O Bafta mais importante dos últimos anos para o cinema brasileiro acontece neste domingo, 16 de fevereiro.
“Ainda Estou Aqui” disputa Melhor Filme Internacional com chances reais de vitória.
E, claro, não dá para esquecer de Melhor Atriz, onde precisamos observar para quais rumos a categoria irá.
Neste novo vídeo, aponto o que devemos ficar atentos e as nossas chances no Oscar do cinema britânico.
HISTÓRICO DO BRASIL NO BAFTA
Antes de mais nada, que tal lembrar das presenças brasileiras anteriores no Bafta?
A categoria de Melhor Filme de Língua Não-Inglesa foi criada na edição de 1983, e o Brasil já disputou seis vezes.
Logo de cara, já saímos vencedores com “Central do Brasil”: o drama de Walter Salles, inclusive, superou “A Vida é Bela” e “Carne Trêmula”, de Pedro Almodóvar. Pena que não repetiu o feito no Oscar.
Em 2002, Salles voltou a concorrer com “Abril Despedaçado”, mas perdeu para o mexicano “Amores Brutos”, de Alejandro González Iñárritu. No ano seguinte, “Cidade de Deus” não foi páreo para a obra-prima almodovariana “Fale com Ela”.
Dois anos depois, o Brasil se aliou à Argentina, e “Diários de Motocicleta” venceu o prêmio. A última presença do país antes de “Ainda Estou Aqui” foi com “Trash”, uma coprodução brasileira e britânica, derrotada pelo polonês “Ida”.
AS CHANCES DE “AINDA ESTOU AQUI”
Como deu para perceber, Walter Salles é um diretor bastante querido no Bafta. Dos filmes que ele dirigiu no Brasil, apenas “Linha de Passe” neste século não conseguiu indicação.
Esse fator, somado à visibilidade de “Ainda Estou Aqui” neste momento da temporada e, claro, à queda vertiginosa de “Emília Pérez”, permite ao Brasil sonhar com a terceira conquista na categoria. Evidentemente, o musical francês chega com força, até por somar 10 indicações ao Bafta, concorrendo, inclusive, em Melhor Filme, mas o impacto da campanha negativa contra o filme e as declarações péssimas de Karla Sofia Gascón colocaram tudo a perder.
O prêmio britânico servirá, principalmente, para medir o estrago de “Emília Pérez”. Qualquer resultado que não seja a vitória representará o fim da linha para o musical da Netflix. Uma conquista de “Ainda Estou Aqui” aproximaria o drama brasileiro do Oscar, colocando-o como favorito na categoria.
Vale, entretanto, ficar de olho em um cenário possível que pouca gente está notando: o indiano “Tudo Que Imaginamos Como Luz” pode sair vencedor da categoria. O Bafta costuma ser uma premiação caseira, e a Índia tem uma ligação histórica com os britânicos devido à colonização. Logo, não seria nada surpreendente se Payal Kapadia ganhasse aqui. Claro que não seria o ideal para “Ainda Estou Aqui”, mas, no fim das contas, seria bom para mostrar a fragilidade de “Emília Pérez”.
A TORCIDA POR MARIANNE
Em Melhor Atriz, Demi Moore chega para confirmar seu status de imbatível. A estrela de “A Substância” já levou o Globo de Ouro e o Critics Choice, mas agora encontra a primeira premiação com votantes da Academia. Se levar aqui, ficará claro que conquistou não apenas os americanos, mas também os europeus.
A ascensão de “Anora” após vencer o DGA, PGA e Critics no mesmo fim de semana coloca Mikey Madison como uma candidata a ser observada com bastante atenção. Se o Bafta também resolver consagrar a comédia dramática de Sean Baker, há chances dela sair vencedora.
Fernanda Torres não está indicada, mas isso não significa que os brasileiros deixarão a premiação de lado após Melhor Filme Internacional. A torcida precisa ser por Marianne Jean-Baptiste.
A estrela de “Hard Truths” foi esnobada pelo Oscar e terá sua única chance de um prêmio grande na temporada justamente no Bafta. Se o estilo caseiro da premiação britânica favorecer Marianne, por outro lado, nos últimos 20 anos, somente Scarlett Johansson, por “Encontros e Desencontros”, e Joanna Scanlan, por “After Love”, venceram sem ter sido indicadas na Academia.
Uma conquista de Marianne Jean-Baptiste no Bafta deixaria a dúvida sobre quem levaria os votos europeus em Melhor Atriz no Oscar. A lógica aponta para Fernanda Torres, afinal, Cynthia Erivo, Karla Sofia Gascón, Mikey Madison e Demi Moore concorrem no prêmio britânico e sairão de lá sem nada.














