De tempos em tempos, você se depara com algum filme que, utilizando-se da etiqueta de experimental, contrahegemônico, dissidente ou o que quer que seja, tenta nos forçar goela abaixo as maiores chatices imagináveis. E é quando uma verdade tão antiga quanto o próprio cinema vem à tona: é preciso algum tipo de visão de mundo para que seu experimento produza de fato algo novo. Do contrário, teremos platitudes com o mesmo valor de uma demo reel no Behance, quando muito.

Outra forma de dizer seria: para fugir dos ditames narrativos, é preciso ter algo interessante a narrar, para começar. O que definitivamente não significa apostar no palavrório vago que constitui a trip cristã de O Mundo dos Mortos. Eu curto essa tal trip, então esse filme deveria ser para mim. Do jeito que está, duvido que seja para qualquer um.

Estamos entre anjos e demônios nos dias de limbo após a crucificação do Messias, cenário perfeito para pseudo-meditações sobre fé e o destino do mundo Ocidental. O longa parece mirar numa secura quase bressoniana, mas nem todo mundo pode ser Bresson. Aliás, que eu me lembre, Bresson nunca deu às suas imagens o verniz de um filtro do Instagram.

É fato que um filme como esse, claramente feito de maneira, dá uma trabalheira desgraçada para ser realizado. Daí surge a pergunta: por quê? Por que concentrar esforços num filme que não revela nada, que não cria uma imagem ou som sequer que se fixe à memória? Por que optar por uma suposta austeridade se o resultado é equiparável a uma produção de teatro escolar? Por que fazer um filme se não há paixão aparente?

Pode ser que seja algum tipo de piada interna. A julgar pela debandada massiva do público, ninguém sacou qual era a graça.