Marco Bellochio sempre foi um diretor de uma nota só. Isso não é necessariamente um problema, como Tom Jobim já nos ensinou. Pegue “O Monstro na Primeira Página”, de 1972, por exemplo: acusar o diretor de ser maniqueísta no seu modo de condenar as táticas inescrupulosas da mídia de direita seria pueril. Mais importante é que aquele filme traz um senso de urgência do primeiro ao último frame: das imagens de manifestantes que abrem o longa ao plano final de um córrego tomado por esgoto, há uma raiva palpável que incute à projeção um sentimento de perigo e amargura.
Passemos agora para este “O Sequestro do Papa”. Estamos em Bolonha, 1858. A cidade ainda era um Estado Pontifício, o que significa que o Papa Pio IX era efetivamente o rei da cocada preta, não só do Vaticano. Por isso, quando chega ao conhecimento do Tribunal do Santo Ofício que o menino judeu Edgardo foi batizado sem que a família soubesse, a Igreja decide intervir. Enquanto isso, são os braços do próprio papa que esperam pelo menino em Roma.
É que a autoridade do sumo pontífice enquanto chefe de estado está começando a ser posta em cheque. O caso do menino judeu tirado à força do seio familiar repercute não só entre as famílias judias da Bolonha, mas pela imprensa liberal de todo o mundo. Para a Igreja, manter a custódia do rapaz no fim das contas significa fazer valer sua força política.
SONOLENTA AULA DE HISTÓRIA
“O Sequestro do Papa” é, portanto, mais uma mirada de Bellochio ao passado de violência da Itália, seguindo a recente toada da carreira. Mas esse distanciamento histórico parece retirar todo o senso de urgência do diretor. O resultado é plácido, moroso, seguro: o filme de um arauto da boa política.
Da trilha sonora bonitinha que acompanha as crianças judias brincando ao sorriso mefistotélico do Papa interpretado por Paolo Pierobon, fica claro que Bellochio está trabalhando com pinceladas largas. Mas não há uma imagem sequer que nos faça sentir a violência do ocorrido ou que eleve o filme a mais do que uma aula expositiva.
Resta acompanhar a lenta e protocolar progressão da história, conforme Edgardo aprende a se desfazer da sua identidade judia enquanto sua família tenta se articular de alguma forma para reavê-lo. Há um ou outro take de beleza plástica no meio do caminho, com a fotografia digital em profundidade de campo destacando os detalhes suntuosos dos bastidores papais. É tudo muito competente, correto e enfadonho.
Em suma: este é um daqueles filmes fadados a servirem de pano de fundo das sonolentas aulas de História entre um cochilo e outro.














Realmente você não entendeu nada do filme…análise bem rasa a sua.