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Um dos elogios que eu posso fazer a franquia (agora trilogia) Tron é o grau de eficiência que os três filmes conseguiram retratar o tempo em que foram lançados. Uma Odisseia Eletrônica, O Legado e o recente Ares são produtos de uma época, sem contar o quanto espelharam a cultura pop desse período.
Mostraram também o poder da tecnologia cinematográfica em captar o mundo fantástico dentro da ficção científica por meio dos belíssimos conceitos visuais e sonoros, além de explorarem a ideia de conexão do ser humano com a realidade virtual. Se de um lado essas qualidades são notáveis na série de ficção científica da Disney, do outro lado os três Tron nunca esconderam as fragilidades: são obras empolgantes visualmente, mas que narrativamente pouco aprofundam as suas premissas interessantes.
No fundo, a franquia sempre entregou um “cinema conforto” ao espectador, de seduzir pelo sensorial (imagens, cenários e som). É o clássico exemplo da preponderância da forma sobre o conteúdo. Abaixo, segue o meu ranking da série do pior para o melhor, mas que já adianto….a distância de um para outro é relativamente pequena, e, particularmente, não considero nenhum deles ruins ou fracos, talvez, apenas cansativos em certos momentos das suas propostas.
3. Tron: Uma Odisseia Eletrônica (1982), de Steven Lisberger
Sou um cara nostálgico por natureza, mas essa revisão do original não fez bem a ele. Os efeitos especiais por mais que tenham ficado datadíssimos não impedem de deixar a experiencia charmosa. É evidente que o diretor Steven Lisberger partiu de uma ideia inovadora ao mostrar pessoas vivendo dentro de um computador lá no início da década de 80.
Uma Odisseia Eletrônica funciona bem dentro da singularidade minimalista na meia hora inicial. A abordagem única de efeitos visuais em integrar atores humanos com o mundo virtual praticamente vazio dos jogos trouxe um frescor impressionante e melancólico a uma realidade praticamente nova para o cinema da época.
Lisberger apresentou conceitos inovadores como o avatar virtual dos personagens – a fantasia louca de que uma pessoa poderia ter uma identidade no meio digital se concretizou na década seguinte com a internet – a paranoia tecnológica oriunda do mundo eletrônico e, é claro, as antológicas sequências com as motos de luz (lightcycles) e a luta com os discos na arena.
O problema é quando o espectador se acostuma com aquele universo, nada mais salta aos olhos. O roteiro não desenvolve as ótimas ideias, apresentando uma narrativa descompassada e que deixa o filme engessado e maçante sem que possamos ter qualquer apego dramatúrgico aos personagens e dilemas. Chega um certo momento da história que até mesmo a estética acachapante cansa.
No entanto, Uma Odisseia Eletrônica é de um legado importante para o cinema de ficção-científica devido a computação gráfica inovadora da época, além de mostrar o mundo virtual construindo autoimagens das pessoas totalmente dissonantes da versão real algo que se concretizou com o passar dos. Não há como negar que o primeiro Tron tem o seu valor histórico por pavimentar a estrada do gênero. Matrix, Avatar, Black Mirror, Detona Ralph, Ruptura e os demais que vieram em seguida devem pagar o pedágio a ele.
2. Tron: O Ares (2025), de Joachim Rønning
Sem dúvida, assistir na sala XPLUS proporcionou uma experiência imersiva para melhor apreciar Ares. Muito disso também se dá em razão da trilha sonora portentosa de Trent Reznor e Atticus – e olha que a do Daft Punk na sequência de 2010 já era sensacional – e das cenas de ação de encher os olhos, ainda mais em tempos que até o próprio blockbuster americano sustentado pela Marvel e DC tem se revelado preguiçoso para compor visualmente suas obras.
Joachim Rønning consegue dar forma ao olhar imagético de Tron para analisá-lo nos códigos e nas engrenagens do universo grandioso que ele sucinta. O próprio texto consegue ressignificar bem o passado nostálgico da franquia para estabelecer um diálogo com o seu futuro a partir dos dilemas tecnológicos do mundo moderno em relação ao papel da inteligência artificial na sociedade atual e de que forma isso interfere nas relações humanas. O elenco carismático formado por Jared Leto, Greta Lee, Jodie Turner-Smith, e, claro, tendo o retorno de Jeff Bridges ajuda a tornar a experiência agradável.
Apesar do filme ser uma montanha russa divertida no campo da ação (que lembra modus operandis em escala de destruição de Michael Bay e Roland Emmerich) mais uma vez fica a impressão de que a narrativa acelerada passa por cima de temáticas que poderiam ser mais bem aprofundadas, uma delas as dicotomias existentes entre o mundo real e o virtual. Além disso, o herói vivido por Leto fica aquém do potencial, mesmo que o ator não atrapalhe a história como acontecia com o protagonista vivido por Hedlund no segundo filme.
Se fosse menos hiperbólico no frenesi e até mesmo um pouco mais curto na própria metragem, Tron Ares teria tudo para ser um real divisor na franquia: apresenta belas imagens e uma trilha sonora soberba, mas que mais uma vez estimula a acomodação no universo troniano para não explorar cinematograficamente o melhor da história, personagens e dilemas morais que o circunda.
1. Tron: O Legado (2010), de Joseph Kosinski
Na revisão desta sequência produzida quase 30 anos depois do original, duas coisas ainda saltam os olhos: 1) O Legado é uma continuação esteticamente deslumbrante; 2) amplia o universo tímido do original com conceitos interessantes sobre a era digital cibernética a partir de paralelos religiosos, além de esmiuçar as regras e engrenagens desta realidade.
Antes de se tornar queridinho de Hollywood com Top Gun: Maverick, o diretor Joseph Kosinksi estreava com uma obra de apuro visual elaboradíssimo que se sobressai pela ação vibrante – com destaque para a corrida com os lightcycles e a batalha com os discos que são de tirar o fôlego – e pela trilha sonora pulsante do Daft Punk. Gosto do design metálico sombrio alimentado por uma boa dose de cinismo – a inocência e simplicidade do original, são questões que não envelheceram bem – e que permite Jeff Bridges fazer um avatar do seu famoso The Dude aqui.
Dá para sentir que o filme segue um caminho mais independente para estabelecer a imersão do público naquele universo específico. Isso não tira os velhos problemas textuais da série: o excesso de diálogos expositivos, a narrativa que do meio para o fim se torna puramente genérica e um drama familiar caricatural entre pai e filho com direito a um protagonista horroroso – até acho Garret Hedlund um bom ator, mas aqui ele está intragável na chatice suprema.
Por mais que Tron: O Legado deixe de potencializar a filosofia sobre a experiência do ser humano entre programas na busca pela espiritualidade, ainda assim, é uma obra prazerosa de se ver e de se sentir pela viagem intrínseca pelo universo do ciberespaço. No fundo, temos um bom espetáculo techno-noir que prima mais pelo visual do que a história como manda a cartilha do entretenimento americano e da própria série cinematográfica.















Pior??? Cada filme foi feito em uma época com uma grande distância um do outro. Para cada época foi um marco épico nos efeitos especiais .
E ache o filme Ares sensacional.
Tem q ter um abaixo do outro se for pra elencar. E calma, o próprio escritor deixou escrito ali q não considera nenhum ruim ou fraco.
Não vi o 1° e tenho q ver esse 3°!! Gostei demais do Legado.
Ares ficou ótimo, mas tá longe de ser melhor que o primeiro… Pra mim ocupa o terceiro lugar, mesmo sendo um show de efeitos especiais. Legado ainda é o melhor, mas o original ainda é melhor que o Ares