A terceira parte dos candidatos ao Oscar máximo aponta seis obras que eu considero certas em Melhor Filme.   

A turma dos favoritos, neste momento, pode, inclusive, trazer alguns fortes concorrentes a se sagrarem vencedores do prêmio. 

DUNA 2

A primeira certeza em Melhor Filme foi o blockbuster que deu um alento para Hollywood na metade inicial de 2024. 

Mesmo sem ser um fenômeno, “Duna 2” liderou as bilheterias norte-americanas e mundiais por quase todo o primeiro semestre de 2024, sendo destronado apenas por “Divertida Mente 2”. A ficção científica do Denis Villeneuve mantém toda a excelência técnica do original e consegue colocar um pouco mais de adrenalina e vida, o que aumentou a expectativa para o terceiro filme.  

Em uma temporada que tende a ser menos empolgante do que a anterior do ponto de vista de obras mais populares, “Duna 2” é o mais próximo de fazer esta ponte entre público e a Academia.  

Fora que a tendência é o longa da Warner ser o mais indicado nas categorias técnicas com possibilidades de bater até 10 indicações, sendo favorito na maioria delas. Ainda há o Denis Villeneuve: o canadense foi esnobado em 2022 em Melhor Direção e pode encontrar aqui a chance de dar a volta por cima. Não tem chances de vitória, mas, a vaga em Melhor Filme de “Duna 2”, na minha visão, está garantida. 

ANORA

 Só de ser o primeiro longa norte-americano a vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes desde “A Árvore da Vida”, do Terrence Malick, já coloca “Anora” em uma ótima situação. A tendência é a Academia repetir o histórico de ganhadores do maior evento de cinema do planeta estarem na categoria máxima do Oscar como foram os casos recentes de “Parasita”, “Anatomia de uma Queda” e “O Triângulo da Tristeza” – todos, diga-se, da Neon, distribuidora de “Anora” nos EUA.  

Seria também uma forma de prestigiar o cinema independente dos EUA, Sean Baker, um dos diretores novos mais prestigiados do cinema americano, e Mikey Maddison em estado de graça como a protagonista. Não tem o perfil de ganhador de Melhor Filme, mas, vejo potencial para chegar forte. 

EMILIA PÉREZ

Ainda da turma de Cannes, temos “Emilia Pérez”: o musical do Jacques Audiard chega badalado com o seu quarteto de protagonistas premiado em Cannes e com grandes chances de emplacarem indicações nas categorias femininas de atuação. É a principal aposta da Netflix, desesperada para emplacar vitória em Melhor Filme, e o maior candidato internacional na categoria máxima.   

A passagem em Telluride cheia de elogios confirmou a força do filme. Acredito que “Emilia Pérez” tenha chances de brigar pelo Oscar de Melhor Filme, chegando como um dos favoritos, pois carrega a força feminina com a pauta trans e ainda é um musical, gênero que não vence Melhor Filme desde “Chicago”. 

 CONCLAVE

Para quem é mais tradicionalista na Academia, “Conclave” é aquele candidato ideal. Um timaço de atores em um grande elenco, um tema que sempre rende boas histórias – a Igreja Católica rendeu um Oscar para “Spotlight” – e um diretor em ascensão como Edward Berger, de “Nada de Novo no Front”. A exibição em Telluride deu força ao longa, especialmente, Ralph Fiennes, ator querido de Hollywood ainda sem uma estatueta.  

Distribuidora de “Conclave”, a Focus Features já fez campanhas pesadas no Oscar que resultaram em muitas conquistas, entre elas, de “Brokeback Mountain” e “La La Land”. Neste momento, está no páreo ainda que sem favoritismo, mas, tem perfil para crescer demais ao longo da temporada. 

 THE BRUTALIST

Já de Veneza vieram outros dois candidatos certos em Melhor Filme: “The Brutalist” foi aclamado por tudo mundo. Elogios sobraram para o novo drama do Brady Corbet, correspondendo às expectativas de muitos que ele era uma promessa sendo lapidada. Adrien Brody e Guy Pearce também foram exaltados.   

O sucesso na Itália ajudou o longa a conquistar a tão almejada distribuição nos EUA com a A24, já sendo colocado na primeira prateleira das apostas do estúdio para temporada até acima de “Queer” e ao lado de “Sing Sing”. Tem cara de cinemão clássico, com ousadia técnica – um dos raros longas a serem feitos em VistaVision –, história forte e elenco excelente. Mais cara de Oscar impossível. 

 O QUARTO AO LADO

E o que dizer de “O Quarto ao Lado”? Se havia todo um hype antecipado em torno da estreia de Pedro Almódovar em filmes falados em inglês e ao lado de Julianne Moore e Tilda Swinton, Veneza confirmou as altas expectativas. O Leão de Ouro coloca o drama em ótimas condições de disputa em situações semelhantes de “A Forma da Água”, “Roma”, “Nomadland”, “Coringa”, e “Pobres Criaturas”.  

A tendência é que “O Quarto ao Lado” seja aquele candidato que vai ‘bingar’ nas categorias principais, levando automaticamente para a corrida principal com grandes chances. Cabe saber o grau de amor da Academia para com o Almodóvar, visto que ele é um autor sempre divisivo, ainda que se reconheça o talento dele. No atual panorama, vejo com chances de vitória sim.