar 2025. Mas, é improvável que isso aconteça, especialmente por ser uma produção falada em português, com a barreira das legendas.

Neste sentido, o duelo deve ficar mesmo entre Conclave e Anora. A comédia de Sean Baker saiu na frente após levar o Critics Choice, o PGA e o DGA. No entanto, o drama de Edward Berger reagiu ao conquistar o Bafta e o SAG de Melhor Elenco. Para um sistema de votação preferencial, onde importa mais ter regularidade nas primeiras posições, Conclave tende a se sair melhor por ser menos divisivo e polêmico que Anora, chegando como favorito em uma disputa apertadíssima.

O Brutalista seria o candidato surpresa, por ter muito carinho de alas importantes da Academia, mas sofre com a rejeição de uma parte significativa devido à duração de quatro horas.

Favorito: Conclave
Pode Vencer: Anora
Surpresa: O Brutalista
Milagre: Ainda Estou Aqui

MELHOR ATRIZ

Em Melhor Atriz, o cenário está ligeiramente mais favorável, mas com uma montanha enorme para Fernanda Torres escalar.

Afinal, o favoritismo está com Demi Moore, ganhadora do Globo de Ouro, Critics Choice e do SAG. Todas as premiações nos EUA, onde a estrela de A Substância espera ter a maioria dos votos. Ela traz a narrativa de finalmente ser reconhecida pelos seus pares após inúmeras tentativas — o famoso comeback — e está em um papel que dialoga com os problemas que mais enfrentou em sua trajetória em Hollywood: o etarismo e a pressão estética.

Estrela de Anora, Mikey Madison também surge como uma possibilidade real de vitória. Além de estar no filme da temporada, em que tudo gira em torno da protagonista, ela faz parte de uma história que sempre prestigia jovens, belas e talentosas estrelas de Hollywood. Foi assim recentemente com Jennifer Lawrence, Brie Larson e Emma Stone. A vitória no Bafta mostrou que há muitos votantes da Academia dispostos a dar a estatueta para ela.

Já Fernanda é a outsider, correndo por fora, mas impressiona Hollywood desde 5 de janeiro, quando superou Nicole Kidman, Kate Winslet e Angelina Jolie no Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama. As ausências no Bafta e no SAG podem até pesar, mas dão a impressão de que foram mais fruto de desconhecimento do que de não valorização da estrela de Ainda Estou Aqui. A campanha brilhante das últimas semanas e o carinho com que é recebida por Hollywood provam isso.

Seria mentira da minha parte se eu dissesse que Fernanda é a favorita e tem tudo para ganhar Melhor Atriz. Este papel está nas mãos de Demi Moore, mas, sinceramente, eu não duvido nada de que tanto ela quanto a MUBI só irão respirar aliviadas e chegar com mais confiança neste Oscar pela falta de um embate direto com a brasileira.

O peso do voto internacional pode ser decisivo, caso os americanos e europeus se mostrem divididos entre Demi e Mikey, ainda mais se Fernanda conseguir roubar votos de ambas as alas da Academia. É improvável, mas pode acontecer.

Favorita: Demi Moore
Pode Vencer: Mikey Madison
Surpresa: Fernanda Torres

Melhor Filme Internacional

E chegamos a Melhor Filme Internacional: aqui é onde Ainda Estou Aqui tem sua maior chance de levar o Oscar.

Quem bate o olho e vê as 13 indicações de Emilia Pérez, suas duas estrelas mundialmente conhecidas e as vitórias no Globo de Ouro, Critics Choice e Bafta, além das indicações ao SAG, PGA e DGA, pensa que se trata de um candidato imbatível.

Deveria ser, mas não é. E essa é a melhor notícia possível para Ainda Estou Aqui. O candidato francês se fragilizou tanto com as polêmicas que viu todos os seus ativos ruírem, a ponto de chegar no Oscar ameaçado de perder categorias consideradas certas — a única que restou garantida foi Zoe Saldaña como Atriz Coadjuvante, mais pelo prestígio dela do que pelo filme.

Ainda Estou Aqui fez o caminho oposto: virou a surpresa da lista de Melhor Filme, viu Fernanda Torres se tornar uma sensação da temporada e a produção ser descoberta na reta final.

Apesar da Netflix ter feito um trabalho de contenção dos estragos nas últimas semanas, a verdade é que Emilia Pérez chega fragilizado para este Oscar 2025. Se dava para estimar uma vantagem de 80% a 20% para o francês assim que as indicações foram divulgadas, agora, a margem de diferença desapareceu. Hoje, é uma briga cabeça a cabeça e, na minha visão, Ainda Estou Aqui irá levar o Oscar de Melhor Filme Internacional.

Favorito: Ainda Estou Aqui
Pode Vencer: Emilia Pérez