Caio Pimenta analisa as forças e fraquezas dos cinco indicados ao Oscar 2025 de Melhor Ator.

SEBASTIAN STAN: AZARÃO TOTAL

O indicado com menos chances de levar é o Sebastian Stan. 

Aparecendo pela primeira vez no Oscar, o astro de “O Aprendiz” traz como ponto fraco estar em um longa com menor visibilidade que dos adversários, afinal, a produção do Ali Abbasi não está em Melhor Filme. O trabalho de Stan também é o longe do convencional daquilo que costuma ser premiado ao fazer uma figura repugnante, sem escrúpulos e nenhum tipo de redenção ou charme. O mais próximo disso a ganhar a categoria nos últimos anos foi o Daniel Plainview com o Daniel Day-Lewis, de “Sangue Negro” 

A Academia, aliás, adoraria que Sebastian Stan não saísse vencedor. Tudo para evitar confusões políticas com o atual presidente dos EUA; durante a campanha do ano passado, Trump pediu que o público boicotasse “O Aprendiz”.  

Por outro lado, o ator chega como um completo franco-atirador e pode crescer na disputa justamente por isso. Alas internacionais da Academia, revoltadas com o tratamento de Trump ao resto do planeta, são bem capazes de impulsionar a estrela de “O Aprendiz” rumo à vitória. Por fim, não dá para esquecer o grande ano de Sebastian Stan: não fosse por esse, ele poderia estar indicado por “Um Homem Diferente”. 

 COLMAN DOMINGO: CORRENDO POR FORA

A quarta posição está com o Colman Domingo. O protagonista de “Sing Sing” igualou o feito de Denzel Washington de duas indicações consecutivas a Melhor Ator. Isso dimensiona a grande fase do ator, um dos mais prestigiados e queridos na indústria atualmente.  

Joga a favor dele também a generosidade de atuar ao lado de não-atores e ex-detentos, inclusive, ao lado do homem que inspira seu personagem. Um simbolismo da força da arte e da resistência do povo negro cruelmente vítima da encarceração em massa nos EUA.  

Seria uma atuação capaz de levá-lo ao primeiro Oscar não fosse o fracasso de “Sing Sing” nas bilheterias e na temporada de premiações. Por mais investimento de campanha que a A24 fez, o drama não decolou e foi pouco visto. A resiliência do Colman para manter a indicação tão segura ao longo dos meses, diante das circunstâncias, chega a ser um milagre. Deixa a sensação de que a Academia irá deixar para premiá-lo em outro momento. 

RALPH FIENNES: BOAS CHANCES

O Ralph Fiennes chega como uma incógnita: o astro de “Conclave” não dominou a temporada a ponto de criar uma onda favorável a ele. Muito disso se deve a uma campanha tímida perto dos demais concorrentes. E como a atuação fazendo o cardeal Lawrence é sem arroubos expansivos, típicos de temporada de premiações, sendo construída uma dubiedade moral que deixa dúvidas a todo momento no espectador, o arrebatamento é menos intenso.  

A favor do Fiennes está o fato de “Conclave” permanecer forte na temporada com grandes chances de levar Melhor Filme, a possibilidade de ganhar o Bafta por ser da casa e o histórico junto ao Oscar. Esta é apenas a terceira indicação da carreira dele – as duas primeiras foram lá na década de 1990 -, logo, há uma sensação de que esta é a hora ideal de consagrá-lo. Outra oportunidade como agora pode não aparecer mais, criando mais uma dívida histórica da Academia com um grande ator.  

Hoje, o Ralph Fiennes está ali na terceira posição. 

 ADRIEN BRODy: FAVORITO

Neste momento, o Oscar 2025 de Melhor Ator está entre dois concorrentes. 

De um lado, aparece o Adrien Brody: ele é o astro de “O Brutalista”, filme com quase quatro horas de duração em que aparece quase todo o tempo, carregando a história. Um desafio que seus pares certamente reconhecem, especialmente, a partir de um personagem duríssimo que remete ao papel pelo qual venceu o Oscar em 2002 com “O Pianista”.   

Neste sentido, a A24 utiliza a expertise da vitória do Brendan Fraser dois anos atrás para colar a narrativa do retorno em Brody. Ele vivia uma fase bem apagada com filmes poucos inspirados até cruzar o caminho do drama do Brady Corbet. Para completar, ele venceu o Globo de Ouro de Ator em Drama, a única premiação ocorrida em janeiro, deixando a imagem forte até aqui.  

O protagonista de “O Brutalista”, entretanto, precisa superar as resistências ao filme: muita gente desiste do drama no meio devido às quatro horas de duração. Isso pode sim afetar os votos nele.  

Se a polêmica do uso da inteligência artificial para aprimorar o sotaque húngaro parece que não colou após todo o alarde quando foi divulgado, a sensação de exagero ao premiá-lo duas vezes nas duas indicações que teve a Melhor Ator pode pesar. Para se ter uma ideia, astros como Sean Penn, Fredric March, Jack Nicholson, Tom Hanks perderam na categoria algumas vezes, antes de serem bicampeões. Então, por que Brody seria diferente?  

TIMOTHÉE CHALAMET: FAVORITO

Neste sentido, quem se beneficiaria é o Timothée Chalamet. O novaiorquino é um dos astros mais disputados de Hollywood – já trabalhou com gente do naipe de Greta Gerwig, Luca Guadagnino, Wes Anderson e Woody Allen. Nesta temporada, protagoniza dois indicados ao Oscar de Melhor Filme – “Duna 2” e “Um Completo Desconhecido”.  

A produção da Searchlight Pictures, aliás, aproveita os tropeços dos principais adversários na temporada para crescer quietinho, ajudando Chalemet em Melhor Ator. Fora que personagens históricos vencendo a categoria virou regra: que o digam, Cillian Murphy, Will Smith, Rami Malek, Gary Oldman e Eddie Redmayne recentemente.  

Chalamet, entretanto, precisa ligar o alerta para uma característica de Melhor Ator: trata-se de uma categoria que prefere ganhadores mais velhos. Caso a estrela de “Um Completo Desconhecido”, ele se torna o mais jovem vencedor de todos os tempos. Logo, pode-se criar uma sensação de que dá para esperar um pouco mais para consagrá-lo até pela regularidade que possui na carreira.   

Também é preciso levar em consideração se “Um Completo Desconhecido” está mesmo forte ou não: somente os eventos de fevereiro como Bafta, SAG, PGA e DGA darão a exata noção sobre as chances da cinebiografia de Bob Dylan.