Em 1990, Xuxa Meneghel estava no auge de sua carreira. A loira mais famosa do Brasil já era recordista em vendagem de discos e seu programa “Xou da Xuxa”, exibido nas manhãs pela TV Globo, rompia barreiras e começava a ganhar repercussão internacional.

Se tal fenômeno contagiava o público pelas telinhas de televisão, não seria diferente nas telonas de cinema. Desde que abandonara a carreira de modelo para se tornar apresentadora infantil, Xuxa já havia feito participações de destaque em filmes dos Trapalhões e, em 1988, protagonizou o sucesso “Super Xuxa Contra Baixo Astral”. Mas foi com “Lua de Cristal” (1990), que a Rainha dos Baixinhos se firmou de vez como um nome forte na cinematografia nacional.

O longa foi co-estrelado por Sergio Mallandro e dirigido por Tizuka Yamasaki, que cercou-se de profissionais renomados como o diretor de fotografia Edgar Moura e um elenco que incluía nomes de peso como Julia Lemmertz, Marilu Bueno, Claudio Mamberti, Rubens Correa e Thelma Reston.

A premiada diretora de “Gaijin – Caminhos da Liberdade” (1980) acertou na condução de um roteiro mais realista com tons autobiográficos, que contava a história de uma jovem que sai do interior para tentar a vida na cidade grande e realizar o sonho de virar cantora.

O resultado não poderia ser melhor: com mais de 4 milhões de espectadores, “Lua de Cristal” se tornou o filme brasileiro mais visto da década e se manteve por muitos anos no ranking como a maior bilheteria dirigida por uma cineasta mulher no país. Trinta anos depois, estas curiosidades, assim como os bastidores das filmagens, serão tema de um documentário comemorativo a ser lançado ainda esse ano.

O DOCUMENTÁRIO

A cineasta Tizuka Yamasaki grava seu depoimento sobre “Lua de Cristal”

Produzido de forma totalmente independente e sem fins lucrativos, “Lua de Cristal 30 Anos” revisita a história de um dos grandes sucessos do cinema brasileiro que marcou toda uma geração, traçando um panorama da obra através de entrevistas e um vasto material de arquivo.

Tudo começou quando o carioca Gabriel Silva, o paulista Rodrigo Nicodemo e o mineiro Diego Alexandre se juntaram para desenvolverem o projeto. Os três fazem parte da geração que cresceu assistindo às constantes exibições do filme na Sessão da Tarde e resolveram homenageá-lo. Tirando recursos do próprio bolso, os produtores superam as limitações impostas pelo baixo orçamento com muita criatividade e confiança nos depoimentos dos profissionais que trabalharam no longa-metragem.

Contudo, a maior dificuldade tem sido conseguir as entrevistas que faltam para dar início a edição do documentário. Xuxa, peça fundamental na história do filme, sabe do projeto e sinalizou positivamente. Porém, os produtores aguardam o retorno de sua assessoria para viabilizar a participação.

Além de Tizuka Yamasaki, também já foram entrevistados o produtor Diler Trindade, a roteirista Yoya Wursch, o compositor Michael Sullivan, as atrizes Julia Lemmertz e Marilu Bueno, o cantor Avellar Love (do grupo João Penca e seus Miquinhos Amestrados), dentre outros. Até o humorista Paulo Vieira, fã declarado de Xuxa, foi tocado pela mensagem do filme na infância e teve seu depoimento registrado.

Mas, engana-se quem pensa que o documentário é direcionado apenas aos fãs saudosistas. Há espaço para reflexões acerca do turbulento período em que o longa foi lançado (extinção da Embrafilme durante o governo Collor) e discussões sobre a produção audiovisual para o público infanto-juvenil na atualidade. Críticos e pesquisadores debatem o preconceito com o cinema popular e comercial feito no Brasil através das críticas que o filme recebeu na época de seu lançamento.

“Lua de Cristal” foi produzido numa época em que registros de making of ainda não eram comuns no Brasil, o que torna a realização do documentário ainda mais importante.  Através dele será resgatado um pedaço marcante da história do nosso cinema pelas palavras de quem fez e quem viu. “Lua de Cristal 30 Anos” segue em fase de produção e será disponibilizado ao público ainda esse ano nas plataformas digitais.

OS PRODUTORES

Rodrigo, Gabriel e Diego entrevistando o produtor Diler Trindade

DIEGO ALEXANDRE

Jornalista com carreira voltada para o audiovisual, produziu conteúdo para o Memorial Clara Nunes, em Minas Gerais, durante dois anos. Na área de Assistência de Direção, trabalhou no longa-metragem “Introdução à Música do Sangue” e na série “Rua do Sobe e Desce, Número Que Desaparece” (Canal Brasil/Globosat), ambos dirigidos por Luiz Carlos Lacerda, além de vídeos institucionais e curtas premiados. Em 2015, o seu primeiro trabalho como produtor e diretor, o documentário “Só Para Loucos”, foi selecionado para festivais no Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais e Tocantins.

GABRIEL SILVA

Assistente e divulgador de corretores de imóveis na Century 21 da Flórida no Brasil, se aventurou pela produção audiovisual em 2018, ao realizar uma websérie comemorativa sobre os 30 anos de lançamento do filme “Super Xuxa Contra Baixo Astral” para o YouTube, alcançando ótima repercussão na mídia.

RODRIGO NICODEMO

Produtor de conteúdo multimídia com mais de dez anos de atuação no mercado audiovisual. Ampla experiência em reportagens especiais, entretenimento e reality show. No Brasil, trabalhou na adaptação de formatos internacionais como “A Liga”, “Mulheres Ricas” (BAND) e “Are You The One” (MTV), além de produções brasileiras, como a série “Parques” (NatGeo) e “Quebrando o Tabu” (GNT). Recentemente, trabalhou para o reality show “The Circle Brasil”, da Netflix, além do desenvolvimento de projetos para web e pesquisa documental.

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